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domingo, 24 de junho de 2012

Telegrama




Noite de São João para além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de São João.
Porque há São João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.

(Noite de São João, Alberto Caeiro)


Via Beluga




(Já que estamos falando do Pessoa, segue um LINK para uma carta de Fernando Pessoa para Ophelia Queiroz, no blog - sempre muito interessante - "Questões Manuscritas" de Pedro Corrêa do Lago)

(Imagem: Gravura de Michael Heer (1626). Veio daqui)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Telegrama




Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.



(Pintura: Nirvana, de Taner Ceylan)

terça-feira, 15 de março de 2011

Telegrama

a)



Don't Turn On the Light, Leave Me Alone














b)




é possível que o mundo se
instale aos nossos pés
no momento em que o risco de
um fósforo se demarcar na
escuridão e o baço
clarão de luz editar os
objetos

então invadiremos o
encanto numa profusão
de corpos e seremos uma
oferenda para o nosso
próprio esplendor







(walter hugo mãe acabou de lançar dois livros aqui no Brasil. Um esqueci o título, mas o outro é "o remorso de baltazar serapião"; 2002. Este poema "colei" do livro Axis Mundi, não tem título)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Telegrama

21 de outubro de 1935



Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)






(Álvaro de Campos)

* * * * * *

"As obras de arte dividem-se em duas categorias: as de que gosto e as de que não gosto. Não conheço outro critério"

Anton Tchekhov (Via BELOGUE)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Telegrama

Lembrando que 2010 é ano de eleição:





Discurso do filho da puta
(De Alberto Pimenta)


O pequeno filho da puta
é sempre
um pequeno filho da puta;
mas não há filho da puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua própria
grandeza,
diz o pequeno filho da puta.
no entanto, há
filhos-da-puta que nascem
grandes e filhos da puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho da puta.
de resto,
os filhos da puta
não se medem aos
palmos, diz ainda
o pequeno filho da puta.
o pequeno
filho da puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o pequeno
filho da puta.
no entanto,
o pequeno filho da puta
tem orgulho
em ser
o pequeno filho da puta.
todos os grandes
filhos da puta
são reproduções em
ponto grande
do pequeno
filho da puta,
diz o pequeno filho da puta.
dentro do
pequeno filho da puta
estão em ideia
todos os grandes filhos da puta,
diz o
pequeno filho da puta.
tudo o que é mau
para o pequeno
é mau
para o grande filho da puta,
diz o pequeno filho da puta.
o pequeno filho da puta
foi concebido
pelo pequeno senhor
à sua imagem
e semelhança,
diz o pequeno filho da puta.

é o pequeno filho da puta
que dá ao grande
tudo aquilo de que
ele precisa
para ser o grande filho da puta,
diz o
pequeno filho da puta.
de resto,
o pequeno filho da puta vê
com bons olhos
o engrandecimento
do grande filho da puta:
o pequeno filho da puta
o pequeno senhor
Sujeito Serviçal
Simples Sobejo
ou seja,
o pequeno filho da puta.

II

o grande filho da puta
também em certos casos começa
por ser
um pequeno filho da puta,
e não há filho da puta,
por pequeno que seja,
que não possa
vir a ser
um grande filho da puta,
diz o grande filho da puta.
no entanto,
há filhos da puta
que já nascem grandes
e filhos da puta
que nascem pequenos,
diz o grande filho da puta.
de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos, diz ainda
o grande filho-da-puta.
o grande filho da puta
tem uma grande
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o grande filho da puta.
por isso
o grande filho da puta
tem orgulho em ser
o grande filho da puta.
todos
os pequenos filhos da puta
são reproduções em
ponto pequeno
do grande filho da puta,
diz o grande filho da puta.
dentro do
grande filho da puta
estão em ideia
todos os
pequenos filhos da puta,
diz o
grande filho da puta.
tudo o que é bom
para o grande
não pode
deixar de ser igualmente bom
para os pequenos filhos da puta,
diz
o grande filho da puta.
o grande filho da puta
foi concebido
pelo grande senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o grande filho da puta.

é o grande filho da puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele
precisa para ser
o pequeno filho da puta,
diz o
grande filho da puta.
de resto,
o grande filho da puta
vê com bons olhos
a multiplicação
do pequeno filho da puta:
o grande filho da puta
o grande senhor
Santo e Senha
Símbolo Supremo
ou seja,
o grande filho da puta.



