segunda-feira, 20 de junho de 2011

Achados










a)Zoologia Alternativa


O escritor britânico Dougal Dixon escreveu alguns livros sobre "zoologia" alternativa (ou ainda usando um outro termo que encontrei, biologia especulativa)... Afinal, a ciência não se constrói apenas em cima daquilo que é, mas também daquilo que pode ter sido.

A gente precisa de distância para enxergar melhor, e quando não há como tomar distância, precisa-se usar imaginação, criatividade... Coisas que nem sempre convém lembrar que estão na origem desta coisa tão técnica e racional que é a ciência. Ninguém esteve presente no Big Bang, ninguém viajou na velocidade da luz, ninguém consegue observar seus fótons. Algumas coisas sempre estarão no terreno do especulativo.

Além de especular e imaginar novas espécies de dinossauros (The New Dinosaurs - an alternative evolution), Dixon também já chegou a conceber um livro com os animais do futuro (After Man - a Zoology of the Future). Ele colaborou com a série Futuro Selvagem (Future is wild) do Discovery Channel.

O homem ainda escreveu um outro livro (Man After Man: An Anthropology of the Future) especulando sobre a evolução da espécie humana.

(via Monster Brains; segundo o Monster Brains, seus livros estão fora de catálogo e não são baratos em sebos virtuais)

Graças a estas pesquisas todas, ainda encontrei um "wiki" apenas sobre biologia especulativa.


b)Leonora Carrington (1917 - 2011)



(Via Monster Brains)



c) Ilustrações científicas



(Via Neatorama)

d)A Arte de andar pelas ruas

Um site no qual você realiza o flâneur em diversas cidades do mundo através das fotografias do Google Street View. Senti falta de outras cidades... Ou de algum comando para tornar a coisa verdadeiramente aleatória, com saltos entre cidades, continentes... Mas ainda assim é legal.

(Via Warren Ellis)

terça-feira, 14 de junho de 2011

menina maçã + transformers







Era uma vez uma Rainha e um Rei despejados de seu palácio, logo após a última crise financeira. Agora viviam em um apartamento e tentavam tocar a vida do jeito que dava. O Rei trabalhava em um escritório de contabilidade e a Rainha era atendente de telemarketing e ganhava um extra com leituras de tarô. Poderiam até ser felizes mas a Rainha queria muito ter uma criança. O destino lhes era desfavorável: ela virava O Enforcado, A Torre e A Lua. Certa vez, inconformada, enquanto fazia a feira reclamou em voz alta:


“Os coqueiros dão cocos, as macieiras têm maçãs. Por que eu não posso ter filhos?”


Meses depois, a Rainha paria uma maçã. Era uma maçã grande, verde, brilhante. “E agora?”, quis saber o Rei. “Esperamos amadurecer”, respondeu sua esposa. Esta se afeiçoou ao fruto e lhe deu água, amor e carinho. Todas os dias, a Rainha saía para trabalhar e deixava-a sobre uma mesinha na varanda onde tomava o sol da manhã. Lentamente a casca se avermelhou.


No apartamento em frente a este, vivia uma outra família real: uma Madrasta e seus dois enteados. O pai perdera a cabeça durante um golpe militar e eles sobreviviam às custas de uma pensão dada pelo Estado, pensão que se manteria enquanto nenhum dos irmãos casasse. Assim, ela vestia ambos com vestidos e roupas de meninas na pretensão de mantê-los solteiros.


O mais velho adorava Transformers e brincava em seu quarto com seus carrinhos-aviões-animais-robôs na sacada do apartamento. Entremeava os brinquedos na rede de proteção e fazia de conta que uma aranha gigante devoraria os bonecos. Ele via a maçã no apartamento adiante e não se interessava por ela. Numa manhã, entretanto, o fruto se desdobrou, abriu e virou uma linda menina de cabelos vermelhos e unhas verdes nos pés.


O menino espiava a menina em suas danças, suas sardas e seus pêlos vermelhos. Tentou saber onde se vendia aquele brinquedo e teve a sorte de descobrir que aquele seria único. Passou a bater na porta daquela casa, pedindo por aquela maçã. A mãe achava esquisito aquele garoto de vestido e robôs na mão e sempre recusou suas aproximações. Mas um dia acabou conseguindo.


