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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

rodolfina & asdrúbal da laurânia





Para salvar seu reino da invasão iminente do Império Sueco, o Principe Rodolfo da Laurânia amanheceu em uma manhã de primavera como Rainha Rodolfina; ela aceitou se casar com o Duque de Arendal e estabelecer uma aliança benéfica a ambos os estados. Teve três filhos, dos quais a caçula, Princesa Teresa Rodolfina de Arendal, converteu-se em Asdrúbal, libertador e mártir da independência da Laurância.






@brontopsbaruq

sexta-feira, 17 de junho de 2016

vovô no mar de bering





Para dormir dentro do carro 
Foi um verão de tempestades terríveis e uma enchente levou a ponte bem diante de nosso fusca. Sem opção de ir ou voltar, Vovô estacionou no acostamento e avisou que dormiríamos no carro. Para nos acalmar, contou uma história. Disse que em sua antiga casa, havia um rolo infinito de papel higiênico, presente de uma cigana apaixonada. Perfeito para rinites crônicas ou diarreias de três dias. Certa vez, entretanto, passou no banheiro antes de viajar e um pedaço do papel grudou em seu sapato. Dali, saiu de carro para a estação e da estação para o aeroporto e do aeroporto para China, sem perceber que o papel continuava grudado em seu sapato, formando uma cauda de papel que vinha do céu para o chão e do chão para o aeroporto e do aeroporto para os trilhos do trem e do trem para o estacionamento e de lá para a estrada até terminar em sua casa, uma linha branca inacabável. Minha irmã cortou a história, lembrando que caso o papel absorvente fosse realmente infinito, e se esse papel tocar o rio e o oceano, logo sugaria toda a água para dentro de si e não haveria mais chuva ou enchente no mundo. Olhamos adiante e finalmente pudemos cruzar a ponte sobre o leito seco do rio.

Madrugada
Acordamos com barulhos de tampas e panelas vindos da cozinha. Era o Vovô, dizia ter ouvido um celular vibrando, não sabia de onde e por isso não conseguia dormir. Ajudamos a procurar, apesar dos protestos da Vovó, era hora de criança estar na cama. Olhamos embaixo da cama, atrás do sofá, sob a geladeira, por cima do armário, entre o telhado e o forro, mergulhamos na caixa d´água, fuçamos o porta-luvas do fusca, pusemos fogo no quintal, derrubamos o muro dos vizinhos, subimos no ninho do bem-te-vi, ligaram as caixas de som, começou um batuque, veio um carro tocar funk, gente de outro bairro, subiram no palanque, começou uma revolução, para outros era festa, apareceu a tropa de choque, os holofotes dos helicópteros, soltaram bombas de efeito moral, tacaram água sob pressão na gente, mas então Vovô encontrou o celular dentro da gaiola da calopsita, todo sujo de girassol e bosta. Voltamos todos para as camas, dormir em um momento de calma perfeita. Menos o Vovô, ele voltou para a cozinha, ficou conversando com um homem chamado Napoleão.

Atacama 
Apesar da alta da maré, continuávamos fazer o castelo de areia. Começamos a chorar de frustração, mas Vovô nos incentivou, lembrando que aquela praia fora rota de migração dos peixes-voadores, que ali eles saíam das ondas aos milhares, cobrindo o céu como gafanhotos, deixando no ar uma garoa salgada. Os cardumes cruzavam a serra e o planalto para além da cordilheira, tudo para desovar no Pacífico. Minha irmã quis saber o que havia de especial na água de lá que não havia na água de cá, Vovô confessou não saber. Olhamos para as ondas, tentando conceber a revoada, mas só vimos uma gaivota levando uma sardinha no bico. Nosso castelo tombou na guerra contra as marés, mas naquele dia, sem que soubéssemos, choveu no Atacama pela primeira vez em dois séculos.

