segunda-feira, 1 de março de 2010

Telegrama



Caça à raposa

(João Bosco)

O olhar dos cães, a mão nas rédeas
E o verde da floresta
Dentes brancos, cães
A trompa ao longe, o riso
Os cães, a mão na testa
O olhar procura, antecipa
A dor no coração vermelho
Senhorita, seus anéis,
corcéis e a dor no coração vermelho.
O rebenque estala, um leque aponta: foi por lá...

um olhar de cão, as mãos são pernas
E o verde da floresta
Oh, manhã entre manhãs
A trompa em cima, os cães
Nenhuma fresta
O olhar se fecha, uma lembrança
Afaga o coração vermelho
Uma cabeleira sobre o feno
Afoga o coração vermelho
Montarias freiam, dentes brancos: terminou...

Línguas rubras dos amantes
Sonhos sempre incandescentes
Recomeçam desde instantes
Que os julgamos mais ausentes
Ah! recomeçar, recomeçar
Como canções e epidemias
Ah! recomeçar como as colheitas
Como a lua e a covardia
Ah! recomeçar como a paixão
E o fogo, e o fogo...



( fonte imagem: Darla Teagarden´s Tales of blood and glitter. A versão original do próprio Bosco está AQUI)

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