O pai da Menina-Maçã se divorciara e mudou para outro país. A mãe encontrara outro Rei, mas este não queria saber de sua filha. Sendo assim, com alguma (não muita) tristeza, ela entregou a Maçã ao jovem.


“Do que ela precisa para viver?”

“Quase nada. Dê-lhe um pouco de água, amor e carinho. Mas a deixe respirar.”


O menino se trancava no quarto com a Maçã e seu exército de coisas que se transformavam em outras. A porta sempre fechada inquietava a Madrasta. Ela espiava pela fechadura, mas do outro lado puseram uma toalha; encostava o ouvido na porta, mas o volume alto do rádio ou do videogame abafava qualquer som de dentro. Recorria então ao irmão mais novo, mas este, como todo bom irmão mais moço, desconversava enquanto assistia desenhos animados:


“Deixa ele, Madrasta. Só tá brincando.”


Porém aconteceu uma guerra e o mais velho fora convocado para combater o Inimigo. Ordenou ao mais moço que este tomasse conta da Maçã no quarto e não deixasse nem a Maçã sair, nem a Madrasta entrar. Este até que se esforçou no início, mas ele era muito distraído e logo esqueceu as recomendações. A Menina Maçã se desdobrou, como sempre fazia toda manhã, e encontrou a porta aberta. Foi para a cozinha e preparou um lanche. Depois, no quarto da Madrasta experimentou brincos e sapatos e a maquiagem.


A Madrasta chegou de repente e a Menina voltou para o quarto e se encolheu em forma de fruta. A Madrasta estranhou aquela bagunça e o silêncio pela casa. Foi para a janela e viu o mais moço jogando basquete na quadra do prédio. Pegou uma faca na cozinha e investigou o interior do apartamento, suspeitando de um ladrão. Entrou no quarto e achou a grande Maçã vermelha sob o lençol. A Madrasta acreditou que aquilo era uma feitiçaria e decidiu espetar várias vezes a fruta com sua faca. Pelos furos saiu sangue, tanto que tingiu os panos e o colchão de vermelho. Apavorada, a Madrasta fugiu e nunca mais voltou.


Quando terminou a partida, o irmão mais novo descobriu as portas entreabertas e destrancadas. A maçã estava sobre a cama, murcha e da cor da terra. O menino se apavorou, pegou a fruta e a levou para uma vizinha, uma mulher que lia borras de café e folhas de chá. Ela ajudou o garoto, tapando os buracos com mel e band-aid e instruiu ao garoto que lhe desse água, amor e carinho.


Assim fez o irmão mais moço. Como a mão fechada que abre os dedos um a um, a maçã foi se desdobrando cada vez mais uma menina. Ele ficou cuidando da moça o melhor que pode, e se obrigou a ser menos distraído enquanto ela se recuperava. E se descobriram apaixonados. “A gente cresce porque é preciso, a gente ama quando se sabe necessário”, respondeu-lhe a Menina Maçã, cheia de sardas, feridas e beijos. E por isto, temiam o dia do retorno do irmão mais velho e o que este iria sentir ao se deparar com os dois juntos.


A guerra terminou e com a paz, regressaram os soldados. O mais velho agora era veterano de guerra. Porém o casal não se separou e nem houve mais tristeza. O mais velho perdera um braço em combate, era verdade, mas recebera em troca a paixão de um outro soldado. Assim viveram os dois irmãos - cada um com seu amor - felizes para sempre. Ao menos, até a próxima crise financeira.








