domingo, 11 de março de 2012

Achados

Moebius morre aos 73 anos.

Aqui, postagens do Projeto Portal que usaram suas imagens.

Os olhos de gato.



Rock City



A dupla evasão



e c´est fini. Au revoir.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Telegrama

Mobiliário










Como se saído de uma ampulheta
o pó cotidianamente se derrama sobre os móveis.

E a mulher, com mão de Sancho,
recolhe com pano umedecido
os vestígios do tempo
na serenidade da casa.

Não há nada de eterno sob a razão do tempo.

E o que é a realidade
se não a tentativa frequente
de recolher o pó caído da ampulheta
e depositado na mobília;
se não o polimento contínuo das coisas
para que a imagem delas fique intacta;
se não o movimento incessante da mão
até o esgotamento
- até que outra mão substitua a anterior
e sob sua força se construa uma nova realidade
tão irreal quanto a primeira.

Como se fosse possível eternizar o amor
que também se vai, tão quanto a areia.








1997.
Poesia de Verônica de Aragão

(Imagens da mexicana Ana Teresa Fernandez, via The Mafu Cage)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Telegramas

Exercícios de redação de Fritz Kocher



INTRODUÇÃO

O menino que escreveu essas redações morreu pouco depois de ter deixado a escola. Tive algum trabalho em persuadir a mãe dele, uma dama adorável, amável, a ceder os textos para publicação. Ela estava, compreende-se, muito afeiçoada a essas folhas, que deviam ter sido uma doce lembrança do filho. Apenas a afirmação da minha parte, que iria mandar imprimir as redações totalmente inalteradas, exatamente assim como o seu Fritz as tivera escrito, finalmente, fê-las chegarem as minhas mãos. Para muitos, em muitos trechos, elas queiram parecer precoces e, em muitos outros trechos, pueris demais. Contudo peço tomarem em consideração que minha mão não modificou nada nisso. Um menino é capaz de falar muito sabiamente e muito tolamente quase ao mesmo tempo: assim são as redações. Despedi-me da mãe do menino com o mais gentil agradecimento possível que pude arranjar. Ela me contou diversas passagens na vida do garoto, as quais condizem simpaticamente com os aspectos de seus trabalhos escolares aqui presentes. Teve de morrer prematuramente, o divertido e sério risão que fora. Seus olhos que deveras foram grandes e radiantes, não chegaram a ver nada do mundo imenso pelo que tanto ansiava. Em vez disso foi lhe permitido divisar no seu mundo pequeno com clareza o que o leitor, por certo, verificará ao ler os exercícios de redação. Adeus, meu baixinho! Adeus, leitor!

