segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Achados




a)
Bruxas Sexys

A ilustração acima é de Ren Wicks (Bathing Witch) e veio deste blog cheio de Bruxas Sexys, inventadas e verdadeiras.


b)Ian Fleming & Raymond Chandler


Ian Fleming criou James Bond. Frio e com nervos de aço. Umberto Eco é fã de Bond. Dele não posso afirmar muito, exceto o que vi pelos óculos do Eco. Raymond Chandler criou Philip Marlowe. Um detetive durão, nervos de aço, mas de coração mole. Um é inglês. Outro é norte-americano. De Chandler, li muita coisa.

Os dois conversaram em 57. Eu sabia da conversa mas nunca vi legendado. Agora, pra facilitar, transcrito dentro desta revista eletrônica. Se não conseguir abrir o PDF na página, use o download Aqui (Está na edição número 6, página 30)




c)O Decálogo da Criatividade, via o fantástico Cinismo Ilustrado.



d)Steinberg, no Mundo Fantasmo
, de Braulio Tavares:

"Esta é apenas uma das muitas magias do Rei do Traço, o romeno que por ser judeu teve que fugir da Europa e buscar refúgio nos EUA, onde se tornou um dos mais famosos ilustradores e capistas da revista The New Yorker. Conheci o trabalho dele nos anos iniciais do Pasquim, quando Millor Fernandes, Ziraldo e outros reproduziam seus desenhos e entoavam alalaôs ao mestre. Mestre deles, virou mestre meu também; mesmo quem não é desenhista pode absorver da linha enxuta de Steinberg alguma coisa para sua escrita, assim como um músico pode lucrar o mesmo para o seu piano (eu diria que foi o caso de Erik Satie, se um não fosse tão anterior ao outro) e até um jogador de futebol pode usar algo em seu trato com a bola. (Eu diria que Sócrates, Zidane e Paulo Henrique Ganso têm momentos verdadeiramente steinberguianos.)"

Telegrama



Battle Hymn

(Faith and the Muse)


The clash of worlds is at hand.
I am the first. I am the last.
The passage has occurred.
I am the knowing. I am the lost.
I am the honored. I am the scorned.

Look to the Guardian of the cautious West
The White Tiger preys the autumn winds
Eyes pierce the hidden world
Claws cut like Virtue’s sword

Look to the Guardian from the North Abyss
The Black Serpent carries winter’s kiss
The frozen earth like a snake that sleeps
A thousand years and the gift of speech

The clash of worlds is at hand.
I am the first. I am the last.
The passage has occurred.
I am the knowing. I am the lost.
I am the honored. I am the scorned.

Look to the Guardian of the ancient East
The Blue Dragon forges Spring’s release
Reigning shower and the soul of rain
The forest sprouts to life again

Look to the Guardian soaring from the South
The Red Bird lost phoenix from the fire
Knowledge fortune all seed’s source
Song soothes all hallowed force

The clash of worlds is at hand.
That where Divinity in the tiniest things
Meets disregard, flat denial, dogma, or the wretched mistaking.
Dominion -
The wholesale merchandising of a belief
That sells sickness -
Born to sleepers,
The unnatural seems Natural,
It is slow death
Waking from this world,
When the Truth is veiled…
Is there no choice but to breathe in?
Sleep?

The clash of worlds is at hand.
I am the first and the last.
The passage has occurred.
I am the knowing. I am the lost.
I am the honored. I am the scorned.

The clash of worlds is at hand.
I am the first and the last.
The passage has occurred.
I am the knowing. I am the lost.
I am the honored and the scorned.

I am the first and the last.
I am the honored and the scorned.
I am the honored and the scorned.




