quarta-feira, 31 de agosto de 2011

o medo







Baixaram uma lei proibindo os animais no circo. Não houve um clamor público em favor da classe dos domadores, nem mesmo defenderam os mansos, que, sem lugar para viver, foram encaminhados a zoológicos pelo interior ou abandonados em terrenos baldios e quintais, elefantes, macacos, ursos, tigres e leões revirando lixo. Apenas os cavalos tiveram melhor sorte e foram encaminhados ao circuito de Rodeios, este devidamente defendido por Deputados Distritais da Associação de Peões e Vaqueiros do Centro-Oeste.

O circo bem que tentou sobreviver com os equilibristas, os malabaristas, trapezistas, palhaços, a mulher gorda, o mágico e todos os demais heróis do entretenimento mambembe. Porém, o Ministério do Lazer e Diversões só oficializou um cenário que há muito se insinuava. Observem: primeiro, a Mulher Gorda mereceu a visita do Associação de Defesa dos Ampliados Horizontalmente. Em seguida, os Anões foram levados pelo Grupo de Assistência dos Portadores do Nanismo (Apelidados, que ninguém nos ouça, de Confederação dos Jogadores de Pebolim). Os malabaristas barrados por não terem registro na Ordem Federal dos Malabaristas. Os contorcionistas emigraram para outros países, mais flexíveis no Código de Segurança no Trabalho. Inclusive os palhaços... Desistiram de romper a barreira dos displays luminosos nas mãos da pequena plateia a brincar com joguinhos coloridos. Foram deixando o circo, à medida que passavam em concursos públicos ou assumiam cargos eletivos.

Restou uma família de equilibristas. Esticaram uma corda entre dois paus na praça da rodoviária e se apresentavam ali. Não havia lona e se arriscavam sob as ventanias e a teimosia dos pombos que ali descansavam. Durava uns cinco minutos e só. O menino recolhia moedas numa cartola velha.

Hoje não estão mais lá. Não se sabe bem o que rolou, apareceu o marido da outra, puxou a arma e disparou lá em cima. O pai caiu que nem passarinho. A mãe largou a vida de artista e lava e passa para pagar a educação dos filhos, que vivem sozinho no barraco perto do rio.

O filho tem medo de sair de casa. Ele diz que o mundo virou corda bamba.



(B.Baruq)



(Imagem DAQUI, de Jon Rafman, um artista que coletou fotos do Google Street View. Explicações AQUI)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Telegrama

Road to nowhere




Well we know where we're going, but we dont know where we've been
and we know what we're knowing, but we can't say what we've seen
and we're not little children, and we know what we want
and the future is certain, give us time to work it out

yeah

we're on a road to nowhere, come on inside
we'll take that ride to nowhere, we'll take that ride
feeling ok this morning, and you know
we're on a road to paradise, here we go, here we go

we're on a ride to nowhere, come on inside
taking that ride to nowhere, we'll take that ride
maybe you want me while i'm here, i dont care
even when time isnt on our side, i'll take you there, take you there

we're on a road to nowhere
we're on a road to nowhere
we're on a road to nowhere

there's a city in my mind so come on and take the ride, and it´s all right,
baby it´s all right

and it´s very far away, but it´s going day by day and it´s all right,
baby it´s all right

would you like to come along? you can help me sing this song and it´s all right,
baby it´s all right

they can tell you what to do, oh God they'll make a fool of you, and it´s all right, baby it´s all right

there's a city in my mind so come on and take the ride, and it´s all right,
baby it´s all right

and it´s very far away, but it´s going day by day and it´s all right,
baby it´s all right

would you like to come along? you can help me sing this song and it´s all right, baby it´s all right

they can tell you what to do, oh God they'll make a fool of you,and it´s all right, baby it´s all right

we're on a road to nowhere
we're on a road to nowhere
we're on a road to nowhere
we're on a road to nowhere

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Achados


(Imagem de Phil Kirkland, via 50 Watts)


a)Como seria a Terra, se ela tivesse anéis como Saturno?
Em inglês, AQUI. Mas há um video como o anel seria visto de lugares diferentes pelo mundo: Equador, Rio, Paris, Austrália, etc. (Via Neatorama)

Neste ótimo blog de "biologia especulativa", o Furahan Biology, algumas considerações e especulações sobre a influência dos anéis sobre o clima, baseado no quadrinho de Bourgeon e Lacroix, o Ciclo de Cyann (Acho que chegou a sair em Portugal, cito de memória). AQUI e AQUI


b)Bons links pra investigar as mentiradas que a gente vê na Internet
Em inglês, tem o Snopes E, em português: o Quatro Cantos


c)50 Watts
Via o Coisas ("Parece impossível mas há gente que ainda não conhece o 50 Watts, o ex-A Journey Round My Skull.") do Arco da Velha

d)A Vida é um Espasmo Cósmico no Sopro do Universo
Visita ao Palácio Subterrâneo do LSD de Gordon Todd Skinner


Strippers góticas e de rosto meigo, agentes duplos, sequestro, gênios da química, ciúmes, paranoia, um antigo silo de mísseis servindo de fábrica de LSD... Uma história policial hiperrealista. Via Vice.

e)Farra dos Remédios

Ainda sobre drogas, mas desta vez as "legais" nem tão legais assim. Leiam na Piauí deste mês (nº59) o artigo "A Epidemia de Doença Mental", escrito pela médica e escritora Marcia Angell (originalmente para a New York Review of Books).

