segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Telegrama


Desligue-se de tudo.



(este post dependeu quase que completamente DESTE do "Livro e Afins")

a)Antes

" No entanto, a nossa cabeça é, durante a leitura, apenas uma arena de pensamentos alheios. Quando eles se retiram, o que resta? Em conseqüência disso, quem lê muito e quase o dia todo, mas nos intervalos passa o tempo sem pensar nada, perde gradativametne a capacidade de pensar por si mesmo – como alguém que, de tanto cavalgar, acabasse desaprendendo a andar. Mas é este o caso de muitos eruditos: leram até ficarem burros. Pois a leitura contínua retomada de imediato a cada momento livre, imobiliza o espírito mais do que o trabalho manual contínuo, já que é possível entregar-se a seus próprios pensamentos durante esse trabalho. Assim como uma mola acaba perdendo sua elasticiadade pela pressão incessante de outro corpo, o espírito perde a sua pela imposição constante de pensamentos alheios. E, assim como o excesso de alimentação faz mal ao estômago e dessa maneira acaba afetando o corpo todo, também é possível, com excesso de alimento espiritual, sobrecarregar e sufocar o espírito. Pois, quanto mais se lê, menor a quantidade de marcas deixadas no espírito pelo que foi lido: ele se torna como um quadro com muitas coisas escritas sobre as outras. Com isso não se chega à ruminação: mas é só por meio dela que nos apropriamos do que foi lido, assim como as refeições não nos alimentam quando comemos, e sim quando digerimos. Em contrapartida, se alguém lê continuamente, sem parar para pensar, o que foi lido não cria raízes e se perde em grande parte. Em todo caso, com o alimento espiritual ocorre a mesma coisa que com o corporal: só a qüinquagésima parte do que alguém absorve é assimilada, o resto se perde pela transpiração, respiração e, assim por diante.

Além de tudo, os pensamentos postos em papel não passam, em geral, de um vestígio deixado na areia por um passante: vê-se bem o caminho que ele tomou, mas para saber o que ele viu durante o caminho é preciso usar os próprios olhos."

(Schoppenhauer, A Arte de Escrever)

b)Agora

Sobre os perigos da leitura
(trecho. Clique AQUI para ler tudo)
Rubem Alves


Nos tempos em que eu era professor da Unicamp, fui designado presidente da comissão encarregada da seleção dos candidatos ao doutoramento, o que é um sofrimento. Dizer "esse entra, esse não entra" é uma responsabilidade dolorida da qual não se sai sem sentimentos de culpa. Como, em 20 minutos de conversa, decidir sobre a vida de uma pessoa amedrontada? Mas não havia alternativas. Essa era a regra. Os candidatos amontoavam-se no corredor recordando o que haviam lido da imensa lista de livros cuja leitura era exigida. Aí tive uma idéia que julguei brilhante. Combinei com os meus colegas que faríamos a todos os candidatos uma única pergunta, a mesma pergunta. Assim, quando o candidato entrava trêmulo e se esforçando por parecer confiante, eu lhe fazia a pergunta, a mais deliciosa de todas:

"Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar!". Pois é claro! Não nos interessávamos por aquilo que ele havia memorizado dos livros. Muitos idiotas têm boa memória. Interessávamo-nos por aquilo que ele pensava. O candidato poderia falar sobre o que quisesse, desde que fosse aquilo sobre o que gostaria de falar. Procurávamos as idéias que corriam no seu sangue! A reação dos candidatos, no entanto, não foi a esperada. Aconteceu o oposto: pânico. Foi como se esse campo, aquilo sobre que eles gostariam de falar, lhes fosse totalmente desconhecido, um vazio imenso. Papaguear os pensamentos dos outros, tudo bem. Para isso, eles haviam sido treinados durante toda a sua carreira escolar, a partir da infância. Mas falar sobre os próprios pensamentos —ah, isso não lhes tinha sido ensinado! Na verdade, nunca lhes havia passado pela cabeça que alguém pudesse se interessar por aquilo que estavam pensando.


(Estátuas de Banksy)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Achados


a)Memórias
Deu na revista Piauí nº55: Longo trecho do livro de memórias de Persio Arida, um ex-revolucionário que virou banqueiro (odeio resumir assim as pessoas, mas é o sacrifício da comunicação...)

Muito bom. Descreve além do seu envolvimento (e posterior afastamento) com o movimento estudantil, o relacionamento com os pais, a prisão, a tortura. Um dos trechos que mais gostei foi o mesmo que Michel Laub destacou em seu blog, Sobre a Vergonha AQUI.