(Adaptação minha de outro dos contos de fadas italianos transcritos por Italo Calvino: A Menina-Maçã. Foto de Malerie Marden, segundo o Found in the Attic . Eu não ia fazer, mas me deu vontade depois de ler Sabedoria Secreta, ensaio de Luiz Bras no Rascunho e publicado, dentre outros ensaios, no pequeno grande livro Muitas Peles, da Editora Terracota)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Telegrama





Paper bag

(Fiona Apple)


I was staring at the sky, just looking for a star
To pray on, or wish on, or something like that
I was having a sweet fix of a daydream of a boy
Whose reality i knew, was a hopeless to be had
But then the dove of hope began its downward slope
And i believed for a moment that my chances
Were approaching to be grabbed
But as it came down near, so did a weary tear
I thought it was a bird, but it was just a paper bag

Hunger hurts, and i want him so bad, oh it kills
Cuz I know I'm a mess he don't wanna clean up
I got to fold cuz these hands are too shaky to hold
Hunger hurts, but starving works
When it costs too much to love

And I went crazy again today,
Looking for a strand to climb
Looking for a little hope

Baby said he couldn't stay, wouldn't put his lips to mine,
And a fail to kiss is a fail to cope

I said, "honey, i don't feel so good, don't feel justified

Come on put a little love here in my void"

He said "it's all in your head", and I said "so's everything"

But he didn't get it I thought he was a man

But he was just a little dang boy


Hunger hurts, and i want him so bad, oh it kills
Cuz i know i'm a mess he don't wanna clean up
I got to fold cuz these hands are too shaky to hold
Hunger hurts, but starving works
When it costs too much to love

Hunger hurts, but i want him so bad, oh it kills
Cuz i know i'm a mess he don't wanna clean up
I got to fold cuz these hands are just too shaky to hold
Hunger hurts, but starving works
When it costs too much to love

Hunger hurts, but i want him so bad it kills
Cuz i know i'm a mess he don't wanna clean up
I got to fold cuz these hands are too shaky to hold
Hunger hurts, but starving works,
When it cost too much to love.



(Imagem Terry Rodgers)

domingo, 12 de junho de 2011

o edifício branco














Estávamos diante da fachada e era possível ver todas as janelas e todas as janelas davam para os quartos e em todos os quartos havia gente nua, ou quase. Eles nos observavam cegamente, os olhos perscrutando a paisagem de multidões. Como num desenho feito por crianças, todas as regras de escala e perspectiva eram desrespeitadas por aquela arquitetura, víamos as camas desarrumadas, os abajures, os tocos de velas, as fronhas, os lençóis, as pernas, os dedos enfiados nas frestas, os pintos, as bundas, os rabos, os tetos e o tapetes sob o mesmo ponto de vista. Nossos olhos como os dos insetos, feito mosaicos, as imagens separadas umas das outras: recortes em movimento, confetes de cacos de espelhos.



Os moradores da favela de papel eram gigantes contidos nas pequenas janelas: imaginamos os habitantes daquele condomínio em um único corpo cheio de membros, dorsos, cabeças, um peixe monstruoso que utiliza uma série de marionetes para atrair e devorar presas. De longe, a brancura do edifício faz lembrar uma geladeira cheia de imãs. Entretanto, as paredes lisas não eram limpas; ao lado de cada janela, havia o nome do dono do apartamento e suas características físicas e preferências. A despeito da distância, tudo era bem legível. Era necessário confiar no que estava escrito. O rosto dos proprietários era inescrutável, tão absortos em sua exibição. Ao mesmo tempo, sabíamos que eram totalmente indiferentes a nossa presença vigilante ali. Nós também estávamos ali sem motivo e não nos importávamos com eles. Viemos para cá, porque todos vieram. Viemos para cá, porque não havia algo melhor para fazer. Éramos todos brutos e ignorantes e fazíamos as coisas sem pensar. Assim era na nossa idade. Assim será sempre. É a única forma verdadeira de se fazer as coisas.



O Edifício Branco não tem elevadores, encanamento, zelador, garagem, IPTU. Não tem CEP, síndico ou condomínio. Apenas as webcams, as janelas, as pessoas, nós e eles. Não temos o que dizer contra o Edifício Branco, por isto estamos aqui. Sabemos que o que nos restringe, também pode levar mais longe. Sabemos daquilo que nos vicia, mas também nos ampara. Sabemos que o Edifício Branco nos une, mas também nos afasta cada vez mais, inevitavelmente, uns dos outros.





(Eu não gosto deste texto. Mas vai assim mesmo. Foto: Robert Heinecken; Lábios: Julia Randall, série Lick Line)

Telegrama

Love for sale


Talking Heads - Love For Sale por EMI_Music

I was born in a house with the television always on
Guess I grew up too fast
And I forgot my name
We're in cities at night and we got time on our hands.
So leave the driving to us.
And it's the real thing.