Trecho:

"
Quando se descobriu que as drogas psicoativas afetam os níveis de neurotransmissores, surgiu a teoria de que a causa da doença mental é uma anormalidade na concentração cerebral desses elementos químicos, a qual é combatida pelo medicamento apropriado.

Por exemplo: como o Thorazine diminui os níveis de dopamina no cérebro, postulou-se que psicoses como esquizofrenia são causadas por excesso de dopamina. Ou então: tendo em vista que alguns antidepressivos aumentam os níveis do neurotransmissor chamado serotonina, defendeu-se que a depressão é causada por escassez de serotonina. Antidepressivos como o Prozac ou o Celexa impedem a reabsorção de serotonina pelos neurônios que a liberam, e assim ela permanece mais nas sinapses e ativa outros neurônios. Desse modo, em vez de desenvolver um medicamento para tratar uma anormalidade, uma anormalidade foi postulada para se adequar a um medicamento.

Trata-se de uma grande pirueta lógica (...). Era perfeitamente possível que as drogas que afetam os níveis dos neurotransmissores pudessem aliviar os sintomas, mesmo que os neurotransmissores não tivessem nada a ver com a doença. (...) [Seguindo este princípio,] se poderia dizer que as febres são causadas pela escassez de aspirina.

Mas o principal problema com essa teoria é que, após décadas tentando prová-la, os pesquisadores ainda estão de mãos vazias. (...) Antes do tratamento, a função dos neurotransmissores parece ser normal nas pessoas com doença mental. (...) Antes do tratamento, os pacientes diagnosticados com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos não sofrem nenhum "desequilíbrio químico". No entanto, depois que uma pessoa passa a tomar medicação psiquiátrica, que perturba a mecânica normal de uma via neuronal, seu cérebro começa a funcionar... anormalmente.
"

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Telegrama




Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.



(Pintura: Nirvana, de Taner Ceylan)

domingo, 14 de agosto de 2011

Achados




Dilemas de pais


a)O Império da Verdade, por Bráulio Tavares

Trecho:

"Corolário: existem verdades factuais (coisas concretas que aconteceram e que podem ser comprovadas por testemunhas independentes), verdades intelectuais (coisas que, argumentadas, fazem sentido, mas existem apenas no plano das idéias e não podem ter comprovação material, nem precisam) e verdades afetivas, as mais difíceis de definir, mas que exercem talvez a maior pressão sobre as decisões que tomamos."


b)Brás Cubas e o gene do amadurecimento precoce, por Joca Reiners Terron

Trecho:

"Com a mudança hormonal, minha filha também mudou de hábitos. A principal mudança está relacionada ao uso do celular. Se antes ela atendia minhas ligações, agora não as atende mais. O diálogo secou, murchou, virou uma estática interrompida por interjeições monossilábicas pelas quais cobram 1 real o minuto. É um preço caro demais, esse.

Outros hábitos, entretanto, se mantêm. Um deles é a leitura de livros adiantados à sua faixa etária. O único culpado dessas leituras antecipadas sou eu, e acho justo que seja justamente eu a pagar o pato da incomunicabilidade atual.

Ao adiantar as leituras da Julia, eu me rebelava contra a chatice dos livros que lhe eram impostos na escola. Ao mesmo tempo, sem saber, inventava o chip que lhe extirparia a inocência. É claro que ler livros inadequados para uma determinada idade fornece apenas, digamos, o arcabouço teórico da existência, pois a dor prática sempre bate alguns palmos abaixo de onde fica o cérebro."


c)Pequenas Trapaças, por Aldo Quiroga

Trecho:

"Desde sempre temos um pacto por aqui: as coisas devem ser ditas como elas são. Claro que as adaptações se fazem necessárias, seja pela idade dos pequenos, seja pelo adiantado da hora. Mas o que chamo aqui de “pequenas trapaças” aparece em questões que não são aquelas vitais, que formarão o caráter. São aquelas coisas que tem mais a ver com a nossa sobrevivência."




(Imagem - via Caprichos de Cómic - Frederik Peeters. Segundo Raquel Cozer, Peeters será publicado no Brasil pela editora Tordesilhas, ilustrando o quadrinho Castelo de Areia. Mas ainda não é Blue Pills - conta a história de seu relacionamento com uma garota soropositivo nem Lupus, um "road movie" interplanetário.)