(Via Witch Mountain e visite o blog Cabinet of Curiosities)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

cérebro







Como todos, você nasceu em uma gaiola. Seus cabelos são brancos, brancos demais para alguém tão novo. Você é bem-alimentado e toda sua família está lá, no mesmo presídio. Pelas grades, você escuta as pequenas conversas, fofocas, os gritos das crianças, as brigas, os partos, as mortes. Ouvem-se fodas, você imagina se são os seus pais ou seus irmãos. Logo você terá sua vez, pode ser sua prima, sua irmã. Nesta noite, você sonha com arranhas-céus verdes e helicópteros ameaçadores. Você nasceu em uma gaiola, mas está bem-alimentado e pode se exercitar e periodicamente o retiram para realizar exames. Nestes momentos, pode acontecer um carinho. Ainda assim, luta com os irmãos e irmãs, os derrotados encolhidos em um canto, cabeça baixa, olhando a paisagem entre as grades. Você só sabe que é noite quando todos se vão e apagam o sol. Restam estrelas verdes e vermelhas no horizonte e vocês cantam histórias antigas sobre planícies e abóbadas celestes, sobre a morte vinda dos céus e do chão, sobre o outono e o inverno e sobreviver. Mesmo sem querer, você conclui que este é o paraíso. Pelo menos até a injeção de agentes bacterianos. Sem placebos, apenas como controle do outro grupo de cobaias.










(Streptococus. Imagem daqui. )

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Achados




a)Zoo Born

Um site que compila nascimentos de filhotes de vários zoológicos pelo mundo. Fofura à enésima potência.

(Via Coisas do Arco da Velha)

b)Brinquedos inapropriados a crianças.

In many ways the standards of kids products have improved dramatically over the decades (sometimes it’s hard to believe that lawn darts were a thing). But even though we’re more (or less) on the ball these days when it comes to safety, we’ve kind of let things slide in terms of tact. Kids toys, clothing and accessories today range from ridiculous to completely inappropriate. In many cases the lines become blurred between real products and spoofs—and sometimes the real products are even more absurd than the spoofs. Check out these inappropriate kids products (some of which are not actually for kids) and see if you can spot the difference.

Desde que bonecas cujos seios "incham" até estranhos bichos atropelados de pelúcia.


c)Ilustrações de Contos de Fadas por Charles James Folkard (6 April 1878 – 26 February 1963)

Pinóquio e outras coisas, aqui via Monster Brains

d)Criaturas Mitológicas da Sérvia

Destaque: Lobisomem Ciclóptico. Também via Monster Brains, o melhor blog especializado em monstros da paróquia.

e)Uma história (mais ou menos) antiga.

Já ouviram falar da Make-a-Wish (Realize um desejo)? É uma fundação que se dedica a realizar desejos de crianças que sofrem de doenças graves e terminais. Eu não sei bem como funciona, mas existe no Brasil, aceita doações e etc. Boa ideia.

Em 1996, entretanto, uma destas "crianças" (Erik, um adolescente de 17 anos com um tumor cerebral) teve a seguinte ideia para seu "desejo": caçar e matar um urso. Provocou o furor dos ambientalistas. Notícia AQUI, do NY Times. Nunca soube, entretanto, se ele realmente conseguiu.

Bom, pra postar esta história aqui, decidi pesquisar um pouco.

Descobri que Erik conseguiu patrocínio para seu desejo e matou o tal urso (A história não estava em um link de notícias, mas parece fidedigna, já digo porque). Meses mais tarde, o garoto estava tão morto quanto o urso. Entretanto, a polêmica gerada fez com que a fundação Make-a-Wish decidisse não bancar mais este tipo de coisa.

O que fez surgir uma outra entidade, que procura atender as vontades destas crianças. É sério: olhem aqui Hunt of Lifetime.Org

sábado, 1 de outubro de 2011

Telegramas

Tempo de ir na Vinte e Cinco



a)Lista de Compras (1982)

(Amado Batista)

Que saudade daqueles tempos
Tempos que não voltam mais
Eu era um garotinho seu namoradinho
Amigo de seus pais,
e hoje já estou crescido
sou o seu marido és minha mulher,
acabou-se a alegria
brigar todo dia é o que você quer,
Se trabalho até mais tarde,
chego cansado em casa
Você diz que estou te traindo
e por mim não pôe a sua mão na brasa,
Neste dia certamente não como na mesa
e olhe lá,
conhecendo sua natureza com toda certeza durmo no sofá
Quando chega o fim de semana,
fico em casa para descansar,
uma lista de um metro ou mais
você traz para me mostrar,
E me diz que esta faltando o gás o arroz e o café o açucar e o feijão,
sal pimenta malagueta, tomate pepino e também pimentão,
farinha óleo sabonete bombril rabanete jiló e sabão,
banana abacate laranja ovos de granja e até limão,
desodorante e pasta de dente, uma borracha prá panela de pressão,
um tênis pra Mariazinha uma botininha para o Sebastião,
os livros da Antonieta e uma chupeta para o caçulão,
e assim vai seguindo a lista e o bolso do artista sem nem um tostão.


b)Na Massa (2009?)

