terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Telegrama
One perfect sunrise
orbital
Marcadores:
música,
one perfect sunrise,
orbital,
telegramas
sábado, 5 de janeiro de 2013
Onirogrito
Uma afirmação negativa do método
Bom… foi mais difícil que esperava falar de meus métodos de criação. Conheço alguns e pesquiso constantemente a respeito do processo criatívo. É um vício. Muito do
que vou dizer já foi dito, portanto. Mas, na realidade, eu não sei se
posso afirmar positivamente (¿Existe “afirmar negativamente”?) “Tenho um
método e ele é x”. Sou muito intuitivo. Me esforço para continuar
sendo. Não sei se vale a pena repartir este esboço de metodologia. Pelo
pouco que conheço das pessoas, elas são muito diferentes para existir
uma receita geral.
Toda a regra (não apenas as fórmulas
mágicas da criatividade) devem ser observadas com parcimônia. O contexto
do próprio autor e da obra, aquilo que se deseja dizer e não-dizer,
tudo isto não se ensina. Aprende-se, desaprende-se, apreende-se sozinho.
Bem que tentei me organizar, separar em
tópicos, fazer alíneas e parágrafos, mas não conseguia botar tudo em uma
hierarquia ou ajeitar didaticamente. A exemplo de Jodorowsky ou de um
mendigo verborrágico, preferi emendar frase em frase, como provérbios,
ordens, mandamentos, gritos de guerra, sem ordem. Seja crítico e
criterioso e veja o que serve e o que não serve para você.
Divirta-se. Entre um cenário verossímil e
um personagem verdadeiro, prefira sempre os personagens. Se possível,
bole a conclusão antes; se não, aproveite a viagem e o leitor a
aproveitará com você. Não tenha medo ou vergonha de errar. Divirta-se
com o que está fazendo, mesmo que seja horrível. Abstrações emocionais
funcionam melhor que as concretas. Apaixone-se por estranhos e escreva
antes que aconteça. Se acontecer, não tente escrever. Surpreenda-se.
Pesquise 300%, mas use 10%. Seja aberto: leia Dom Quixote e assista a A
Hora da Aventura. Divirta-se. Leia (ou assista) de tudo, seja
compreensivo com o mundo. Pergunte-se porque é assim. Cuidado com
qualquer fórmula: Jornada do Herói, Morfologia de Propp, Manual de Syd
Fields, Situações de Polti, Gramática de Rodari, inclusive aquelas que
você mesmo inventar. Evite (ou recuse-se) a petrificar teorias.
Surpreenda-se. Seja verdadeiro. Divirta-se. Anote as sincronicidades.
Não faça charadas. Acredite no que está fazendo. Acredite até naquilo
que duvida. Pesquise as brincadeiras das crianças. Escute as pessoas
conversando. Observe, seja o fotógrafo secreto do mundo. Explore.
Divirta-se.
Por último, creio que isto seja o mais
importante (Hoje, pelo menos; amanhã posso acreditar em outra coisa),
algo que li folheando um livro: Conhecer-se e escolher o “seu” próprio
estilo de criação.
“Certa vez, perguntei ao artista gráfico
Saul Steinberg “Por que será que não consigo conversar com alguns
escritores? Não encontro assunto: por que parece que estou falando com
pediatras ou corretores de imóveis e não escritores? Ele pensou e
respondeu: “Isto é fácil: existem dois tipos de artistas, nenhum deles
superior ao outro; um responde à própria vida e o outro responde à
história da arte até aquele momento.” (Kurt Vonnegut, em leitura ao
acaso na livraria)
(Publicado originalmente AQUI, no Universo Insônia. Imagem do livro Como a Mente Funciona, de Steven Pinker veio DAQUI)
(Publicado originalmente AQUI, no Universo Insônia. Imagem do livro Como a Mente Funciona, de Steven Pinker veio DAQUI)
Marcadores:
Brontops,
escrever,
onirogrito,
uma afirmação negativa do método,
universo insônia
Assinar:
Postagens (Atom)