Telegramas



Um par


Mesmo quando ele consegue o que ele quis
Quando tem, já não quer
Acha alguma coisa nova na TV
O que não pode ter

Deixa de gostar
Larga a mão do que ele já tem
Passa então a amar
Tudo aquilo que não ganhou

Dê motivo pra outra vez acreditar
Na cascata da vez
Que você comprou assim, 0+10
Um presente pra mim

Mas se eu perguntar
De onde veio esse agrado
Você vai gritar
Diz que é homem feito, 'sei não
Aah, faça-me o favor

Diga ao menos o que foi
E se eu faltei em te explicar
Diz que a gente sempre foi
Um par

Sai domingo diz que é o dia de jogar
Mas que jogo, eu não sei
Fica até segunda o dia clarear
E troféu não se vê

Entra sem falar
Sai correndo e volta outra vez
Sem cumprimentar
Nem parece aquele

Eu rezo a Deus do céu
Alguém no chão
Diga-me o que foi que eu deixei faltar
O que eu não consigo entender
Como é que meu filho não é tão diferente assim de mim
Me faz entender

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Achados



(Via CONTRA)


a)Film noir photos

b)Susannah Breslin: jornalista e blogueira. Melhor blog de 2008, segundo Time.com.

Bom, esta moça desenvolveu alguns projetos bem interessantes, como estes: "Cartas de putos", "Cartas de mulheres trabalhadoras - no caso, trabalhadoras da indústria do sexo" e "Cartas de homens que veem pornografia". Há também um site contando a decadência da indústria pornográfica depois da recessão, internet e etc. Fora estes mais "picantes", temos "The War Project", com histórias dos veteranos do Iraque e do Afeganistão. Tudo em inglês. Sorry.

Apesar disso tudo, ela andava procurando emprego um tempo destes...

c)Retratos de pessoas que levaram picadas de cobra.


d)Pratinho de Couratos:
é o blog com postagens longas, verborrágicas e entupidas de linkagens do português Táxi Pluvioso.

Eis algumas das coisas que você pode encontrar por lá.

Conhece a esposa de Neil Gaiman? Não?

"Map of Tasmania (...) site. Amanda Fucking Palmer: “acho que a intriga deliberada não é o meu forte. Vou deixar isso para a PJ Harvey”, pianista, vocalista, compositora do duo Dresden Dolls e uma metade do duo Evelyn Evelyn. Casada com o escritor Neil Gaiman. Amanda regressou à sua ex-escola, a Lexington High School, para a peça “With the Needle That Sings in Her Heart”, inspirada por “In the Aeroplane Over the Sea” dos Neutral Milk Hotel, e organizada com os alunos do departamento de teatro deste liceu.  “Leeds United” ۞ “Oasis”: “história fictícia de uma fã dos Oasis e vítima de violação que faz um aborto” que todas as televisões inglesas recusaram transmitir."

ou ainda

"
Viagens penianas: “a maioria dos pénis pintados nas casas ou suspensos dos telhados no Butão são maiores que as pessoas”. No Japão, “é Primavera e isso significa uma coisa. Na verdade, duas coisas. Festivais de pénis e festivais de vaginas”: o Kanamara Matsuri (“festival do falo de aço”) e vaginas no santuário de Oogata Jinja.
"

VIsite com tempo e vontade de fuçar.

e)Neil Gaiman me lembrou Delírio que me lembrou Tori Amos.

Versão de Tori para "Smell like teen spirit"

Uma melhor da Patti Smith.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Telegrama


Desligue-se de tudo.



(este post dependeu quase que completamente DESTE do "Livro e Afins")

a)Antes

" No entanto, a nossa cabeça é, durante a leitura, apenas uma arena de pensamentos alheios. Quando eles se retiram, o que resta? Em conseqüência disso, quem lê muito e quase o dia todo, mas nos intervalos passa o tempo sem pensar nada, perde gradativametne a capacidade de pensar por si mesmo – como alguém que, de tanto cavalgar, acabasse desaprendendo a andar. Mas é este o caso de muitos eruditos: leram até ficarem burros. Pois a leitura contínua retomada de imediato a cada momento livre, imobiliza o espírito mais do que o trabalho manual contínuo, já que é possível entregar-se a seus próprios pensamentos durante esse trabalho. Assim como uma mola acaba perdendo sua elasticiadade pela pressão incessante de outro corpo, o espírito perde a sua pela imposição constante de pensamentos alheios. E, assim como o excesso de alimentação faz mal ao estômago e dessa maneira acaba afetando o corpo todo, também é possível, com excesso de alimento espiritual, sobrecarregar e sufocar o espírito. Pois, quanto mais se lê, menor a quantidade de marcas deixadas no espírito pelo que foi lido: ele se torna como um quadro com muitas coisas escritas sobre as outras. Com isso não se chega à ruminação: mas é só por meio dela que nos apropriamos do que foi lido, assim como as refeições não nos alimentam quando comemos, e sim quando digerimos. Em contrapartida, se alguém lê continuamente, sem parar para pensar, o que foi lido não cria raízes e se perde em grande parte. Em todo caso, com o alimento espiritual ocorre a mesma coisa que com o corporal: só a qüinquagésima parte do que alguém absorve é assimilada, o resto se perde pela transpiração, respiração e, assim por diante.