* * *

O SER HUMANO

O ser humano é um ser sensível. Tem apenas duas pernas, mas um coração dentro do qual se compraz um exercito de pensamentos e emoções. Poder-se-ia comparar o ser humano a um bem plantado jardim de recreio, se nosso professor permitisse semelhante alusão. O ser humano faz poesia, vez por outra, e nesse elevadíssimo, sublimissimo estado de espírito é chamado de poeta. Se todos nós fossemos assim, como devíamos ser, isto é, como Deus nos ordena de ser, então ficaríamos infinitamente felizes. Lamentavelmente nós nos ocupamos de paixões inúteis que breve demais vêm minando nosso bem-estar pondo termo a nossa felicidade. O ser humano, em todos os sentidos, deve ser superior a seu colega, ao animal. Pois até um ignorante brochote consegue observar, diariamente, pessoas que se comportam, como se fossem animais irracionais. O alcoolismo é uma coisa abominável: por que será que o ser humano se entrega a ele? Obviamente, porque, de vez em quando, esteja sentindo a necessidade de afogar sua mente nos sonhos que bóiam em qualquer espécie de álcool. Semelhante covardia condiz a uma coisa tão imperfeita que é o ser humano. Somos imperfeitos em tudo. Nossa insuficiência estende-se por todos os empreendimentos que tratamos, e que seriam tão magníficos, se não proviessem da pura avidez. Por que haveremos de ser assim? Tomei uma vez um copo de cerveja, mas não irei beber outro jamais. Aquilo levará p’ra onde? A intenções nobres seguramente não. Aqui e agora prometo em voz alta: quero tornar-me uma pessoa ajuizada e séria. Tudo que é de sentimentos elevados e belos deve encontrar em mim um igualmente ardente imitador como protetor. Às escondidas estou apaixonando-me pela arte. Mas, a partir desse exato momento, isso já deixa de ser secreto, pois agora minha despreocupação acabou dar à língua. Que eu esteja sendo castigado exemplarmente por isso. O que impedirá uma nobre maneira de pensar em se confessar com franqueza? Nada menos, em todo o caso, que umas sovas anunciadas. O que serão sovas? Espantalhos! atemorizando escravos e cachorros. Há somente um fantasma que me atemoriza: a baixeza. Ah, quero subir tão alto quanto o for lícito para um homem. Quero tornar-me famoso. Quero conhecer mulheres lindas, e amá-las e ser amado e acarinhado por elas. Nem por isso perderei nada em força elementar (força criadora), ao contrário quero tornar-me, de dia para dia, mais forte, mais livre, mais nobre, mais rico, mais famoso, mais audaz e mais temerário. Por este estilo mereço nota zero. Não obstante declaro: ainda assim esta é a melhor redação que já fiz. Todas suas palavras vêm de dentro do coração. Como é bonito ter um coração tremente, sensível, difícil de contentá-lo. É o que o ser humano tem de mais belo. Um ser humano que não saiba preservar seu coração é imprudente, porque privar-se-á de uma infindável fonte de poder doce, inesgotável; de uma plenitude; de um calor, sem o qual jamais poder-se-á passar, se quisermos continuar um ser humano. Um ser humano afetuoso não é apenas o melhor, mas também o mais inteligente dos homens, pois tem algo que nenhuma esperteza, por mais diligente que seja, lhe poderá proporcionar. Reitero ainda mais uma vez: não quero embebedar-me nunca; não quero esperar com ansiedade a comida, porque isso é feio; quero rezar e trabalhar ainda mais, porque me parece que trabalhar já é uma forma de rezar; quero ser aplicado obedecendo aos que merecem que a gente lhes obedeça. Pais e professores o merecem, sem dúvida. Eis a minha redação.


(Texto de Robert Walser. Via Revista Rapadura. Imagem via)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Achados





A imagem é do Speculum al Foder, um livro medieval do século XV, em catalão, que pretende ser um "manual de boas maneiras sexuais". Seria o primeiro manual erótico europeu. Não há muita referência sobre ele na Internet - o que eu acho particularmente estranho, dada a quantidade de tarados que há por aí. Talvez seja "fraquinho" ou "pouco engraçado".

Parece que existem duas cópias manuscritas, uma delas na Biblioteca Nacional de Madrid. A fonte é o Wikipedia (em catalão; não é tão diferente do português escrito). Há muitos anos, a editora Degustar promete uma edição do "Tratado Medieval do Foder". Aparentemente, é deste livro que se trata.


Não tenho ideia se é confiável, mas este blog coletou algumas curiosidades sobre comportamentos sexuais em tempos idos. AQUI.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Telegrama


Father And Son

It's not time to make a change
Just relax, take it easy
You're still young, that's your fault
There's so much you have to know
Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me, I am old
But I'm happy

I was once like you are now
And I know that it's not easy
To be calm when you've found
Something going on
But take your time, think a lot
I think of everything you've got
For you will still be here tomorrow
But your dreams may not

How can I try to explain
When I do he turns away again
And it's always been the same
Same old story
From the moment I could talk
I was ordered to listen
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go

It's not time to make a change
Just sit down and take it slowly
You're still young that's your fault
There's so much you have to go through
Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me, I am old
But I'm happy

All the times that I've cried
Keeping all the things I knew inside
And it's hard, but it's harder
To ignore it
If they were right I'd agree
But it's them they know, not me
Now there's a way and I know
That i have to go away
I know I have to go


(Cat Stevens ou Yusuf Islam.)

(Imagem, capa Revista Zupi nº07 Foto do André Cypriano)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Telegramas








Dê amor
Dê paixão
Dê espera
Dê esperma
Dê prazer
Dê fogo
Dê uma nela
De carinho
De sacanagem
De sarro
De fato
Dê amor
Dê segurança
De anca na anca dela
E amanheça de cabeça dentro dela




(Miranda Kassin e Andre Frateschi)

Imagem de Vania Zouravliov

domingo, 1 de janeiro de 2012

Telegramas




Metal Contra As Nuvens

Legião Urbana


I
Não sou escravo de ninguém
Ninguém, senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E, por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.
Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.
Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá.