Araguaia
Quando passeávamos com Vovô, muitas vezes ele repentinamente gritava – Ai! – e parava como se sofresse de alguma dor. Ele então culpava uma lembrança dolorosa: ele teria matado um homem no Araguaia. Depois, cresci, e li Cem Anos de Solidão. Descobri uma história muito parecida, roubada da infância de Gabriel Garcia Márquez. Minha irmã me fez confrontar Vovô com a página do livro. O velho nos encarou, inspirou fundo, foi para o quarto e voltou com chapéu e uma arma – que eu nem sabia que tinha – e avisou em voz alta para Vovó, que estava na cozinha: “Velha, as crianças preferem a coisa real ao invés de verdades; portanto, estou indo matar um homem na Padaria Araguaia”. Vovó pediu para aproveitar e trazer presunto e mussarela na volta.

Método perfeito
Minha irmã estava se pegando com o namorado atrás do muro e eu e meus amigos ao redor da mesa, fingindo que sabíamos jogar pôquer e beber cerveja. Contávamos vantagens uns para os outros, todos tentando vender o melhor método de escolher mulher. Uns defendiam a bunda, outros as coxas, aqueles os seios, e havia quem traçasse o que aparecer. Vovô ouviu a conversa e decidiu nos contar qual era o seu tipo predileto de mulher: a Vênus de Milo, com pernas para abrir e sem braços para impedir. Gargalhamos, até quem não sabia quem era Vênus de Milo, e só calamos quando a Vovó apareceu para empurrar a cadeira de rodas do velho paralítico: era hora de tomar sopa e parar de falar merda.

Esconderijo
Depois do enterro do Vovô, fomos nos reunir em sua casa, tomar cerveja, dividir lembranças. Esperávamos encontrar a casa abandonada mas acabamos encontrando-a habitada e bem conservada. Um homem chamado Napoleão nos recebeu. Era todo tatuado, inclusive sobre o crânio sem pelos, fumava um cachimbo feito de marfim de morsa. Ele afirmou que era nosso verdadeiro avô. Aquele velho fora contratado por ele e nossos pais para substituí-lo enquanto estivesse pescando caranguejos gigantes no fundo do Mar de Bering. Agora ele era milionário e tinha tempo para ser nosso Avô. Minha irmã pediu um instante e cochichou “Podemos confirmar isso com nossos pais”, eu disse não, era evidente que aquele homem – mesmo sob a tatuagem – era membro de nossa família. Nós nos abraçamos, aproveitei para cortar sua garganta com uma faca de osso de baleia. Depois cavamos um buraco no quintal, enterramos o corpo e voltamos para cozinha, tomar cerveja, fumar um cachimbo, dividir lembranças.

sábado, 8 de dezembro de 2012

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Alexandre





Anteontem meu vizinho morreu.

Era um senhor bastante idoso, patriarca de uma família de muitas mulheres, que se distribui em vários apartamentos de meu condomínio. São imigrantes, vieram do ******. São Paulo é uma cidade com gente de todo lugar, do Líbano ao Japão, da Nigéria a Bolívia, mas ****** não é um país típico. Temos curiosidade sobre como vieram para aqui. Por conta das guerras e de tudo mais, imaginamos alguma história triste de fuga. Mas também pode não ser. Como é típico entre vizinhos, não somos íntimos. Não temos coragem de perguntar sua história.

Era um senhor de nome jovem, helênico. Nos dias frios usava uma boina. Tinha olhos azuis, o que imagino ser incomum no oriente. É uma família de muitas mulheres, divididas entre solteiras, viuvas e solteironas. Com elas há um pouco mais de diálogo. O básico de elevador. Bom dia, boa tarde, boa noite, meteorologia amadora, o crescimento dos filhos, o síndico, a roubalheira do governo ou de quem quer que seja.

Com aquele senhor, entretanto, evitávamos uma conversa mais longa. Falava com dificuldade, e não somente pelo sotaque. Por culpa do trânsito e de nossa preguiça, estamos sempre atrasados e com pressa. E que diálogo poderia haver entre nós, sem nada em comum?

Os encontros com este senhor viúvo ocorriam quase sempre pela manhã, horário para uma caminhada lenta ao redor do condomínio ou do quarteirão, dependendo do clima. Depois do passeio, ele sentava ao lado do porteiro do prédio e observava o movimento de pedestres e de carros e de vizinhos indo para escola ou trabalhar.