Além de tudo, os pensamentos postos em papel não passam, em geral, de um vestígio deixado na areia por um passante: vê-se bem o caminho que ele tomou, mas para saber o que ele viu durante o caminho é preciso usar os próprios olhos."

(Schoppenhauer, A Arte de Escrever)

b)Agora

Sobre os perigos da leitura
(trecho. Clique AQUI para ler tudo)
Rubem Alves


Nos tempos em que eu era professor da Unicamp, fui designado presidente da comissão encarregada da seleção dos candidatos ao doutoramento, o que é um sofrimento. Dizer "esse entra, esse não entra" é uma responsabilidade dolorida da qual não se sai sem sentimentos de culpa. Como, em 20 minutos de conversa, decidir sobre a vida de uma pessoa amedrontada? Mas não havia alternativas. Essa era a regra. Os candidatos amontoavam-se no corredor recordando o que haviam lido da imensa lista de livros cuja leitura era exigida. Aí tive uma idéia que julguei brilhante. Combinei com os meus colegas que faríamos a todos os candidatos uma única pergunta, a mesma pergunta. Assim, quando o candidato entrava trêmulo e se esforçando por parecer confiante, eu lhe fazia a pergunta, a mais deliciosa de todas:

"Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar!". Pois é claro! Não nos interessávamos por aquilo que ele havia memorizado dos livros. Muitos idiotas têm boa memória. Interessávamo-nos por aquilo que ele pensava. O candidato poderia falar sobre o que quisesse, desde que fosse aquilo sobre o que gostaria de falar. Procurávamos as idéias que corriam no seu sangue! A reação dos candidatos, no entanto, não foi a esperada. Aconteceu o oposto: pânico. Foi como se esse campo, aquilo sobre que eles gostariam de falar, lhes fosse totalmente desconhecido, um vazio imenso. Papaguear os pensamentos dos outros, tudo bem. Para isso, eles haviam sido treinados durante toda a sua carreira escolar, a partir da infância. Mas falar sobre os próprios pensamentos —ah, isso não lhes tinha sido ensinado! Na verdade, nunca lhes havia passado pela cabeça que alguém pudesse se interessar por aquilo que estavam pensando.


(Estátuas de Banksy)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Achados


a)Memórias
Deu na revista Piauí nº55: Longo trecho do livro de memórias de Persio Arida, um ex-revolucionário que virou banqueiro (odeio resumir assim as pessoas, mas é o sacrifício da comunicação...)

Muito bom. Descreve além do seu envolvimento (e posterior afastamento) com o movimento estudantil, o relacionamento com os pais, a prisão, a tortura. Um dos trechos que mais gostei foi o mesmo que Michel Laub destacou em seu blog, Sobre a Vergonha AQUI.

As questões sobre a tortura levaram a um artigo-réplica de um coronel reformado do Exército, um certo Ostra. Não sei onde o texto foi publicado, mas há uma postagem AQUI com o texto.

Arida respondeu a este artigo (grato Caio). Achei AQUI. De lá só extraio o finalzinho:

"
Estivemos em lados opostos, coronel. Eu deixei de ser comunista ou socialista há muito tempo.


Mas, se tivesse que escolher entre ser um jovem idealista, mas equivocado, ou o chefe da Operação Bandeirantes, eu preferiria ter sido quem fui, mesmo que tivesse que ser preso de novo. Eu não suportaria a vergonha de ter comandado uma casa de torturas.
"


b)Revolução
Para contrapor a visão madura e ponderada do longo texto de Persio Arida leia a entrevista cheia de tesão e vigor com alguém menos velho: Julian Assange na Trip, AQUI.


c)Panopticum
Trecho da coluna Antivírus, de André Caramuru Aubert, na Revista Trip nº199. Para ler tudo clique AQUI.

"O filósofo francês Michel Foucault morreu em 1984, quando a microinformática ainda era incipiente, não se falava em internet e os telefones celulares estavam no jardim da infância. Portanto, quando publicou seus textos sobre os mecanismos do poder (e do controle) e de como Estados e empresas modernos os aplicaram, o mundo ainda não apresentara, para ele, as maravilhas da tecnologia digital. É curioso imaginar como ele teria reagido diante das novidades, e o que teria dito aos que continuam a acreditar nas tecnologias digitais como ferramentas “libertadoras”.