As questões sobre a tortura levaram a um artigo-réplica de um coronel reformado do Exército, um certo Ostra. Não sei onde o texto foi publicado, mas há uma postagem AQUI com o texto.

Arida respondeu a este artigo (grato Caio). Achei AQUI. De lá só extraio o finalzinho:

"
Estivemos em lados opostos, coronel. Eu deixei de ser comunista ou socialista há muito tempo.


Mas, se tivesse que escolher entre ser um jovem idealista, mas equivocado, ou o chefe da Operação Bandeirantes, eu preferiria ter sido quem fui, mesmo que tivesse que ser preso de novo. Eu não suportaria a vergonha de ter comandado uma casa de torturas.
"


b)Revolução
Para contrapor a visão madura e ponderada do longo texto de Persio Arida leia a entrevista cheia de tesão e vigor com alguém menos velho: Julian Assange na Trip, AQUI.


c)Panopticum
Trecho da coluna Antivírus, de André Caramuru Aubert, na Revista Trip nº199. Para ler tudo clique AQUI.

"O filósofo francês Michel Foucault morreu em 1984, quando a microinformática ainda era incipiente, não se falava em internet e os telefones celulares estavam no jardim da infância. Portanto, quando publicou seus textos sobre os mecanismos do poder (e do controle) e de como Estados e empresas modernos os aplicaram, o mundo ainda não apresentara, para ele, as maravilhas da tecnologia digital. É curioso imaginar como ele teria reagido diante das novidades, e o que teria dito aos que continuam a acreditar nas tecnologias digitais como ferramentas “libertadoras”.

O universo de interesses de Foucault era amplo: passava por prisões, medicina, escolas, governo, sexualidade, urbanismo, arquitetura, entre outros. Mas, no fim das contas, tudo girava em torno da questão do Poder, ou do seu irmão gêmeo, o Controle. E “controlar” pressupõe “olhar”. É por isso que Foucault “gostava” tanto do pan-óptico, o projeto de presídio criado pelo filósofo inglês Jeremy Bentham em 1791, que trocava as escuras masmorras medievais, ocultas nos subsolos dos castelos, por uma estrutura circular, onde os presos podiam ser facilmente vistos o tempo todo, a partir do centro, sem nunca saber quando estavam sendo observados. Sobre sua criação, Bentham disse que era “um novo modo de obter o poder da mente sobre a mente, de uma forma jamais vista antes”. Ele não estava exagerando. O pan-óptico acabou influenciando projetos tão distintos quanto fábricas, quartéis e traçados urbanos. Em todos esses casos, a ideia era controlar, com eficiência, determinado espaço.

E hoje, quando o espaço se dissolveu em algo obscuro que chamamos de ciberespaço, será que o projeto de Bentham envelheceu? Como ficamos, nesses tempos em que se pode estar em todos os lugares sem sair do lugar? Em que olhar e ser olhado se transformaram em obsessão? Quando o Poder tem à sua disposição, mais do que nunca, ferramentas supereficientes para seguir, olhar e controlar? E não me refiro a um controle do tipo óbvio, como o das ditaduras mumificadas que estão desabando, uma a uma, nos países árabes. Nos nossos tempos de “Sorria, você está sendo filmado” (e ouvido, e rastreado), o pan-óptico está mais vivo do que nunca. Mais do que na forma, no conceito, exatamente da maneira como Foucault o interpretou. Pois o que Bentham se propunha a fazer, no fim das contas, ao trocar o chicote pelo olhar, era tornar o controle mais sutil e eficaz."


Para o Panóptico, clique AQUI ou AQUI. Existe também um álbum de histórias em quadrinhos do suíco Thomas Ott chamado Panopticum. Encontrei duas histórias de Ott compiladas em vídeo. Segue abaixo.



Thomas Ott : G.O.D. & Goodbye por My-Name-is-Bruce

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Telegrama




A resolução tá horrível, mas ficou muito bom: edição de um fã para GO!, do Tones on tail (ou "toil", se preferir) + spanking.

Como observou um "comentarista": "Feito com amor, apesar do nome errado".

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Achados





a)Farrazine 22


"Desta vez, entrevistamos o André Dahmer (na verdade, o mini-dahmer) e ainda conversamos com o Leo, autor de uma das bedês mais aclamadas na Europa (Aldébaran), e falamos sobre ditadura, quadrinhos, política e etc...

Conheça um pouquinho do Estúdio Vejo em Cores de Bianca e Adam num bate-papo bem pessoal e delicie-se com a HQ Furry dos nossos novos companheiros Guilherme de Sousa e Thaís Leal!