II
Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.
Olha o sopro do dragão...

III
É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

IV
- Tudo passa, tudo passará...
E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos.






(imagem DAQUI)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Telegrama







This is the CENTRAL SCRUTINIZER . . . Joe has just worked himself into an imaginary frenzy during the fade-out of his imaginary song . . . He begins to feel depressed now. He knows the end is near. He has realized at last that imaginary guitar notes and imaginary vocals exist only in the imagination of The Imaginer . . . and . . . ultimately, who gives a fuck anyway? . . . So . . . So . . . Excuse me . . . Ha ha ha! Mm-mh . . . So . . . Ha ha ha . . . Ha ha ha! Who gives a fuck anyway? So he goes back to his ugly little room and quietly dreams his last imaginary guitar solo . . .

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

domingo, 27 de novembro de 2011

Achados





a)Silvio Cadelo

Ilustrador italiano, desenhista de quadrinhos. Antes de ir para os quadrinhos, foi ator, profissional de publicidade e designer industrial. Trabalhou em revistas como a Linus, Alter e a Frigidaire. Na França, trabalhou com Jodorowsky em dois livros, 'Le Dieu Jaloux' e 'L'Ange Carnivore', duas histórias inacabadas que foram mais tarde reimpressas e concluídas como 'La Saga d'Alandor' (Informações retiradas da Lambiek). Segundo o Wikipedia, aconteceram desentendimentos entre Cadelo e a história foi interrompida. Quem conhece a história percebe alguns "remendos" na conclusão.

Eu o conheci através desta série repleto de seres absolutamente estranhos.

Ainda hoje, passados tantos anos, ainda são as criaturas mais alienígenas que já vi, no sentido de serem MUITO diferentes. Seres com duas cabeças, apêndices cranianos, um único braço para dois antebraços, cabeças espalhadas pelo corpo, assassinas de três seios e um único braço, uma lepra que acrescenta membros e cabeças... Depois conheci Envie De Chien e o estranho Saci Amarelo hermafrodita (Com duas coxas que se juntam em um pé). E ainda assim harmoniosos, com uma "beleza" própria, muito diferente das criaturas alienígenas hollywoodianas. Vão muito além de orelhas pontudas e aspecto reptiliano. Posso estar maluco, mas me remeteram ao pintor medieval holandês Hieronymus Bosch.

As imagens vieram do "The Mafu Cage". O site oficial de Cadelo (que também colaborou em games) é ESTE (on français).


b)Fotos bizarras em preto e branco.

Como por exemplo, ESTA.

Black and WTF?

(Via Neatorama)


c) Mike, a galinha sem cabeça.

Esta galinha viveu por 18 meses sem a maior parte da cabeça. Apesar de muitos a considerarem uma fraude, a ave foi levada a uma universidade que atestou a veracidade do caso. Eu conhecia a história através da revista Mundo Estranho, mas esta é primeira vez que esbarro numa foto do bicho.


Acredite... se quiser
.


d)Dilemas da Genética AQUI

Palavras de Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humana, ligado ao Instituto de Biociências da USP. Trecho:

Quem não deve...

Se você é apontado como pai de uma criança e se recusa a fornecer seu DNA, é automaticamente considerado, por lei, pai dela. O que se advoga para defender essa ideia? A proteção da criança. Ela tem direito a ter um pai e a ter um suporte financeiro vindo dele. Ao mesmo tempo, outra lei estabelece que um suspeito de crime pode se recusar a fornecer seu DNA por não querer dar provas que talvez sejam usadas contra ele. Minha pergunta é: será que não deveria valer a mesma lei, ou seja, se a pessoa se recusa a fornecer o DNA, não deveria ser suspeita do crime? Nesse mesmo sentido, não deveríamos nos preocupar em defender a sociedade? Eu, por exemplo, não tenho nenhum problema em fazer um teste de bafômetro quando estiver dirigindo. Você pode ter certeza de que eu vou passar no teste. A pessoa que está sendo investigada e não tem culpa no cartório não vai se preocupar com a investigação do DNA porque não vão encontrar material genético dela na cena do crime.