O universo de interesses de Foucault era amplo: passava por prisões, medicina, escolas, governo, sexualidade, urbanismo, arquitetura, entre outros. Mas, no fim das contas, tudo girava em torno da questão do Poder, ou do seu irmão gêmeo, o Controle. E “controlar” pressupõe “olhar”. É por isso que Foucault “gostava” tanto do pan-óptico, o projeto de presídio criado pelo filósofo inglês Jeremy Bentham em 1791, que trocava as escuras masmorras medievais, ocultas nos subsolos dos castelos, por uma estrutura circular, onde os presos podiam ser facilmente vistos o tempo todo, a partir do centro, sem nunca saber quando estavam sendo observados. Sobre sua criação, Bentham disse que era “um novo modo de obter o poder da mente sobre a mente, de uma forma jamais vista antes”. Ele não estava exagerando. O pan-óptico acabou influenciando projetos tão distintos quanto fábricas, quartéis e traçados urbanos. Em todos esses casos, a ideia era controlar, com eficiência, determinado espaço.

E hoje, quando o espaço se dissolveu em algo obscuro que chamamos de ciberespaço, será que o projeto de Bentham envelheceu? Como ficamos, nesses tempos em que se pode estar em todos os lugares sem sair do lugar? Em que olhar e ser olhado se transformaram em obsessão? Quando o Poder tem à sua disposição, mais do que nunca, ferramentas supereficientes para seguir, olhar e controlar? E não me refiro a um controle do tipo óbvio, como o das ditaduras mumificadas que estão desabando, uma a uma, nos países árabes. Nos nossos tempos de “Sorria, você está sendo filmado” (e ouvido, e rastreado), o pan-óptico está mais vivo do que nunca. Mais do que na forma, no conceito, exatamente da maneira como Foucault o interpretou. Pois o que Bentham se propunha a fazer, no fim das contas, ao trocar o chicote pelo olhar, era tornar o controle mais sutil e eficaz."


Para o Panóptico, clique AQUI ou AQUI. Existe também um álbum de histórias em quadrinhos do suíco Thomas Ott chamado Panopticum. Encontrei duas histórias de Ott compiladas em vídeo. Segue abaixo.



Thomas Ott : G.O.D. & Goodbye por My-Name-is-Bruce

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Telegrama




A resolução tá horrível, mas ficou muito bom: edição de um fã para GO!, do Tones on tail (ou "toil", se preferir) + spanking.

Como observou um "comentarista": "Feito com amor, apesar do nome errado".

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Achados





a)Farrazine 22


"Desta vez, entrevistamos o André Dahmer (na verdade, o mini-dahmer) e ainda conversamos com o Leo, autor de uma das bedês mais aclamadas na Europa (Aldébaran), e falamos sobre ditadura, quadrinhos, política e etc...

Conheça um pouquinho do Estúdio Vejo em Cores de Bianca e Adam num bate-papo bem pessoal e delicie-se com a HQ Furry dos nossos novos companheiros Guilherme de Sousa e Thaís Leal!

Temos ainda a volta de Nano Falcão com matérias bombásticas, a coluna do Filipêra (Nerds Somos Nozes), um conto com a personagem Garen de Rita Maria Félix da Silva, terceiro e quarto capítulos da HQ Cidade Nua de Snuckbinks e Rafael Camargo (Que ainda assina Aulas de Roteiro), música com Red Baron e Fernando Schittini e contos escritos pelo sempre sagaz Hiro.

E nossa amiga Paloma Diniz trouxe uma superentrevista com o desenhista David Lloyd, além de duas matérias sobre os quadrinhos nacionais!"




b)Cursos Oficina de Escrita Criativa
Informações e inscrições AQUI
Professores: Alessandra Porro, Carlos Rennó, Hélio de Almeida, Julia Alquéres, Luiz Antonio de Assis Brasil, Nanete Neves, Neide Duarte, Pedro Carvalhaes Cherto, Renato Modesto, Rodrigo Lacerda, etc

c)Cursos Prática de Criação Literária
Informações e inscrições AQUI
Professores: Andrea del Fuego, Claudia Vasconcellos, Marcelo Maluf, Nelson de Oliveira, Marne Lucio Guedes, Edson Cruz, Marcelino Freire, Luís Eduardo Marra, etc

d)Cursos de Segundo Semestre na Quanta Academia de Artes (Via Universo HQ)
Informações e inscrições AQUI
"Arte-final para HQs de Super-Heróis, por José Wilson Magalhães; Desenvolvimento de Projetos Autorais: Histórias Longas, com Rafael Coutinho; Ilustração Infantil Editorial, por Al Stefano; e Roteiro para Quadrinhos, com André Diniz."