And you're rolling
In the blender
With me.
And I can love you
Like a color
TV.

Now love is here
C'mon and try it
I got love for sale
Got love for sale
And now love is here
C'mon and try it
Got love for sale,
Got love for sale.

You can put your lipstick all over my designer jeans.
I'll be a video for you.
If you turn my dial.
You can cash my check if you go down to the bank
You get two for one
For a limited time.

Push my button...
The toast pops up
Love and money
Gettin' all
Mixed upu
And now love is here
C'mon and try it.
I got love for sale
Got love for sale

Love is here
C'mon and try it
I got love for sale
I got Love
Love
Love
Love
Love
Love
Love
Love

sábado, 4 de junho de 2011

Achados


Round & Round by New Order

new order | Myspace Music Videos



a)Timidez?

Um DVD pra homens hiper-travados: A ideia é que se fique olhando para as meninas nos olhos como um treinamento para quando rolar uma conversa de verdade com uma garota (Supondo, obviamente, que o cara chegará a este ponto). O produto é japonês e o SUPERPUNCH postou um vídeo com uma amostra de um minuto, pra quem quiser ver...

Desde o ano de 2006, uma garota posta vídeos similares a este... Ela se tornou uma "celebridade do You Tube", Magibon. A garota é norte-americana mas aprendeu algumas palavras em japonês que são ditas durante seus vídeos curtos, nos quais simplesmente fica encarando a câmera com olhos "pidões"(mas pedindo o quê, meu Deus do céu?). Estes videozinhos estranhos conseguiram atrair milhões de visualizações.


Pessoalmente prefiro o New Order.


b)Bonecas de Marina Bychkova. Conforme eu vi no English Russia.





c)25 Trepadas literárias, achadas pelo Joca Reiners Terron. Ele escolheu pra Playboy, agora você escolhe qual prefere pra mandar/fazer/sonhar com o namorado/namorada. Clique AQUI.

Pra não ficar diferente, deixo uma de Clive Barker. O trecho é de um dos contos do esgotadíssimo Livros de Sangue, "A Idade do Desejo", no qual um homem fode, entre outras coisas e pessoas, com uma parede.

"Refugiou-se num beco quieto para se fazer apresentável. As roupas que havia conseguido agarrar antes de fugir eram uma confusão só, mas serviram para evitar que ele atraísse uma atenção indesejável. Enquanto abotoava as calças - o corpo parecia tenso como ressentido por estar oculto - tentou controlar o holocausto que trovejava entre suas orelhas. Mas as chamas não cediam. Cada fibra sua parecia viva ao fluxo do mundo ao seu redor. As árvores ao longo da estrada, a parede às suas costas, as próprias pedras do calçamento sob seus pés descalços lhe atiçavam fagulhas e queimavam agora com fogo próprio. Ele sorriu ao ver a conflagração se espalhar. O mundo, em cada detalhe ansioso, sorriu de volta.

Excitado além do controle, virou-se para a parede contra a qual se apoiara. O sol havia caído por completo sobre ela, e estava quente: os tijolos cheiravam maravilhosamente. Depositou beijos em suas faces terrosas, as mãos explorando cada reentrância. Murmurando besteiras adocicadas, baixou o zíper, encontrou um nicho confortável e o preencheu. Sua mente corria com imagens líquidas: anatomias misturadas, femininas e masculinas em um único indistinguível congresso. Acima dele, mesmo as nuvens haviam pegado fogo; enfeitiçado por suas cabeças em chamas, ele sentiu o momento elevar-se em sua excitação. A respiração era rápida agora. Mas o êxtase? Certamente continuaria para sempre."

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Telegrama





“Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia e um morto que vive!”

Padre Antonio Vieira






(imagem via Bibliodissey)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Achados





a)Escritores Assassinos
"

Ano 2000. Entre as gélidas correntes do rio Oder, perto da cidade de Wroclaw, na Polônia, pescadores vêem um corpo boiando. Ao levá-lo para terra, as autoridades o identificam como Dariusz Janieszewski, dono de uma empresa de publicidade e membro de média importância na comunidade. Janieszewski havia desaparecido dias antes, e em seu corpo foram encontradas marcas de tortura. A causa de sua morte foi afogamento. O assassino, ao que parece, depois de torturá-lo até se cansar, limitou-se a amarrá-lo e jogá-lo no rio.