Temos ainda a volta de Nano Falcão com matérias bombásticas, a coluna do Filipêra (Nerds Somos Nozes), um conto com a personagem Garen de Rita Maria Félix da Silva, terceiro e quarto capítulos da HQ Cidade Nua de Snuckbinks e Rafael Camargo (Que ainda assina Aulas de Roteiro), música com Red Baron e Fernando Schittini e contos escritos pelo sempre sagaz Hiro.

E nossa amiga Paloma Diniz trouxe uma superentrevista com o desenhista David Lloyd, além de duas matérias sobre os quadrinhos nacionais!"




b)Cursos Oficina de Escrita Criativa
Informações e inscrições AQUI
Professores: Alessandra Porro, Carlos Rennó, Hélio de Almeida, Julia Alquéres, Luiz Antonio de Assis Brasil, Nanete Neves, Neide Duarte, Pedro Carvalhaes Cherto, Renato Modesto, Rodrigo Lacerda, etc

c)Cursos Prática de Criação Literária
Informações e inscrições AQUI
Professores: Andrea del Fuego, Claudia Vasconcellos, Marcelo Maluf, Nelson de Oliveira, Marne Lucio Guedes, Edson Cruz, Marcelino Freire, Luís Eduardo Marra, etc

d)Cursos de Segundo Semestre na Quanta Academia de Artes (Via Universo HQ)
Informações e inscrições AQUI
"Arte-final para HQs de Super-Heróis, por José Wilson Magalhães; Desenvolvimento de Projetos Autorais: Histórias Longas, com Rafael Coutinho; Ilustração Infantil Editorial, por Al Stefano; e Roteiro para Quadrinhos, com André Diniz."


(Imagem Fonte Felidae/Villaintine)

Telegrama

a)
Três (possíveis) motivos para a internet mudar a literatura




Por Michel Laub
(Escrito a partir de conversas com Emilio Fraia)

"Leitura – É quase consenso que muito mais gente lê hoje que há dez ou quinze anos, e que na maioria dos casos são leituras dispersas, superficiais. Ficou mais difícil enfrentar um romance extenso, e praticamente impossível fazê-lo com exclusividade, ao longo de meses, com as pausas, voltas e reflexões que uma experiência do gênero exige, ou costumava exigir. Essa dispersão progressiva sempre existiu, mas em geral se dava com a idade: o grosso das leituras descompromissadas, e portanto realmente formativas, acontecia da adolescência/início da vida adulta até a fase em que tudo fica mais difícil por causa de trabalho, família, outros interesses. Tenho dúvidas se o período de concentração inicial ainda existe, ao menos para o número relevante de leitores que forma a base do chamado sistema literário. O mais provável é que não: o pensamento e gosto estético do futuro serão ditados por gente que já começou a vida intelectual imerso na fragmentação e na interatividade típicas da cultura digital. Mudando a forma como se lê, muda a forma como se escreve: não só porque o escritor é antes de tudo um leitor – dos outros e de si mesmo –, mas porque é a tal base que determina as convenções literárias de uma época – que às vezes se adaptam aos autores, é verdade, mas na maioria das vezes fazem com que os autores se adaptem a elas.

Escrita – Apesar do discurso comum entre escritores que se criaram na internet – o de que ela seria apenas meio, instrumento –, não dá para desprezar o impacto que uma década de emails, posts sem mediação de editores e conversas on line teve sobre o texto em geral. Achar que essa linguagem do dia-a-dia não terá influência na maneira como produzimos ficção é o mesmo que desprezar a influência da fala nas mudanças da norma culta. Uma possibilidade: que tenhamos menos paciência com a prosa de feição “literária” – num ritmo mais lento, usando verbos no mais que perfeito e coisas assim – do que com a tentativa de reprodução do discurso oral – mais rápido, menos preocupado com o polimento das frases, mais aberto a imperfeições de sintaxe. Ou o contrário: que a escrita “obsoleta” soe mais original, justamente porque diversa dos timbres, tons e inflexões ouvidos a toda hora e em todo lugar.

Intimidade – Conceito que não mudou com o surgimento de blogs e redes sociais, mas teve seu eixo deslocado: há quinze anos, soariam ridículas práticas comuns hoje, como a do artista alardear uma crítica favorável a uma obra sua, ou a de se ter longas conversas privadas em público, ou a de se compartilhar opiniões sobre qualquer assunto. Nos acostumamos com esse tipo de exposição – a ideia de que, para existir, tudo deve ser mostrado e comentado –, e talvez nem mais a consideremos falta de decoro, mas a linha entre o que é íntimo e não é segue existindo. É o que está do outro lado dela que buscamos quando escrevemos ou lemos um autor – quem ele é de fato, como pensa para além das regras do seu tempo e das próprias travas morais, mesmo que isso apareça em histórias descoladas de sua biografia. A impressão é que um nível de revelações mais raso, antes aceitável por funcionar como entrada no universo desconhecido desse autor – entidade então misteriosa e hoje acessível por um simples email ou consulta ao Google ou Facebook –, tornou-se insuficiente para que um texto atinja a densidade que diferencia a literatura do mero relato. Pode-se argumentar que sempre foi assim, mas há uma mudança de grau aí: no que se diz e na forma como isso é dito será preciso ainda mais esforço para construir algo além do testemunho ou experiência pessoal, uma exigência que torna ainda mais duro – e mais compensador quando o resultado é positivo – o caminho para se transmitir a quem lê a verdade de quem escreve."