(Imagem Fonte Felidae/Villaintine)

Telegrama

a)
Três (possíveis) motivos para a internet mudar a literatura




Por Michel Laub
(Escrito a partir de conversas com Emilio Fraia)

"Leitura – É quase consenso que muito mais gente lê hoje que há dez ou quinze anos, e que na maioria dos casos são leituras dispersas, superficiais. Ficou mais difícil enfrentar um romance extenso, e praticamente impossível fazê-lo com exclusividade, ao longo de meses, com as pausas, voltas e reflexões que uma experiência do gênero exige, ou costumava exigir. Essa dispersão progressiva sempre existiu, mas em geral se dava com a idade: o grosso das leituras descompromissadas, e portanto realmente formativas, acontecia da adolescência/início da vida adulta até a fase em que tudo fica mais difícil por causa de trabalho, família, outros interesses. Tenho dúvidas se o período de concentração inicial ainda existe, ao menos para o número relevante de leitores que forma a base do chamado sistema literário. O mais provável é que não: o pensamento e gosto estético do futuro serão ditados por gente que já começou a vida intelectual imerso na fragmentação e na interatividade típicas da cultura digital. Mudando a forma como se lê, muda a forma como se escreve: não só porque o escritor é antes de tudo um leitor – dos outros e de si mesmo –, mas porque é a tal base que determina as convenções literárias de uma época – que às vezes se adaptam aos autores, é verdade, mas na maioria das vezes fazem com que os autores se adaptem a elas.

Escrita – Apesar do discurso comum entre escritores que se criaram na internet – o de que ela seria apenas meio, instrumento –, não dá para desprezar o impacto que uma década de emails, posts sem mediação de editores e conversas on line teve sobre o texto em geral. Achar que essa linguagem do dia-a-dia não terá influência na maneira como produzimos ficção é o mesmo que desprezar a influência da fala nas mudanças da norma culta. Uma possibilidade: que tenhamos menos paciência com a prosa de feição “literária” – num ritmo mais lento, usando verbos no mais que perfeito e coisas assim – do que com a tentativa de reprodução do discurso oral – mais rápido, menos preocupado com o polimento das frases, mais aberto a imperfeições de sintaxe. Ou o contrário: que a escrita “obsoleta” soe mais original, justamente porque diversa dos timbres, tons e inflexões ouvidos a toda hora e em todo lugar.

Intimidade – Conceito que não mudou com o surgimento de blogs e redes sociais, mas teve seu eixo deslocado: há quinze anos, soariam ridículas práticas comuns hoje, como a do artista alardear uma crítica favorável a uma obra sua, ou a de se ter longas conversas privadas em público, ou a de se compartilhar opiniões sobre qualquer assunto. Nos acostumamos com esse tipo de exposição – a ideia de que, para existir, tudo deve ser mostrado e comentado –, e talvez nem mais a consideremos falta de decoro, mas a linha entre o que é íntimo e não é segue existindo. É o que está do outro lado dela que buscamos quando escrevemos ou lemos um autor – quem ele é de fato, como pensa para além das regras do seu tempo e das próprias travas morais, mesmo que isso apareça em histórias descoladas de sua biografia. A impressão é que um nível de revelações mais raso, antes aceitável por funcionar como entrada no universo desconhecido desse autor – entidade então misteriosa e hoje acessível por um simples email ou consulta ao Google ou Facebook –, tornou-se insuficiente para que um texto atinja a densidade que diferencia a literatura do mero relato. Pode-se argumentar que sempre foi assim, mas há uma mudança de grau aí: no que se diz e na forma como isso é dito será preciso ainda mais esforço para construir algo além do testemunho ou experiência pessoal, uma exigência que torna ainda mais duro – e mais compensador quando o resultado é positivo – o caminho para se transmitir a quem lê a verdade de quem escreve."


b)
O que é um livro?


por Deb Olin Unferth.

"
O livro está de saída, me dizem. A era do livro acabou, o grande dragão está se dirigindo ao horizonte, para fora de vista, morrendo. Estou tentando entender o que isso quer dizer. A palavra “livro” é uma abstração quando usada assim e pode significar todo tipo de coisas:

• O objeto, o livro ele mesmo, o dispositivo físico encadernado.
• O texto do livro, o que está entre as capas — o romance, a biografia, o grupo de poemas.
• A habilidade de escrever livros: se há menos livros, o conjunto de habilidades (parte técnica, parte arte intuitiva) requeridas para escrevê-los vai atrofiar.
• O ímpeto, o impulso autoral para articular e moldar narrativas, para puxar aquilo que está dentro da mente e botar em palavras, contar algumas mentiras a respeito, organizá-lo meticulosamente e entregá-lo a estranhos. (E tememos também perder um impulso mais geral — a necessidade de criar impressões narrativas de nós mesmos? A necessidade de criar algo que perdure, de tomar parte numa tradição?)
• O desejo coletivo pelo livro: o público e o buraco que o livro preenche no peito, seja o que for que impulsiona o leitor, uma silenciosa busca passiva de algum tipo, por sentido ou conexão, o desejo de estar ausente ou “perdido”, ou, alternativamente, um desejo de estar presente, conectado, “engajado”.
• A comunidade dos livros: os clubes de leitura, os programas de escrita criativa a AWP (Associação de Escritores e Escrita Criativa).