(Charge Angeli. Via Coisas do Arco da Velha)

domingo, 18 de outubro de 2009

Achados



(Hooligans 4, 2002, pintura de Nicola Verlato, italiano de Verona
que vive em Nova Iorque. Outros quadros aqui. Localizado graças ao Ideiafixa)


a)Polícia para quem precisa de polícia

O site "English Russia" traz notícias estranhas, curiosidades, bizarrices destes que foram os "inimigos do Mundo Livre". (Pra ser sincero, sinto falta de algo semelhante sobre o Brasil). Quem gosta muito dele é o Warren Ellis, que volta e meia posta algum comentário sobre algo publicado lá.

Este post é um teste com certa dose de humor negro sobre manchetes sobre violência policial no noticiário da Rússia. São 20 manchetes e você precisa descobrir qual é verdadeira e qual é falsa. Se você achou a polícia em Tropa de Elite um tanto quanto truculenta vai adorar saber até onde podem chegar os heróicos defensores da justiça e da sociedade de lá.

Basta saber que a maioria das manchetes é verdadeira. Não vou traduzir tudo (sou preguiçoso demais pra fazer isto direito), mas segue uma "palhinha":

4.Um delegado amputou a mão de seu assistente; 11.Um policial mordeu e arrancou o nariz de um barman; 12.Um policial bêbado arrancou a cabeça de um jovem por 60 rublos; 14.Um policial jogou um homem de negócios pela janela do quarto andar durante interrogatório.


b)Papo de homem

Bom site para estes nossos tempos frouxos. Seguem algumas postagens interessantes: 15 flagras na hora "H"; a nova geração de homens mimados; lendas urbanas (ou não) sobre casos de empalamento.

c)Papo de homem 2

A revista Trip deste mês (nº182) traz em sua entrevista das Páginas Negras dois homens de trajetórias violentas: Rodrigo Pimentel, ex-capitão do BOPE, um dos homens por trás do livro Elite da Tropa que originou o filme Tropa de Elite; Luís Mendes, ex-presidiário, 31 anos de prisão, escritor dos livros Memórias de um Sobrevivente, Às cegas, Tesão e prazer. Vale muito ler.


d)Terry Rodgers

Graças a mesma Trip descobri o site deste pintor. Pelas datas das obras disponíveis em seu site, dá para notar que Terry Rodgers se dedica a algum tempo a estas pinturas, enormes quadros de "orgias"... Veja o que ele diz a respeito de seu próprio trabalho, AQUI. Abaixo The Dimensions of Ambiguity (2005).




(Entre o Verlato e o Rodgers, sou mais o Verlato. Mas não me perguntem o motivo.)

e) EVENTOS

e.1) 23 e 24 de outubro

A convivência do escritor Nelson de Oliveira (Ódio Sustenido, A Maldição do Macho, Subsolo Infinito, Os Saltitantes Seres da Lua, etc) com alguns poetas portugueses contemporâneos deu origem a um livro, “Axis Mundi - O Jogo de Forças na Lírica Portuguesa Contemporânea”, que será lançado em duas datas neste final de semana:

Dia 23 de outubro, sexta-feira
Às 19h
Na Livraria da Vila da alameda Lorena
Al. Lorena, 1731

&

Dia 24 de outubro, sábado
Livraria Pantemporâneo
Às 15h
Av. Nove de Julho, 3653

Mais detalhes, aqui


e.2)
Dia 31 de Outubro, às 15 horas:
Livraria Martins Fontes
Av. Paulista, 509
Próximo ao Metrô Brigadeiro

Lançamento do livro Galeria do Sobrenatural - Jornadas além da imaginação.


Organizado por Silvio Alexandre, é uma homenagem aos 50 anos do seriado de TV Twilight Zone (Além da Imaginação no Brasil) e reúne 18 narrativas inspiradas no clima do seriado.


No dia do lançamento, haverá uma conversa com Fernanda Furquim e a projeção do primeiro episódio, o piloto de 1959.

Os autores são: Andréa Del Fuego, Braulio Tavares, Cavani Rosas, Claudio Brites, Cláudio Villa, Danny Marks, Fábio Fernandes, Giulia Moon, Jana Lauxen, Lucio Manfredi, Luis Filipe Silva, Márcia Olivieri, Mario Carneiro Jr, Max Mallmann, Miguel Carqueija, Octávio Aragão, Regina Drummond, Shirley Souza e Tatiana Alves.