(Adriana Partimpim / composição: Arnaldo Antunes)


Vai de mon amour
Blusa de abajur
Óculos escuros apaziguando o sol
No domingo a caminho da praça
Óculos Ray Ban
Raio de tupã
No pulso pulseira
No corpo collant
Mostra a pele pelo rasgo da calça

Pode ser de farda ou fralda
Arrastando o véu da cauda
Jóia de bijuteria
Lantejoula e purpurina
Manto de garrafa PET
Tatuagem de chiclete
De coroa ou de cocar
Pode se misturar

Na massa
Tá massa
Na massa
some com a massa
Sai de chafariz
Bico de verniz
Saia de safári sorriso de miss
Camiseta de Che Guevara

Plástico metal

Árvore de Natal
De biquíni xale bata ou avental
E uma pinta pintada na cara

Pode vir de esporte ou gala
De uniforme com medalha
Braço cheio de pacote
Nada debaixo do short
Transbordando seu decote
Gargantilha no gangote
Segue a moda de ninguém
Usa o que lhe convém

Vai de my cherri
Vai de mon amour
Vai de bem-me-quer

Vai do que vier

Na massa
Tá massa

Na massa
Mexe com a massa

Anda de abadá
Dança o bragadá
Turbante importado lá de Bagdá
Fantasia de anjo sem asa

Sola de pneu
Todo mundo é eu
Roupa de princesa em pele de plebeu
No passeio de volta pra casa

Passa de cabelo moicano
Ou com lenço de cigano
México chapéu cabana
Capacete de bacana
De sarongue ou de batina
Tanga de miçanga fina
Moda tem a sua só
Passo de carimbó

Na massa
Na massa
Na massa
Some na massa

Tá massa
Na massa
Boca sino e mocassim
Na massa
Some na Massa

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Escadas






Nº12: Gif



Um relógio tremelicava seus ponteiros. Um homem na bilheteria deixara cair moedas. Os centavos desapareciam no voo antes do chão, e então tudo, moedas e homem regressavam a posição anterior. Uma senhora ajeitava continuamente os óculos perante o mapa ao redor da estação. Outro teclava um número infinito no aparelho celular. Um casal, o homem de boné levava a bolsa das fraldas e mamadeiras, a mulher de cabelo preso, carregava com cuidado um bebê em um cobertor de pelinho. Aproximei-me para ver se os bebês daquele tempo eram parecidos com os nossos. Achamos engraçado, eram cabeludos e despenteados. Um dos novos divertia-se numa parede, tentava pichar o próprio nome sobre o concreto, mas o próprio tempo se encarregava de apagar suas marcas, deixando-a sempre lisa, como estava entre aqueles centésimos de segundos.

O professor nos chamou. Mal prestávamos atenção nele, ainda fascinados com aquele sítio paleocivilizado, nem precisávamos, poderíamos baixar aquela aula numa outra hora, isto contaria deméritos no final do ciclo, mas tudo bem, quem quer ouvir explicações? Era nossa primeira excursão. Inicialmente, nos relembrou porque nosso passeio seria impraticável em um momento cravado, em um segundo congelado: seríamos incapazes de se movimentar ou respirar, a atmosfera e suas moléculas não abririam espaço para nossa presença. A escuridão seria total, pois nossos olhos precisam dos fótons refletidos continuamente sobre as retinas. Precisávamos perambular entre aqueles instantes, o que fazia as pessoas se mexerem naquela dança boba, entre um passo e outro, dizendo e desdizendo, inspirando e expirando. E continuou com outros detalhes chatos que só iríamos utilizar se nos tornássemos engenheiros de crononavegação ou compiladores historiográficos. E quem quer penar com salário mixaria...?