Quais desses estão desaparecendo com “o fim do livro”? Quais seria pior perder?
Quanto ao próprio objeto, parece de fato haver o perigo de que o livro encadernado siga o caminho de outros objetos civis datados e diminuídos: a caixa de fósforos, rolos de cabelo, filmes no drive-in — coisas que ainda existem, mas rarefeitas. Provavelmente haverá menos livros na casa das pessoas, menos em mochilas e pastas, menos livrarias.

E, sim, isso é triste, porque gostamos de livrarias e mochilas cheias de livros (até o filme no drive-in ainda mantém um lugar em nossos corações), mas você não pode se apegar a alguma coisa por puro sentimentalismo — ou pode, mas não vai funcionar. Além disso, um monte de gente nunca sequer teve livros nas suas pastas. Então no fim das contas não acho que isso vá importar muito.

E talvez o que está dentro do livro, o texto, esteja um tanto em perigo também. O formato original pensado para um romance ou um punhado de poemas foi o livro, e se o formato definha, a forma vai definhar — ou se transformar para adequar-se a seu novo meio. O e-book: seja como for que o terremoto literário afinal se acomode, se o e-book sobreviver a escrita para esses aparelhos vai assumir uma forma distinta. Além do e-book provavelmente se tornar uma espécie de dispositivo conectado à internet, em 3-D, com hologramas, raspe-e-cheire, o cérebro lê uma tela diferente do modo como lê uma página impressa, então a escrita vai se readaptar para ajustar-se à leitura em tela.

Como escritora de ficção, posso imaginar que elementos estruturais, como o ritmo, e elementos micro-estruturais, como o tamanho das frases, vão mudar, por exemplo. Então a capacidade de escrever livros poderiam também estar em perigo. A habilidade específica para escrever romances ou compor poemas poderia regredir ou mudar muito. Mas não vai desparecer completamente. Algumas pessoas ainda vão escrever livros não importa o que aconteça, porque é difícil (ao menos para mim), e seres humanos têm uma tendência a fazer coisas difíceis, ainda que sem sentido ou recompensas.

Quanto ao impulso autoral e o desejo coletivo pelo livro — o quanto tantos de nós desejamos tão intensamente dizer o que é ser nós mesmos, e como parecemos fascinados por descobrir o que nossos companheiros pensam da existência — esses não estão indo a lugar nenhum. Seja o que for que o livro faz pela Humanidade, da forma misteriosa como o faz, ainda será feito. Algumas pessoas ainda serão impelidas a representar a experiência e a buscar criativamente sentido narrativo, e outras pessoas vão preferir dedicar-se a consertar aviões ou o que seja, sem ajuda da distração existencial da arte.

E o mundo do livro? E quanto a isso? Todos editores e agentes e divulgadores e resenhistas? O que acontecerá com esse povo merecedor de emprego? Ah, essa espécie é resistente. Vão encontrar outros lugares para fazer o que fazem, apenas de maneira um pouco diferente. Eu não me preocuparia com eles.

E o ensino de escrita criativa? Qual é o sentido disso tudo? Todas essas pós-graduações em criação artística? Não, não, isso ainda é uma boa ideia. Afinal, as universidades estão cheias de cursos que já não dizem respeito a nada. Isso é triste? É uma droga, essa perda do livro-objeto, esse destronamento do ofício? Bem, para mim é uma droga, é claro. Passei muito tempo aprendendo esse ofício específico, em detrimento de todos outros Se você for lamentar o declínio do livro, lamente por pessoas como eu (e você: se você está lendo isso, provavelmente é uma dessas pessoas também). Lamente pela geração anterior à minha, e talvez por alguns dos nossos estudantes que foram bobos o bastante para acreditar quando dissemos que isso era algo de importante, nada a ver com estudar arte bizantina ou literatura francesa. Lamente por aqueles envolvidos na transição, as várias gerações que se prolongam, e por aqueles de nós que, como jovens crédulos, apostaram todas suas fichas no livro e então se tornaram tão especializados que logo qualquer outra vida estava fora do nosso alcance. Essa parte é uma droga.

Mas na maior parte não é uma droga. Outras coisas são uma droga. Pense nos bilhões de animais terrestres nascidos para serem torturados e assassinados para nosso divertimento culinário a cada ano. Redes de pesca industrial arrastam cinquenta toneladas de animais marítimos a cada puxão. Pense no desmatamento. Estamos esmagando tudo que pudermos. O livro agonizante parece algo suave em comparação, insignificante e natural e nada de inédito. Estou me tornando antiquada, e daí. Meus amigos também, e daí. Formas de arte evoluem, e suas mídias se transformam ou são substituídas. Para mim esse planeta parece um holocausto: os corpos se empilhando, a terra se enchendo de plástico e sangue, enquanto a única vida restante (nós) se arrasta pelo grande cemitério, pulsando e destruindo. Se eu for prever o futuro da narrativa (Para quê? Para que possamos olhar para nós mesmos e rir?) meu palpite é que as próximas grandes obras — seja como forem transmitidas — serão um enorme jorro de desespero e arrependimento pelo que fizemos, por nossa estupidez e egoísmo. Estaremos sentados em nosso tanque esterilizado, esfregando as janelas na esperança de ver a terra de sonho que destruímos. Estaremos escrevendo com nossas barras em nossas telas-espaciais sobre a punição que merecemos, a punição que não virá.
"