Tempo depois, o escritor Krystian Bala, filósofo com aspirações literárias, lança seu romance Amok. Nele, narra um assassinato muito parecido com o de Janieszewski. O livro, sem êxito de vendas, alcançou certa relevância no mundinho literário da Polônia e, graças a esta fama, um funcionário da cidade fez comentários na Internet sobre o crime e a obra de Bala.

De imediato, a polícia de Wroclaw prendeu o autor, a quem interrogou por 72 horas. Por fim, Bala foi liberado por falta de provas. A imprensa se revoltou contra a polícia e considerou o autor vítima da negligência das autoridades e do desespero por encontrar (ou fabricar) algum culpado pela morte do empresário. Bala aparentemente não conhecia a vítima e não havia motivo para que o escritor matasse o empresário. Mas a polícia não desistiu e, com uma investigação mais detalhada, descobriu que o filósofo havia conversado com Janieszewski no dia de seu desaparecimento. Depois, descobriu que o telefone celular da vítima, que não fora encontrado com o cadáver, havia sido vendido na Internet quatro dias depois do crime. O vendedor? Krystian Bala.

Faltava apenas uma peça para fechar o caso: não havia motivo para o crime. A polícia buscou pistas entre os conhecidos de ambos e descobriu que Bala era, na época do desaparecimento, amigo íntimo da ex-esposa do empresário. O autor foi novamente preso e, então, indiciado por homicídio. Apesar de alegar sempre inocência, foi condenado a 25 anos de prisão pelo assassinato do publicitário. Em sua defesa, alegou que havia se inspirado no crime para fazer seu livro, e que havia recolhido os detalhes da imprensa. Mas, segundo as autoridades locais, os trechos do livro são por demais exatos e mencionam dados que apenas a polícia conhecia. Graças à polêmica, Amok tornou-se um best-seller.
.
"

(Para ler o texto completo, com outras histórias de "escritores assassinos", clique AQUI. Outros links para Kristian Bala: AQUI AQUI ou AQUI. Via Revista Speculum)

b)História Bizarra

Dr Beachcombing´s Bizarre History Blog é um blog que coleta e publica curiosidades e bizarrices históricas. O humor e o estilo são bem ingleses. Recomendo uma passada pelo Dr Beachcombing introduces himself para melhor uso do blog.

Neste blog achei uma resenha de um livro sobre Elefantes de Guerra, o encontro de Superman e Hitler, e o "fuzilamento" de Cristo durante a Guerra Civil Espanhola.

c)Via O Esquema/Trabalho Sujo: A Experiência Religiosa de Philip K. Dick

Texto colado:

"Esse é a história de Robert Crumb publicada em 1986 na revista Weirdo #1 sobre a experiência mística de Philip K. Dick (1928-1982) retratada no romance "Valis", publicado em Portugal pela Livros do Brasil na coleção Argonauta como "O Mistério de Valis" (sem data) em dois volumes (300 e 301).

A história é uma interpretação gráfica de uma série de eventos que Dick vivenciou no mês de março de 1974. Ele passou o resto de sua vida tentando descobrir o que teria acontecido durante aquele período."

Veja AQUI.


(Imagem: "Nahua Blood Sacrifice and Pilgrimage to the Sacred Mountain Postectli, June, 2001")

domingo, 15 de maio de 2011

tromba d´água






O final do avô era esperado, não daquele jeito. Os parentes faziam e refaziam as contas, prostrados como abutres sobre os números do inventário. Como único vagamente interessado e também para afastá-lo do realmente importante, deram-lhe a chave da biblioteca. Quase tudo imprestável, culpa do tsunami. Os livros apodrecidos se misturaram numa maçaroca de onde não se separava as histórias. A Bíblia com o Alcorão; Guerra e Paz com Matadouro 5; Admirável Mundo Novo com as Crônicas Marcianas; Manual da Receita Federal com A Erva do Diabo. Em alguns casos, os próprios autores se confundiam. Arriscou Dom Casmurro, por Kafka. Joseph casado com Capitu, atormentado pelo provável adultério com Gregor Samsa. Durante a descrição do bebê engatinhando pelas paredes do castelo com seus seis bracinhos, decidiu vender tudo ao carroceiro.