-Valendo pontos: alguém arriscaria um palpite para determinar QUANDO estamos? – perguntou o professor à classe. A bagunça parou, ficamos quietos, olhando para os pés. Apenas o mais bajulador dentre nós, o queridinho do Professor, sugeriu que (pelo material e pela ausência de sol) estávamos em um abrigo antinuclear das Guerras Aquíferas ou numa estação de transporte coletivo. O professor sorriu e completou sua resposta, realmente uma estação de transporte de trens METRO-politanos, do latim metrópole, que por sua vez, veio da junção de duas palavras gregas métra, que significa matriz, útero, ventre e pólis, cidade.

-De certa forma, é por isto que estamos aqui.

Descemos as escadas. Este pedia que não mexêssemos nas pessoas, embaladas naquele tempo dobrado. Era tentador e, esquecendo ou desencanando da constante filmagem de nosso comportamento, levantamos as saias de uma mulher, como quem levanta e baixa uma cortina. O gordo, sempre pensando em comida, chegou perto de outro mastigando algo. Insistiu mas não conseguiu arrancar o pão de queijo da mão daquele. Difícil não se divertir com aqueles estranhos e seus movimentos ridículos e repetitivos. Talvez, no fluxo normal dos segundos, aquilo fosse suave e discreto, mas para nós eram pulsos frenéticos de alguém eletrocutado. Não sei se eram feios ou bonitos. Eram esquisitos.


Antes da plataforma e da composição, havia uma escadaria, separada por uma mureta. De um lado, degraus metálicos; d´outro, paleoconcreto. Demoramos a entender que uma delas se movia. Descemos pela maior até um homem. Ele também aprisionado entre instantes, mas aparentava serenidade. Seus gestos não eram abruptos, talvez fosse esta a explicação. O rapaz estava em pé, apenas sua cabeça se movia acompanhava a moça. Depois da mureta, indo em sentido contrário, estava uma mulher. O olhar dos dois movia-se ligeiramente e de novo e de novo e de novo. Deveria ser um tique enervante como o dos demais. Mas não era.

O professor nos explicou que neste dia eles se conheceram. Que nos momentos seguintes, ele correria atrás dela e conversariam. Que as pessoas ainda se reproduziam e não eram como nós, dependentes dos bancos paleogenômicos. Bancos que começaram a ser desenvolvidos naquele tempo de pouca radiação. Que ela tinha um problema físico que os obrigou a fazer inseminação artificial. Que naquele tempo, ao contrário do nosso, o clima era ameno e o ar respirável. Nossos cromossomos vieram dali, daqueles improváveis Adão e Eva. Éramos todos irmãos, filhos daquele sangue antigo, daqueles nossos velhos jovens pais, os pais de todos os clones e iríamos repovoar o planeta.














(Fonte imagem Villantine)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Telegrama



Postado pelo italiano Shivabel no YouTube: Ilustrações de Contos de Fadas pelo inglês Arthur Rackham

(Texto de Shivabel em inglês)

The Fairy world of Arthur Rackham (1867-1939). Rackham was born in London as one of 12 children. At the age of 18, he worked as a clerk at the Westminster Fire Office and began studying part-time at the Lambeth School of Art. In 1892 he quit his job and started working for The Westminster Budget as a reporter and illustrator. His first book illustrations were published in 1893 in To the Other Side by Thomas Rhodes, but his first serious commission was in 1894 for The Dolly Dialogues, the collected sketches of Anthony Hope, who later went on to write The Prisoner of Zenda. Book illustrating then became Rackham's career for the rest of his life.
In 1903 he married Edyth Starkie, with whom he had one daughter, Barbara, in 1908. Rackham won a gold medal at the Milan International Exhibition in 1906 and another one at the Barcelona International Exposition in 1912. His works were included in numerous exhibitions, including one at the Louvre in Paris in 1914. Arthur Rackham died 1939 of cancer in his home in Limpsfield, Surrey.

Music by Pachelbel, 'Canon'

Achados

Gustaf Tenggreen

O Gato de Botas











Gustaf foi diretor artístico dos estúdios Disney a partir de 1936. Daí os estudos para a produção de Pinóquio. Imagens via ESTA postagem do ótimo blog francês "Illustrateurs" sobre ilustradores.


Falando em coisas antigas, que tal este "Museu dos Objetos Obsoletos" com pequenos vídeos ensinando para que serviam e como proceder com utensílios já-não-tão-úteis.