Via AQUI e ALI, no Prosa Online do Globo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Onirogrito

Ritual de lo habitual





( Não sou artista. Odeio quem se diz artista. Ou melhor, odeio quem se diz Artista. Eu não tenho, não desenvolvi, não sei se vou ter um ritual para escrever. Trabalho, tenho filhos, etc. Escrever não é meu "viver". Escrever não é viver. Assim, procuro me adaptar às circunstâncias.

Escrever no metrô funciona, desde que haja lugar para sentar (e não há mais). Computador, às vezes funciona, desde que a ideia me absorva, desde que esteja calmo. Caderno e esferográfica funcionam muito bem, quando precisa ser "jorrado". O papel propõe um ritmo.

Quando a coisa complica nos becos sem saída ou na falta de inspiração, posso ficar meses, (anos?), com a ideia na cabeça, esperando algo que a faça funcionar ou lendo coisas para alimentar, sustentar aquilo que julgo fraco.

Poesia areja, ajudou a me tirar de atoleiros. Assuntos completamente diferentes também já me ajudaram. Desenhar também funciona. Andar. Tomar banho. Dormir. Assistir TV.

Mas meu maior problema - atualmente - é ser interrompido. Se não conseguir ir até o ponto que preciso, depois é muito difícil retomar. Isto me faz escolher alguns horários complicados para escrever (o que nem sempre funciona).

Recentemente li sobre a técnica do Antonio Lobo Antunes, de deixar uma "frase em suspenso" pra continuar depois. Me pareceu uma boa. Dia destes, se der tempo, se eu puder, se eu houver algo relevante pra dizer, vou tentar.


Apaixonar-se costuma atrapalhar. Então evito.)





(Escrevi inicialmente aqui, no fórum Meia Palavra. Depois, mudei de ideia e trouxe pra cá. No blog de Michel Laub, pode-se encontrar uma compilação com as manias - ou a falta de manias - de 100 escritores brasileiros. Imagem ??? - via Popholic)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Achados




a)K.Beaton

Mordazes os quadrinhos desta moça. Muito bom. Abaixo, uma tradução descompromissada da história acima, "Mistery Solving Teens". Ela tem outras, talvez mais caprichadas e inteligentes, porém gostei desta.

DETETIVES ADOLESCENTES

Q1
Adulto: Rapazes, temos um mistério para vocês solucionarem.
Moleques: ok

Q2
Não seja mala véi, me deixa dá um pega.

Q3
Véi, você acha que dá para voltar?

Q4
hmm...Que horas são?... Ah fooooda-se, acho que já dá.

Q5
Adulto: O que vocês descobriram?
Moleques: hã... Foi o padeiro, um negócio assim.

Q6
O PADEIRO, EU SABIA!!!

Q7
SOU INOCENTE!!!!
-Pfff....



b)Livros infantis Poloneses



(Via Coisas do Arco da Velha)


c)Comic Book Cartography

Imagens de Mapas, Plantas e Diagramas em quadrinhos. Bem legal. Bastante completo e - felizmente - não se restringe ao universo "superheroístico". Sim, há plantas do satélite da Liga da Justiça, da Mansão dos Vingadores...




Este é o mapa do pântano de Pogofenokee, do clássico Pogo, de Walter Kelly.

Via The Ephemerist

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Telegrama



Venus in Furs





(Velvet Underground)


Shiny, shiny, shiny boots of leather
Whiplash girlchild in the dark
Comes in bells, your servant, don't forsake him
Strike, dear mistress, and cure his heart
Downy sins of streetlight fancies
Chase the costumes she shall wear
Ermine furs adorn the imperious
Severin, Severin awaits you there
I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years
A thousand dreams that would awake me
Different colors made of tears
Kiss the boot of shiny, shiny leather
Shiny leather in the dark
Tongue of thongs, the belt that does await you
Strike, dear mistress, and cure his heart
Severin, Severin, speak so slightly
Severin, down on your bended knee
Taste the whip, in love not given lightly
Taste the whip, now plead for me
I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years
A thousand dreams that would awake me
Different colors made of tears
Shiny, shiny, shiny boots of leather
Whiplash girlchild in the dark
Severin, your servant comes in bells, please don't forsake him
Strike, dear mistress, and cure his heart




(Muitas outras versões - Imagem ? - via tumbrl Kaliyuga Blues do Cabra Preta Daniel Pelizzari)