Numa destas manhãs, nevoeiro prometendo sol depois, eu saía com as crianças. Meus filhos não são dados, escondem-se entre as pernas na presença de estranhos no elevador. “São tímidos”, explicamos, enquanto os incentivamos a cumprimentar. Passamos pelo senhor viúvo, ele de boina e o cumprimentei. Enquanto esperávamos a grade da prisão se abrir (a portaria do nosso edifício também têm dois portões que se abrem separadamente), aquele velho senhor sentado gesticulou com as mãos um rápido “vem cá-vem cá” para meus filhos. Sem dizer nada, as crianças foram até lá para serem abraçadas. Meus dois filhos nascidos após a queda das Torres e a dispersão do wireless responderam ao abraço daquele senhor viúvo das montanhas, que caminhou entre ovelhas e rios gelados, em vilarejos destruídos por bombas e terremotos. Século XX e século XXI. Depois se afastaram.

Enquanto o portão se fechava, houve tempo para um último tchauzinho. Não sei se eles se viram depois disso. Possivelmente minha mulher e as crianças tenham se cruzado mais uma vez. Naquele dia de neblina, caminhamos de mãos dadas rumo a escola, onde se espera que sejam preparados para a vida. Enquanto isto, deixamos vidas passarem.





(Publicado originalmente no blog da Terracota. Imagem: pedaço de um mosaico encontrado em uma casa (A Casa do Fauno) nas ruínas de Pompéia, representando Alexandre o Grande enfrentando Dario III. O mosaico representa a batalha de Isso e é parte do acervo do Museu Arqueológico de Nápoles)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

de segunda





O Homem de Carne desperta: outro pesadelo com ganchos, aventais, cutelos, frigideiras. Sua mulher aconselha a procurar um especialista. Ele se recusa, seus nervos estão em ordem. O Homem de Carne prefere ambientes fechados e refrigerados. Sua esposa adoece, sempre espirrando por viver em ares gelados. O Homem de Carne senta falta lá de fora; percorre melancólico o álbum de família repleto de fotografias de pastos, ruminantes e um ou outro coelho. Os dedos deixam marcas sangrentas nas páginas.

Um dia, a esposa precisa viajar. Uma semana longe, em outra cidade. O Homem de Carne teme ficar sozinho, mas não admite. Não confessará seus medos: antes de tudo é um Homem. Como se fosse combinado, há um corte de energia: os aparelhos de refrigeração são desativados. As horas passam e ele se sente putrefazer. As moscas varejeiras infiltram-se pelas frestas e o Homem de Carne divide a poltrona com um enxame. Bate um desespero e o Homem de Carne tenta fugir, mas acaba devorado por vira-latas.

A esposa do Homem de Carne ficou triste, mas não muito. Logo ela arrumaria casamento com um Salame.











(.)

imagem via Le Zébre bleu: fotografia de Sarah Sudhoff - Murder, Male, 40 years old (II).

“death’s invisibility enhances its terror”

sexta-feira, 23 de julho de 2010

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Geysa e o guêiser



Geysa não tinha pernas. Perdeu-as num acidente de trem. Eu não sei os detalhes. Ficava na cadeira de rodas vendendo flores e soldados a pilha que se arrastavam e atiravam. Era na Estação, a meio caminho entre a Biblioteca e o Estádio. À noite, seu tio desempregado a buscava numa Brasília. Dentro, ficavam tupperwares vazios, cheio das migalhas de doces e salgados vendidos. Ele a erguia no ar, os olhos curiosos secavam os cotos das coxas morenas sob os holofotes dos faróis de carros, viaturas e coletivos no trânsito congestionado de início da noite.

Um dia, o tio avisou: melhor não irmos amanhã. Imagina, amanhã não vai ter nada, fica sossegado. Ela emprestou um vestido vermelho da vizinha. Usou uma calcinha branca. Melhor perfume falsificado. O tio não quis levá-la quando a viu daquele jeito. E ela, "imagina, eles são todos gente de bem". A Brasília parou, o tio armou a cadeira de rodas e a banquinha. Ligou alguns dos soldados. Retirou as flores murchas. Colocou uma mais ou menos no painel do carro. Despediu-se.

Lá pelo meio da tarde, começaram as sirenes. Depois os cavalos e a tropa de choque. As pessoas começaram a correr no sentido do Estádio. Um cavalo acompanhava estes fugitivos, o pé preso no estribo e um policial arrastado no asfalto.