Link AQUI. Via PIX.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Telegramas

Creep (Radiohead) - Scala & Kolacny Brothers from Alex Heller on Vimeo.




Creep
(Radiohead)

When you were here before,
Couldn't look you in the eye.
You're just like an angel,
Your skin makes me cry.
You float like a feather,
In a beautiful world
I wish I was special,
You're so fucking special.

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here.

I don't care if it hurts,
I wanna have control.
I want a perfect body,
I want a perfect soul.
I want you to notice,
When I'm not around.
You're so fucking special,
I wish I was special.

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here

She's running out again,
She's running,
She run, run, run, run, run.

Whatever makes you happy,
Whatever you want.
You're so fucking special,
I wish I was special,

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here,
I don't belong here.

(vídeo Via o Mundo de K)

domingo, 11 de setembro de 2011

Achados





Seria interessante você primeiro jogar o jogo. Mas faça o que quiser. Eu não mando em você e nem você tem que me obedecer.

a) Um Not-Game

Depois do jogo baixar, clique espaço.

Use fone

Baseado no que houve durante o regime de Pol Pot no Camboja.

(Via - salvo engano - SuperPunch)

b)"A Onda" e "A Terceira Onda" (1967)

Lembro de ter assistido, quando criança, a um filme chamado "A Onda" (Provavelmente na Sessão da Tarde). A ideia deste filme parece ter sido mais "forte" que a história ou a trama. Dizia-se que era baseado em fatos reais e descrevia um... "Experimento" que pretendia demonstrar aos alunos de uma escola como o fascismo transformara as pessoas. A tal "experiência" começou a dar sinais de possuir vida própria e antes que saísse de controle o professor a interrompeu. O filme está disponível pelo youtube... dublado, inclusive.

Sei que houve uma refilmagem, desta vez se passava na Alemanha nos tempos atuais. Não assisti a este. Porém, amigos mais jovens me falaram deste, não sei se foi um filme recomendado por professores ou coisa assim.

Curioso, decidi dar uma espiada e descobri que os fatos reais inspiradores da história aconteceram durante uma semana em abril de 1967 e não foi documentado com exatidão. Apenas nove anos depois, a história foi contada. Em 1981, a história foi adaptada para um romance infanto-juvenil.

A história ficou bastante similar àquele filme de 1981: Diante da dificuldade dos alunos de entender como as pessoas na Alemanha se "deixaram levar" pelas ideias totalitárias, um professor de história decidiu realizar um "experimento" que logo saiu do controle. Ele iniciou um movimento chamado de "Terceira Onda" - uma referência não ao livro de Alvin Toffler (que aliás nem existia), mas a ideia que a terceira de uma série de ondas seria a maior e mais forte - que obteve "sucesso" em um período de tempo absurdamente curto.

Além dos verbetes do Wikipedia, existe um site sobre aquela semana de abril de 1967, com artigos e relatos dos envolvidos. Dê uma espiada.

c)Experimento de Obediência de Milgram
(1961)

Um outro experimento psicológico famoso foi levado adiante por Stanley Milgram (1933-1984). Neste experimento (citado na minissérie em quadrinhos Watchmen), os voluntários deveriam fazer algumas perguntas a outros participantes. A cada resposta incorreta, deveriam ministrar choques elétricos, cada vez mais fortes. (Segundo Alan Moore) Muitos continuaram a provocar estes choques mesmo depois de acreditarem que os sujeitos estavam mortos.

O que os voluntários desconheciam é que as tais "vítimas" não sofriam nenhuma descarga elétrica: a orientação do psicólogo é que deveriam simular dor. Dois terços dos que ligava as correntes elétricas não hesitaram em provocar os choques.

Existe bastante material em português sobre o assunto. E um vídeo em inglês (fácil de decifrar, agora sabendo da história) com uma recriação moderna do experimento para um documentário britânico de TV. Doloroso. Aqui e ali, outro documentário sobre o assunto, mas do Horizon.

d)A Prisão de Stanford (1971)

Já o experimento da Prisão de Standford (The Stanford Prison Experiment) foi levado adiante na Universidade de Standford pelo psicólogo Phillip C. Zimbardo. Ele deu uma entrevista sobre o assunto na última edição da (nº224) Mente e Cérebro , na qual afirmou: "Stanley Milgram me abraçou e disse: Obrigado por ter tirado um peso das minhas costas ao apresentar um estudo ainda mais antiético que o meu!"