(Imagem: John Grant - via La Zebre Bleu)

Telegramas

BOUT (2011 - HD) from Malcolm Sutherland on Vimeo.






BOUT - definition
1. A short period of intense activity
2. An attack of illness or strong emotion
3. A wrestling or boxing match




Por Malcolm Sutherland. Que também fez outro curta muito bom : Umbra.


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sexta-feira, 6 de maio de 2011

motivo




(Conheça a nova revista eletrônica literária Outros Ares, editada por Marcelo Barbão e Rafael Rodrigues. Foto de Mario Amaya. Nesta primeira edição, entrevista com o escritor Menalton Braff e contos do próprio Menalton e também de Fábio Farias, Amauri Terto e Sílvio Teixeira)

E o rapaz de boné percorre as ruas do bairro. Observa a repetição de muros, grades, lanças, portões, um do lado do outro e do lado do outro, numa repetição que remete a corredor de presídio, mas é uma rua da periferia. Moradores sacrificam a fachada das casas em nome da segurança ou por uma garagem estreita onde estacionar o carro. O rapaz passa por árvores esquálidas e frágeis, elas equilibram-se nas calçadas estreitas, dividindo território com postes de onde se esparramam cabos de energia, são como varais para chuteiras e rabiolas das pipas. O rapaz cerra os olhos, é manhã, dia de semana, crianças na escola ou na creche ou na avó, residências vazias, ao longe o rumor das avenidas e dos ônibus, um silêncio que não é o da cidade, um silêncio de cabeça submersa.

E o rapaz de boné arrasta sua carroça de sucata, caminha em um terno surrado com A SENTINELA sob o braço, numa bicicleta faz entregas pela mercearia, carrega um buquê de vassouras de cabo vermelho, corre atrás da linha da pipa levada pelo vento. Ele assobia o apito dos amoladores de faca, bate palmas com as mãos enfiadas entre as grades do portão feito um prisioneiro, toca campainha, chama “ô de casa”. Se o portão está aberto, se o muro permite, ele fere o pé no caco de garrafa cimentado sob a desculpa de resgatar a linha ou pegar a bola.

Se ele entra ou se ele espera, tanto faz, daí aparece a dona da casa.

Vem atender, enxugando as palmas e costas das mãos no avental ou no pano de prato, deixa as cuecas do marido e o uniforme das crianças no varal, arrastando chinelo, ou então xinga, apaga o cigarro (pintava as unhas dos pés), escolhia arroz, separava as pedras do feijão, larga o MSN, sai do perfil do Orkut. O rapaz de boné se desculpa, não queria incomodar, não queria assustar, oferece o produto, uma vassoura ou uma rede ou a Palavra, mostra a Pipa, pergunta se não tem papelão, sucata, roupa velha. A dona da casa recusa com raiva, indiferença, educação, não pedi entrega nenhuma não moço. Mas o rapaz de boné insiste. Conversa, convence, comove, sem medo de tiro, de rottweiller, de pit bull; pede um copo de água, mesmo que ofereçam café, ele prefere água. A dona de casa suspira e se apieda: deixa o rapaz de boné entrar. Vão os dois para a cozinha, bebe ali mesmo na porta, água de torneira ou de filtro. São Benedito, Santa Ceia, Lembrança de Aparecida, ímãs na geladeira. Enquanto bebe, o rapaz tira o boné, em um gesto entre tímido e educado. A dona de casa se espanta ou se contém, mas não consegue parar de fitar o crânio do rapaz, naquele buraco negro sobre sua cabeça sem cabelo. Não repare não, dona, esta é a minha moleira de criança que não fechou, ficou aí este buraco, mas não dói nem nada. Quando criança, até doutor das Clínicas tirou foto para estudar, as pessoas se assustam mesmo, mas eu já tomei gosto pela coisa. Se achegue para ver de perto.