Ela desviou o olhar. De longe, depois dos automóveis virados e do incêndio na Estação, ela viu a multidão saindo da Biblioteca; eram estudantes, todos eles nus, as caras pintadas de bandeira e os pintos duros como mastros.

Tirou o espelhinho e começou a passar o batom.






(.)

segunda-feira, 22 de março de 2010

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As gêmeas Olsen (? – 1907)




Dentre as diversas atrações dos espetáculos circenses do século XIX que vagavam pelo interior dos Estados Unidos, uma das mais inesperadas era a presença das irmãs Taureias, Maria Ida e Mariana Adamanteia (é). Segundo os cartazes, Taureias (ê) seriam filhas de Centauros e Sereias; porém não dispunham de partes bestiais [1]. O nome verdadeiro delas evidenciava a origem latino-americana ou mediterrânea. Entretanto, adotaram o sobrenome artístico e escandinavo de “Irmãs Maria Ida e Mariana Olsen”. Para ilustrar sua imagem nos cartazes, usavam uma figura de Rainha de Copas, as tranças cor de feno unidas em um complicado nó central de inspiração mística. Sem dinheiro para as entradas, você talvez espiasse através de um buraco na lona. E então veria as duas. Embora apresentassem quatro membros, todos eram braços: elas não tinham pernas; quatro seios, mas faltavam as bundas; duas cabeças, ausência de culote e quadril e nenhuma vagina. Onde o ventre de uma terminava iniciava o da outra. Elas remetiam àquela serpente de duas cabeças, feita apenas de começos. O espetáculo delas tinha conotações eróticas: quando uma levantava a saia, lá estava a outra, de cabeça para baixo sob a primeira. E então, esta se virava e assim por diante, dando várias cambalhotas de tal forma que o público já não sabia mais onde era em cima ou em baixo. Vai ver, nem elas sabiam. Cantavam em um idioma crioulo misturando sueco, russo, norueguês, espanhol e nahuatl. Ao fim da música, elas tiravam as saias, deixando apenas os corpetes, sobre uma silhueta de poucas curvas. Os velhos vaqueiros ficavam loucos ao ver as duas se sucedendo e sacavam seus revólveres e disparavam para o alto. O apresentador interrompia o tiroteio: mãos abertas e cartucheiras na cintura. Só depois de cessados os tiros, cheiro de pólvora pelo ar, chamava ao palco “El Comanche Borracho”. Surgia então um homem barrigudo em trajes indígenas. As vaias iniciais eram substituídas por risos quando os espectadores percebiam que o homem estava bêbado[2]. Prendiam as duas a uma roda e esta era colocada em movimento. O apresentador pedia silêncio: o número era perigoso e exigia uma grande concentração. Para o índio, o palco era um navio e o mundo, a tempestade. Mas antecipariam o final do espetáculo para você, um empregado do circo o surpreenderia; sem piedade, o jogaria longe depois de uns catiripapos. Apesar dos tapas e tudo mais, ainda assim você se lembraria da beleza estranha delas, daqueles grandes olhos tristes. Eram obrigadas a devorar coco de criança, para que pela outra boca saíssem pétalas. Brigavam muito, por banalidades: era difícil conciliar a vontade de ambas em ficar na posição normal. Em geral, ficavam estiradas em uma rede, lendo revistas francesas. Permaneceriam no Circo Mantecón por muitos anos até a morte do marido em um acidente incomum envolvendo cangurus e borboletas [3]. Segundo os registros históricos, existiram apenas exemplares femininos de taureias. Acredita-se que os masculinos – devido à sua natureza - estrangulam-se dentro do ventre da mãe. Não possuíam umbigo [4] As Olsen foram as últimas irmãs Taureias registradas: faleceram em doze de dezembro de 1907 na cidade do San Juan, México, em idade avançada. Não deixaram filhos.