(cá entre nós, pelas fotografias, Zimbardo realmente tem cara de vilão de HQ ou de séries de TV)

Estudantes voluntários foram divididos aleatoriamente em papéis de "carcereiros" e "prisioneiros". A ideia era estudar as dinâmicas e como os grupos se comportariam e se confrontariam. O próprio Zimbardo passou a se comportar mais como "Diretor" de presídio do que um cientista. Os "carcereiros" passaram a exercer seu papel de forma tão brutal que, seis dias depois de iniciado, o experimento foi suspenso.

Como a coisa se deu (e entrevistas com psicólogos, "carcereiros" e "prisioneiros") em um artigo eletrônico da própria Stanford (Via Neatorama). Encontrei este documentário da BBC sobre o assunto.

Também fizeram um filme sobre o assunto.

e)Piada de Aleister Crowley

"Aleister Crowley conta uma piada que, dizem, se entendida, tornará a magia clara como o dia"



Dois homens dividem uma cabine durante uma viagem de trem. Eles não se conhecem. Um deles tem uma caixa com pequenos furos na tampa e de vez em quando olha pelos buracos e parece conversar com o que há dentro. Curioso, o segundo homem pergunta que animal o outro leva na caixa.

-É uma fuinha.

-Uma fuinha...? Esperaria um cachorro, até mesmo um gato ou um coelho. Mas uma fuinha é um animal bastante incomum para possuir. Perdoe a intromissão, mas de onde vem sua relação com o animal?

O primeiro homem encolhe os ombros e então responde,
-Veja, na verdade, é um drama familiar... Mas creio que posso confiar na sua discrição: esta história triste é sobre meu irmão mais velho. Ele sempre foi um problema para nós, envolvido desde cedo com bebidas... O vício o derrubou de tal forma que agora ele vive em delirius tremens, vendo cobras e serpentes por todos os lados.

-Mas... não entendo. Estas serpentes são frutos de uma ilusão; de que adianta uma fuinha contra cobras imaginárias... ?

-Ora meu amigo... A fuinha também é imaginária.




(Não está lá muito engraçada para uma piada, mas o "estilo" foi apropriada da história de Promethea de onde eu a extraí.)

Voltando ao game do item "a".









O que você fez?



(Imagem VIA)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

agosto a setembro





“O ser humano não enlouquece pelas guerras, catástrofes, desastres, epidemias; o cadarço que arrebenta todo dia na hora de amarrar os sapatos isto sim enlouquece o ser humano.”, disse certa vez um grande homem[1].

Quem respira sabe, para viver é necessário inspiração. Empenhei a vida na confecção de um cadarço resistente. Cadarço ou atacador, nada mais que uma forma simplificada de corda. A corda, nada mais que um rolo de fibras. As fibras, nada mais que materiais muito finos e alongados. Estes fios numa trança transversal e longitudinal, de forma a criar força através de sua reunião. Suas pontas podem ser chamadas de pontas- de-cadarço, ponteiras, aguilhas, agulhetas, uroboleta, unhas-dos-fios, rabos-de-capeta.

Estudei os fios e os fiapos, o cabo de aço e a teia de aranha. Investiguei a biologia do sisal e do algodão, e o método pelo qual os povos pré-colombianos teciam seus mantos. Da Amazônia, trouxe pés de cipoeira-brava, de liana-vermelha, figueira de sete caudas, plantei-os em vasos do meu apartamento. Pelo meu quarto voejam borboletas e mariposas nascidos em minha coleção de casulos de seda. Na mesa da cozinha, experimentei os diversos nós possíveis e os encadeamentos pelos buracos, a quantidade adequada de buracos, cheguei a 118 formas de entrelaçar, das quais selecionei 25, entre elas o nó direto, o francês, o corrediço, o zigue-zague americano, a volta do fiel, o ostromo e o górdio. Na área de serviço, criei amostras caseiras de polímeros, do poliéster, da poliamida, da policarbamida, do poliuretano elastomérico. Descobri casualmente a decomposição das diaminas pelos raios ultravioleta quando esqueci as fibras no varal. Cheguei perto, muito perto.