E a mulher, intrigada e horrorizada, sem saber o que fazer, com muxoxo de rejeição nos lábios, aproxima-se daquele buraco, e o rapaz para fazer graça sopra-lhe, como quem apaga uma vela. A mulher sorri, o cabelo desprende, e ela se lembra da última vez que correu, que era criança, que havia um quintal. O rapaz sopra de novo, e vem um cheiro de chuva, brisa úmida de cachoeira, de pedra fria coberta de limo. A mulher fica rente a ele, e ele lhe sopra mais uma vez, e surgem lembranças de um rio amarelo de águas mel, os raios do sol teciam uma rede de luz sob a areia submersa, os peixes dançavam naquele âmbar, naquele Reino de Águas Claras. As escamas prateadas são como armaduras para os cavaleiros andantes, seus corpos dirigíveis de chumbo, as cabeças bálanos de aço. A mulher relembra que um rio onde se respira é um rio onde se voa. Ela reabre os olhos, e encara o rapaz, o marido na firma, as crianças na escola, o cachorro na corrente, o feijão no fogo, Jesus na Igreja e a roupa para pendurar e o rapaz expira por aquele buraco, a soprar e a soprar, feito um lobo derrubando barracos e carregando lençóis, feito um avião que se despedaça como um ovo e arremessa seus passageiros em um último desnudar, e os dedos dela estão nos buracos dele e os dele nos buracos dela, ele nadando ela nadando ele.

E são onze e meia e está na hora de acabar a manhã. O menino se veste e recoloca o boné. Elas não querem que ele vá. A que pintava as unhas dos pés, Me leve àquele rio. Ele lamenta, já não há um rio assim. Canalizaram, envenenaram. Drenado para lavar carros ou cultivar soja. Foi domado entre as avenidas. A mãe que escolhia arroz chora e implora para não deixá-la assim, agora este ar não me serve mais para respirar. O rio está morto. Me deixa naquela água. O rapaz não gostaria, mas atende a vontade delas; ele não poderia refrear o desejo.

Quando as encontram, elas estão afogadas, nuas e caídas sobre o piso frio da cozinha. É por isto que já não nascem mais filhos dos botos.



segunda-feira, 2 de maio de 2011

Achados






a)Anjos, demônios, esfinges, centauros e correntes: Roberto Ferri

"O trabalho do jovem artista italiano Roberto Ferri, nascido em 1978, é inspirado em mestres da pintura clássica como Caravaggio e David, comprovando que o estilo barroco ainda tem lugar em nosso atormentado mundo contemporâneo, especialmente quando Ferri adiciona um toque de surrealismo e sensualidade em suas telas que exibem anjos e demônios, masculinos e femininos, em ousadas montagens cheias de contraste entre a pureza e a luxúria."


(Via O Mundo de K.)


b)Boris Vallejo

Eu não tenho "estofo" crítico para discutir aqui (e nem é meu objetivo), mas Boris Vallejo certamente tinha as mesmas referências que o Ferri aqui em cima. Porém, sua proposta era mais "popular": uma composição bastante básica, apropriada ao trabalho de ilustração, capas de livros de fantasia, etc. Veja uma Galeria aqui com seus trabalhos.


c)Walton Ford


"
Walton Ford was born in 1960 in Larchmont, New York. Ford graduated from the Rhode Island School of Design with the intention of becoming a filmmaker, but later adapted his talents as a storyteller to his unique style of large-scale watercolor. Blending depictions of natural history with political commentary, Ford’s meticulous paintings satirize the history of colonialism and the continuing impact of slavery and other forms of political oppression on today’s social and environmental landscape. Each painting is as much a tutorial in flora and fauna as it is as a scathing indictment of the wrongs committed by nineteenth-century industrialists or, locating the work in the present, contemporary American consumer society. An enthusiast of the watercolors of John James Audubon, Ford celebrates the myth surrounding the renowned naturalist-painter while simultaneously repositioning him as an infamous anti-hero who, in reality, killed more animals than he ever painted. Each of Ford’s animal portraits doubles as a complex, symbolic system, which the artist layers with clues, jokes, and erudite lessons in colonial literature and folktales.
"







Outro link com trabalhos de Ford.

d) FARRAZINE nº21

Várias e várias entrevistas com personalidades dos quadrinhos no Farrazine 21


A novidade é que acaba de sair a edição 21 do Farrazine repleta de personalidades do universo das HQ's!