* * *


(1):
Não confundir com a Taureia (é): criatura similar ao Touro, mas com cauda de baleia, responsável pelo afundamento de inúmeros navios na costa malgaxe. Alguns especialistas consideram a criatura do Oceano Índico uma subespécie do Mermahuatauro, avistada raramente em mares ou céus nórdicos. Ver NADIR, Abu Abdallah Muhamad “Relatos de Naufrágios na Costa Oriental da África: de 1000 a 1500”. Tradução Kawan Zarif; Recife, Editora Nautilus, 1969


(2):
O célebre humanista francês Claude Beau Zeau Klaun (1881-1938) classificaria este riso como um riso de identificação, no qual a audiência reconhece a semelhança do falar e do gestual do palco com aqueles da vida real, sendo em geral paródico e de fundo preconceituoso. Sim, pois como bem se sabe ainda hoje os índios norte-americanos vivem em um processo de degradação social e à margem da sociedade, sendo o alcoolismo e o suicídio resultado comum desta situação. Ver KLAUN, Claude B.Z. “Qual é a graça? Explicando a piada: Por uma explicação e taxonomia do humor”; Tradução Jean Michel Jarret; Rio de Janeiro, Editora Antárctica, 1953


(3):
Para detalhes, ver: INNUIT, Jean Michel & LEDGER, Jonathan Custer “Homeopatia Arqueológica Ártica: memórias do gelo do mundo pré-histórico”, Tradução Aluísio Alonso; Porto Alegre; Editora Globo, 1987.



(4):
A ausência de umbigos ou de registro de outros casos neste século levou à suposição que as Taureias pudessem ser um resultado de uma intervenção cirúrgica radical. Fatos recentes parecem corroborar este ponto de vista. No início da década de 50, um cientista soviético chamado Vladimir Petrovich Demikhov conseguiu transplantar a cabeça, ombros e parte dianteira de um cachorro pequeno em um mastim adulto. Os animais sobreviveram por alguns dias. Durante os quinze anos seguintes, o cientista refez várias vezes o transplante, todavia em nenhum caso os cães sobreviveram por mais de um mês. No início da década de 70, um outro cientista, desta vez o médico norte-americano Robert J. White (posteriormente se tornaria consultor de Bio-ética do Vaticano) promoveu transplantes de cabeças entre macacos Rhesus. Veja o documentário “Dr. White’s Total Body Transplant”, disponível no You Tube ou (mais rápido) leia o conteúdo deste LINK (Via Sedentário & Hiperativo). A repercussão do caso chegou a inspirar filmes de qualidade discutível.
Diante destes fatos escabrosos e amplamente divulgados, chegou-se à uma nova teoria conspiratória, esta tradição tão norte-americana. Suspeita-se que as Taureias pudessem ser fruto de um experimento cirúrgico com a macabra intenção de criar monstros circences. Veja Ortiz, James Wido,”Aberrações Circenses no Oeste Americano após a Guerra da Secessão”, Tradução José Canjica Maupassant; Rio de Janeiro, Rio Gráfica Editora, 1979. Infelizmente, nove metros de lava cobriram o sepulcro delas depois da erupção do vulcão Paricutin em 1952, tornando impossível a verificação atual de tais hipóteses.

















***

Links à maneira de Taxi Pluvioso)

sábado, 10 de outubro de 2009

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Mister Mário Miranda Wong Quintana


Não era difícil ver aquele senhor nesta mesma praça alimentando aos pombos. Ele acompanhou a colocação de grades, portões e interfones sob as marquises onde anteriormente se amontoavam os sem-teto. Percebeu a troca dos bancos da praça por novos, ergonomicamente voltados a colocação de bundas e totalmente desaconselháveis a quem tentasse tirar uma soneca ali. O senhor Mário escreveu um poema criticando e denunciando o desprezo da sociedade por aquelas pessoas e o enviou aos jornais. Amarrou a mensagem na perna de seu pássaro favorito e o soltou pela janela. Apesar da assinatura graciosa de Miranda Passarinho, o responsável pelo envio da mensagem era Wong, uma de suas cinco personalidades identificadas e diagnosticadas posteriormente pelo renomado psiquiatra e militar da reserva Capitão Rodrigo Terra. Internaram aquele senhor no Instituto Psiquiátrico Forense para observação, e pararam de aparecer pombos mortos. Como nada é perfeito, também ressurgiram os mendigos na praça. Dormiam sentados, confortáveis em seu desconforto. Talvez nunca mais ouvíssemos falar dele, não fosse outra de suas personalidades, o paranóico fumante piromaníaco Quintana Boleadeira. Ao fugir de sua cela, deixou fogo ateado nos colchões provocando o incêndio do edifício. Após uma noite de mortes, feridos e da maior fuga em massa de psicopatas e maníacos homicidas da história de Porto Alegre, a brigada militar e os bombeiros conseguiram controlar as chamas. Em meio aos populares que testemunhavam as operações de rescaldo, um ou dois internos hesitavam em voar para mais longe. Uma enorme coluna preta subia ao céu claro de inverno. Talvez pelo frio, um lamentou a demolição de sua antiga moradia. O outro acompanhava a fumaça que lembrava uma lava leve no ar e murmurou encantado por aquela manhã “As únicas coisas eternas são as nuvens.”

















