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sexta-feira, 6 de maio de 2016
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sábado, 2 de fevereiro de 2013
Onirogrito
Jogo do Velho
Dentre as penalidades cabíveis ao pai
moderno está a de frequentar aniversários em buffets infantis. Perguntar
ao menino se não quer ir antes ao banheiro, tirar foto, entupir-se de
coxinhas, passear de carrossel, almoçar massa sujeita a alternativas
binárias (bolonhesa ou molho branco), conversar com os pais sobre as
doenças dos filhos, sobre as amizades dos filhos, sobre os times que os
filhos deverão torcer, tomar coca quente fugindo assim do chope quente,
entupir-se de empadinhas, arrastá-lo para o banheiro (o guri escapa por
entre os dedos, sem mijar), tirar foto, tentar alimentar o moleque
enquanto corre, pegar trenzinho, verificar fralda, rastejar no
brinquedão para resgatar criança empacada, levar canelada, gravar vídeo,
enfiar-se na piscina de bolinhas atrás do celular perdido, estimular o
medroso a escorregar por um intestino plástico de cinco metros de
altura, separar brigas na fila do pula-pula, tirar foto, observar as
calças do filho (Você fez xixi? Mas eu não perguntei pra você?).
Chega um momento que a gente aprende a
relaxar, e passa a se divertir. As crianças envelhecem e você pode
afrouxar a atenção. Deixe-as poraí. Existem outras coisas além de calor e
barulho. Veja as monitoras adolescentes com o brilho da idade nova, o
viço necessário para estimular seus vícios. Mães divorciadas com quem
repartir um chope quente. Subornar (mediante uma nota de cinquenta ou
por pura simpatia) o garçom para
que ele sirva sua mesa antes.
Alguns buffets possuem brinquedos
adultos. Nada tão pesado quanto o que passou pela sua cabeça. Uma
televisão com a programação de esportes. Talvez, mesas de bilhar,
pebolins. Dardos são perigosos. O normal é a diversão voltada aos
adolescentes acabe sobrando aos adultos. Inclusive as máquinas de
fliperama. Estes locais tornaram-se um dos últmos nichos para estes
jogos. Os antigos paraísos de office-boys foram extintos das ruas.
Nestas festas, entretanto, é normal ver adultos saudosos disputando
lugar para comandar naves espaciais, bater uma bola ou tirar um racha.
* * *
Em um final de semana qualquer, fomos
para uma destas festas. Não era um buffet luxuoso, nada de montanhas
russas ou pistas de autorama. Contudo, a comida era boa, salgadinho seco
no ponto certo. Além disso, houve a inteligência de separar adultos e
pirralhos do convívio. Foi bom, possível até conversar sem gritar. O
lugar era simples, depois ficamos sabendo que o imóvel fora vendido e
daria lugar a outro destes megaultra-empreendimentos imobiliários
residenciais. Isto explicava algum descuido com os brinquedos. Carrinhos
de bate-bate já não batiam. Plástico remendado com fita adesiva.
Máquinas de fliperama quebradas, apenas uma em funcionamento.
A Máquina tinha uma tela menu na qual
seria possível escolher um entre mil jogos, quase todos muito antigos,
telas de fundo preto. Asteroids, Frogger, Enduro, Shinobi, River Raid,
Green Beret, Galaca, Pitfall, Double Dragon e demais artefatos
arqueo-tecno-lógicos. Exemplares pixelados que, se não fosse a
capacidade alephiana da Internet de agrupar reunir a eternidade, espaço e
tempo, em um único ponto, certamente só existiriam nas nossas memórias.
Mas ali estavam estas preciosidades históricas nas mãos inábeis de
pimpolhos incapazes de usar até um giz de cera.