O grande homem envelheceu. Agora aposentado, caminhava todo final de tarde pelo calçadão. Faz bem ao coração; para a cabeça, faz bem olhar a bundinha geralmente inalcançável das adolescentes. Ele sentado no banco parecia um senhor comum. Fazia frio naquela tarde, a praia meio deserta, e eu me aproximei reverente. O grande homem continuava sendo grande, mesmo velho, gordo, acomodado e pelancudo, mesmo na esperada ausência de grandeza. Contei-lhe meu projeto, como me inspirara, como me dera um objetivo.

O grande (velho, gordo, acomodado e pelancudo) homem riu. Primeiro, lembrou que as pessoas têm forças e disposições diferentes; aquilo que era resistente para uma, não seria para todas. Segundo, de que valeria um cadarço indestrutível se não o fossem os aros por onde ele se entrelaça ou as ponteiras que os reúnem? Terceiro, o custo de um atacador inquebrantável jamais poderia ser superior ao do próprio sapato. Quarto, e aqueles que andam de chinelos e enlouquecem ao se soltar as tiras? Quinto, criaram o velcro e hoje o homem enlouquece por não mais se arrebentarem os cadarços. Escutei tudo com atenção. Até ele terminar, o sol havia se posto e as ondas batiam nas pedras. Era dia de semana, estava frio. Eu o estrangulei com meu protótipo. Conforme esperado, funcionou à contento.





In virgine mulieres et fugitivi et compediti
Em Virgem, as mulheres, os fugitivos e aqueles que têm os pés atados

(39, 10) Satiricon, Petronius
[2]


[1] Se não me engano, a frase original é do Bukowski

[2] Este conto não teria sido construído sem o generoso auxílio do google










(.)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

o medo







Baixaram uma lei proibindo os animais no circo. Não houve um clamor público em favor da classe dos domadores, nem mesmo defenderam os mansos, que, sem lugar para viver, foram encaminhados a zoológicos pelo interior ou abandonados em terrenos baldios e quintais, elefantes, macacos, ursos, tigres e leões revirando lixo. Apenas os cavalos tiveram melhor sorte e foram encaminhados ao circuito de Rodeios, este devidamente defendido por Deputados Distritais da Associação de Peões e Vaqueiros do Centro-Oeste.

O circo bem que tentou sobreviver com os equilibristas, os malabaristas, trapezistas, palhaços, a mulher gorda, o mágico e todos os demais heróis do entretenimento mambembe. Porém, o Ministério do Lazer e Diversões só oficializou um cenário que há muito se insinuava. Observem: primeiro, a Mulher Gorda mereceu a visita do Associação de Defesa dos Ampliados Horizontalmente. Em seguida, os Anões foram levados pelo Grupo de Assistência dos Portadores do Nanismo (Apelidados, que ninguém nos ouça, de Confederação dos Jogadores de Pebolim). Os malabaristas barrados por não terem registro na Ordem Federal dos Malabaristas. Os contorcionistas emigraram para outros países, mais flexíveis no Código de Segurança no Trabalho. Inclusive os palhaços... Desistiram de romper a barreira dos displays luminosos nas mãos da pequena plateia a brincar com joguinhos coloridos. Foram deixando o circo, à medida que passavam em concursos públicos ou assumiam cargos eletivos.

Restou uma família de equilibristas. Esticaram uma corda entre dois paus na praça da rodoviária e se apresentavam ali. Não havia lona e se arriscavam sob as ventanias e a teimosia dos pombos que ali descansavam. Durava uns cinco minutos e só. O menino recolhia moedas numa cartola velha.

Hoje não estão mais lá. Não se sabe bem o que rolou, apareceu o marido da outra, puxou a arma e disparou lá em cima. O pai caiu que nem passarinho. A mãe largou a vida de artista e lava e passa para pagar a educação dos filhos, que vivem sozinho no barraco perto do rio.

O filho tem medo de sair de casa. Ele diz que o mundo virou corda bamba.



(B.Baruq)



(Imagem DAQUI, de Jon Rafman, um artista que coletou fotos do Google Street View. Explicações AQUI)