(...)

terça-feira, 21 de abril de 2009

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Frank Kafka

"If you can dream it, you can do it. Always remember that this whole thing was started with a dream and a simple roach."





Embora alegasse que seu sobrenome era de origem indígena e mirabolasse histórias a respeito de seus antepassados, na realidade, Frank Kafka era judeu e nascido em Praga. O pai, sr. Hermann Kafka, faleceu em sua casa, quando Kafka tinha 03 anos. Pela descrição dos sintomas, suspeita-se de leptospirose. Sempre lamentou muito a ausência do pai. "Ele poderia ter me ensinado muito" Há quem afirme que seu jeito efeminado veio de ser o único homem criado em meio a uma família de mulheres. A mãe e as irmãs tentaram tocar o negócio da família, um armarinho localizado fora do gueto, mas o negócio acabou fechando.

Os Kafka decidiram tentar a sorte na Amérika. Foi um começo difícil nos bairros pobres de imigrantes em Nova York. Participou das guerras dos meninos jornaleiros, onde perdeu um olho durante uma briga com estiletes. Durante a recuperação, ficou aos cuidados da mãe. Nesta época, ocorreu um fato que jamais esqueceu e, segundo afirmou mais tarde, foi fundamental para que seguisse seu sonho. Acompanhou a mãe em uma visita a uma senhora doente, uma velha que se tornara um peso insustentável para sua família. Ao adentrarem ao quarto onde dormia a mulher, Kafka viu as baratas correndo para baixo da cama. Depois de saírem dali, havia aprendido sua lição: “Nunca seja um estorvo para sua família”.




Algum tempo depois, assistiu a seu primeiro desenho animado: "Klaus, the Brontossaur", de Winston McKay. Usou seu talento como desenhista para enveredar no indústria em expansão dos desenhos animados. Criou Rock Roach ou Rock, a Barata em 1921. Em 1923, estreou o primeiro desenho da dupla Rock Roach e o seu simplório parceiro, Duck Oklahoma, que foi um imenso sucesso. Começou uma carreira de fama e muita grana. O patrocínio dos produtores de maçãs levou a que Rock Roach se tornasse um fanático por maçãs. Apoiou o governo americano no esforço de guerra, fazendo Rock conhecer a América Latina em "¿Que pasa, compadre?". Construiu o hoje mundialmente famoso, Kafkaland, o maior parque de diversões do mundo, com atrações como o Castelo da Alegria, a Toca Labiríntica ou a Granja Penal de Duck Oklahoma. Alguns dizem que ele, juntamente com Willian Hearst, teria servido de inspiração a Orson Welles para a criação do protagonista do filme "Citizen K". Chaplin o odiava.

Após a Segunda Guerra foi processado por um antigo funcionário que o acusou de ter roubado suas criações. Kafka se defendeu: "Ele queria usar um rato como personagem. Eu disse, se é pra fazer uma criatura nojenta, nada melhor que uma barata. Além disso, ratos são orelhudos e eu já tenho problemas demais com minhas orelhas". O funcionário acabou desistindo do litígio, uns dizem por um acordo milionário, outros por pressão da CIA.

A história repercutiu mal mundo afora. Em 1966, já um senhor idoso, foi morto com tiro no peito por um membros de uma seita satânica gay beatnik. Max Brother Manson foi preso pelo FBI em um tiroteio diante do Chinese Theater. Entre os pertences do assassino, encontraram um envelope, com a estranha história de um sujeito que, ao despertar, havia se transformado em um ninho de ratos.