Bem que gostaria de ter experimentado um
pouco destes jogos. Mas os meninos acostumados a ver filmes 3D, a
coreografar em Kinect, crianças que deveriam se encantar com as figuras
perfeitas de Final Fantasy e não com aqueles tangrans mal feitos. Digo
isto com raiva, pois eu não queria ficar na fila junto com aqueles
pirralhos e esperava uma oportunidade que não surgia. Os garotos (eram
quase sempre meninos) tentavam um jogo, perdiam as três vidas de praxe e
voltavam para a tela de menu, trocando de jogo. Ninguém insistia.
Experimentavam, se não funcionava imediatamente, zapeavam para outro
jogo. Havia uma rotatividade constante diante da máquina.
Dentre as penalidades sugeridas ao pai
moderno, está a de procurar oferecer o máximo de oportunidades possível a
seus filhos, como se apenas a liberdade permitisse a melhor
alternativa. Mas não. Ao ver aqueles garotos trocando constantemente de
jogos, sem se concentrar em nenhum, sofrendo derrota após derrota,
pensei que mais que abrir horizontes devêssemos indicar direções para se
guiar. Mesmo que você se encontre tão perdido quanto ele.
Quando finalmente consegui jogar, me vi fazendo exatamente o mesmo que as crianças.
(Original AQUI; desculpem este blog anda preguiçoso; Falando em games antigos, foi notícia recente: a Atari pediu falência.)
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sábado, 10 de abril de 2010
Achados

1)INCAL, Le film
Cinco minutos com imagens de um desenho animado que não foi pra frente: INCAL, baseado nos quadrinhos de Jodorowsky e Moebius. Desconheço os detalhes, mas há algumas imagens de Arzach também (Não é a série nova, com episódios curtos...). Descoberto graças ao RETINA (Television is reality, and reality is less than television). Veja também o curta Starwatcher (1992). Gostei do Chemical Brothers na trilha usada para esta "versão" de Is man good?
2)Interstate76
Falando em trilha sonora, conheça a trilha "super-groovy" do jogo para PC de 1997, Interstate76. O jogo se passa em um universo decadente cheio de "muscle cars" armados até os dentes... Uma mistura de "Vanishing Point" com o primeiro "Mad Max". O jogo era bem divertido (apesar de algumas passagens dificílimas), mas a trilha era fantástica.
3)Passagem
"Virando o Jogo" é o nome do ensaio que o escritor Daniel Galera fez para a revista Serrote nº04. Assunto: videogames. A partir da história de "Prince of Persia", Galera faz uma análise dos impactos emocionais a que podem passar os jogadores. Ótimo ensaio, recomendo não só para fãs de videogame, mas também para aqueles que escrevem.
Em determinado ponto, Galera fala de um joguinho muito simples chamado Passage. Ele sugere que a pessoa jogue antes de ler (Sim, meus amigos, o ensaio de Galera é cheio de spoilers; mas não reclame). Realmente, penso que o impacto seria maior. Sendo assim, experimente: É preciso baixar o jogo que está disponível neste link.
Dura cinco minutinhos.
Jogue algumas vezes.
Depois deixe os seus comentários.
4)Pulverize
Neste quadrinho de Kevin Huizenga, temos o videogame sendo usado a favor de uma história. Ela descreve a "bolha" das empresas ponto com dos anos 90, ao mesmo tempo que se aprofunda na "viagem" proporcionada por um video game de tiro em primeira pessoa. A história ganhou um Eisner, ainda é possível de encontrar. Tem um "pedacinho" AQUI.
Descrição: "Everyman Glenn Ganges ruminates on the simple times of the dot-com era when the reality of business was propped up by the unreality of addictive technology and hope. Kevin Huizenga cleverly parallels that unreality with the unreality of addictive networked first-person shooter video games, and the attempts of people around him to genuinely connect with each other. Huizenga’s elegant neo-clear-line style brings a crispness and humor to these low-key slice-of-life stories, and the gray-blue duotone he has picked gives the art a new depth and complexity."
6)Fotografias médicas
Retratos clínicos (Via Coisas do Arco da Velha). Imagens fortes.
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