-AUSTRÁLIA: Ben Templesmith, de 30 dias de noite e WormWood.
-CHILE: Alberto Montt do Chile, autor das Dosis Diarias.
-MINAS GERAIS: Luciana Caffagi, autora da tirinha Los Pantozelos.
-SÃO PAULO: conversa com os cartunistas: Márcio "Rock'n'Roll" Baraldi e Gustavo "Taxi" Duarte

Cliquem AQUI e leiam!!!

e)Encontro Prática de Escrita 2011

O Encontro Prática de Escrita acontece desde 2001, mas há quatro anos ganhou periodicidade e vem se tornando agenda obrigatória de quem gosta de literatura. O objetivo é reunir pessoas que apreciam literatura e tudo sobre a prática de escrita. A programação gira em torno de oficinas de criação literária e bate-papos sobre o universo literário. Pelo evento já passaram nomes como Milton Hatoum, Marcelino Freire, Raphael Draccon, Kizzy Ysatis, Roberto de Souza Causo e Sérgio Pereira Couto.

Convidados desta ano: Cadão Volpato (programa Metrópolis na TV Cultura), Mona Dorf (Letras & Leitura da Rádio Eldorado) e Oscar D’ambrósio (Perfil Literário, da Rádio Unesp). Eles conversarão sobre prática literária e compartilharão suas experiências em centenas de entrevistas com escritores.

O encontro acontece no dia 7 de maio, sábado, das 10h às 16h30, na Universidade Cruzeiro do Sul, campus Liberdade e é organizado pela Terracota editora como parte da programação do curso de lato sensu em Criação Literária. O limite de vagas é 120 para as mesas e 15 por oficina.


CLIQUEM AQUI para maiores detalhes.

Telegrama

O corpo


Sébastien Tellier - Look por RECORDMAKERS





O corpo existe e pode ser pego. É suficientemente opaco para que se possa vê-lo. Se ficar olhando anos você pode ver crescer o cabelo. O corpo existe porque foi feito. Por isso tem um buraco no meio. O corpo existe, dado que exala cheiro. E em cada extremidade existe um dedo. O corpo se cortado espirra um líquido vermelho. O corpo tem alguém como recheio.



ARNALDO ANTUNES - O Corpo



(Vídeo: Via.)

sábado, 30 de abril de 2011

Achados




-Antes de mais nada, preciso dizer que não sou fã de corridas. Mas por acaso "achei" esta foto, e depois de googlear, descobri ser do pior acidente em corrida automobilística da história. Aconteceu em 1955, nas 24 horas de Le Mans. Morreram 84 pessoas. Muita gente para um único acidente. A curiosidade me fez ceder aos meus instintos mórbidos.

Existem muitos vídeos no YouTube a respeito, a maioria repetindo as mesmas cenas...

O Mercedes nº20, dirigido por Pierre Levegh que morreu no acidente, voou sobre o público que assistia a corrida. O Jaguar nº06 do inglês Mike Hawthorn teria provocado indiretamente o acidente ao frear bruscamente para entrar nos boxes, fechando o carro nº26 de outro piloto inglês, Macklin que, por tabela, acabou empurrando Levegh sobre o banco de areia na beira da pista. O veículo explodiu e seus pedaços foram arremessados contra a multidão. A corrida não foi interrompida e muitas horas depois, Mike Hawthorn foi o vencedor. A Mercedes ficou fora das corridas por décadas depois do incidente.

Existe muita polêmica a respeito. Alguns noticiários parecem um tanto "frios" a respeito. Fazia dez anos que a Segunda Guerra havia acabado. Talvez as pessoas tivessem ainda frescas na memória imagens muito piores que aquelas.

O melhor site em português que encontrei sobre o assunto é este AQUI. O melhor vídeo com animação que explica o acidente está AQUI (o vídeo está em Finlandês, mas tem as melhores imagens e o melhor gráfico: quanto mais simples, melhor). AQUI, há uma reportagem que saiu na Life Magazine da época.