(Imagens "emprestadas" de Gregor Brown de R.Sikoryak, do grande "Masterpiece Comics")
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segunda-feira, 23 de março de 2009

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Süskind, Patrick (1882-1917)



Nasceu em Ambach, Alemanha, filho de um condutor de bondes com uma senhora francesa. Aos 14 anos, após a morte do pai em um acidente incomum (Um tigre fugido do zoológico atacou-o enquanto recolhia bilhetes), foi para a França junto com a mãe. Destacou-se em atividades físicas, tornando-se um lutador de savate de certo renome em Paris. Neste tempo, apaixonou-se por uma jovem aspirante atriz, a srta Jeanne Moreau. Entretanto, perdeu o olfato e parte da visão após um golpe violento. Como admiradora de coisas belas, a atriz o abandonou, trocando-o por um jovem oficial alemão, deixando Süskind em melancolia tal que o tornou freqüentador rotineiro de casas de ópio.

Felizmente, um tio por parte de pai de Patrick o retirou desta lama e o levou à Berlim, para trabalhar em seu jornal. Após alguns anos e alguns lances de sorte, passou a publicar sua primeira obra literária de renome, um novela naturalista chamada "O Perfume". Seu livro fez enorme sucesso e chegou a inspirar certos cientistas a criarem máscaras farejadoras artificiais, que infelizmente se revelaram pouco eficientes, mas acabariam por inspirar o químico Fritz Haber a desenvolver as primeiras máscaras anti-gases, utilizadas na Primeira Grande Guerra. Hitler, em sua juventude, foi admirador desta obra de Süskind, até que se descobriu que a família de Patrick era judia. O romance teria inspirado ao historiador francês Alain Corbin a desenvolver o belíssimo ensaio sobre odores entre os séculos XVIII e XIX ("La Miasms et lá Konquille"). Outra obra, mais admirada pelos críticos, é "A Pomba", teria servido de inspiração para "Os Pássaros", do diretor britânico Alfred Hitchcock e a peça de teatro,“Amado Monstro”, do espanhol Javier Tomeo.

Faleceu durante a epidemia de Gripe Espanhola. Tinha 35 anos. Sua esposa morreu duas semanas depois. Não deixou filhos, exceto um cão chamado Tigre.












quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

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19 de janeiro

Em 19 de janeiro de 1981, Estados Unidos e Irã assinaram acordo para a libertação de 52 norte-americanos mantidos como reféns por mais de 14 meses. Em 19 de janeiro de 1910, um incêndio destruiu o palácio de Cheregan, em Constantinopla, sede do Parlamento turco. Em 19 de janeiro de 1982, morreu Elis Regina, em São Paulo, por intoxicação exógena aguda. Em 19 de janeiro de 379, Teodósio I tornou-se o imperador do Império Bizantino. Em 19 de janeiro de 1961, inaugurou-se a Rodovia Presidente Dutra. Em 19 de janeiro de 2004, foi lançado o Orkut. Em 19 de janeiro de 1794, os ingleses desembaracaram na Córsega, cuja bandeira é a de um negro com uma bandana na cabeça. Em 19 de janeiro de 1809, nascia em Boston, Estados Unidos, pesando 2.670 gramas e medindo 40 cm, Edgar Allan Poe. Coincidência ou não, 40 anos depois, em 03 de outubro de 1849, foi encontrado nas ruas de Baltimore, com roupas que não eram as suas, cego de um olho e em estado de delirium tremens. Faleceu quatro dias depois, sem jamais explicar de forma coerente o que lhe acontecera. Suas últimas palavras, segundo o Wikipedia, foram: "Está tudo acabado: escrevam Eddy já não existe». Após seu falecimento, de acordo com o relatório médico do Washington College Hospital, transformou-se em Corvo e saiu voando pela janela pra combater a injustiça e provocar a morte de Brandon Lee mais de um século depois, em um acidente misterioso e estúpido.










(Desenho surrupiado do Corvo é do Rafael Grampá: visite seu blogue http://furrywater.wordpress.com/ e compre Mesmo Delivery, da editora Desiderata. Aquilo que é "verídico" extraído da Wikipedia: foi meio por acaso, pois assim surgiram estas linhas)