b)
O que é um livro?


por Deb Olin Unferth.

"
O livro está de saída, me dizem. A era do livro acabou, o grande dragão está se dirigindo ao horizonte, para fora de vista, morrendo. Estou tentando entender o que isso quer dizer. A palavra “livro” é uma abstração quando usada assim e pode significar todo tipo de coisas:

• O objeto, o livro ele mesmo, o dispositivo físico encadernado.
• O texto do livro, o que está entre as capas — o romance, a biografia, o grupo de poemas.
• A habilidade de escrever livros: se há menos livros, o conjunto de habilidades (parte técnica, parte arte intuitiva) requeridas para escrevê-los vai atrofiar.
• O ímpeto, o impulso autoral para articular e moldar narrativas, para puxar aquilo que está dentro da mente e botar em palavras, contar algumas mentiras a respeito, organizá-lo meticulosamente e entregá-lo a estranhos. (E tememos também perder um impulso mais geral — a necessidade de criar impressões narrativas de nós mesmos? A necessidade de criar algo que perdure, de tomar parte numa tradição?)
• O desejo coletivo pelo livro: o público e o buraco que o livro preenche no peito, seja o que for que impulsiona o leitor, uma silenciosa busca passiva de algum tipo, por sentido ou conexão, o desejo de estar ausente ou “perdido”, ou, alternativamente, um desejo de estar presente, conectado, “engajado”.
• A comunidade dos livros: os clubes de leitura, os programas de escrita criativa a AWP (Associação de Escritores e Escrita Criativa).

Quais desses estão desaparecendo com “o fim do livro”? Quais seria pior perder?
Quanto ao próprio objeto, parece de fato haver o perigo de que o livro encadernado siga o caminho de outros objetos civis datados e diminuídos: a caixa de fósforos, rolos de cabelo, filmes no drive-in — coisas que ainda existem, mas rarefeitas. Provavelmente haverá menos livros na casa das pessoas, menos em mochilas e pastas, menos livrarias.

E, sim, isso é triste, porque gostamos de livrarias e mochilas cheias de livros (até o filme no drive-in ainda mantém um lugar em nossos corações), mas você não pode se apegar a alguma coisa por puro sentimentalismo — ou pode, mas não vai funcionar. Além disso, um monte de gente nunca sequer teve livros nas suas pastas. Então no fim das contas não acho que isso vá importar muito.

E talvez o que está dentro do livro, o texto, esteja um tanto em perigo também. O formato original pensado para um romance ou um punhado de poemas foi o livro, e se o formato definha, a forma vai definhar — ou se transformar para adequar-se a seu novo meio. O e-book: seja como for que o terremoto literário afinal se acomode, se o e-book sobreviver a escrita para esses aparelhos vai assumir uma forma distinta. Além do e-book provavelmente se tornar uma espécie de dispositivo conectado à internet, em 3-D, com hologramas, raspe-e-cheire, o cérebro lê uma tela diferente do modo como lê uma página impressa, então a escrita vai se readaptar para ajustar-se à leitura em tela.

Como escritora de ficção, posso imaginar que elementos estruturais, como o ritmo, e elementos micro-estruturais, como o tamanho das frases, vão mudar, por exemplo. Então a capacidade de escrever livros poderiam também estar em perigo. A habilidade específica para escrever romances ou compor poemas poderia regredir ou mudar muito. Mas não vai desparecer completamente. Algumas pessoas ainda vão escrever livros não importa o que aconteça, porque é difícil (ao menos para mim), e seres humanos têm uma tendência a fazer coisas difíceis, ainda que sem sentido ou recompensas.

Quanto ao impulso autoral e o desejo coletivo pelo livro — o quanto tantos de nós desejamos tão intensamente dizer o que é ser nós mesmos, e como parecemos fascinados por descobrir o que nossos companheiros pensam da existência — esses não estão indo a lugar nenhum. Seja o que for que o livro faz pela Humanidade, da forma misteriosa como o faz, ainda será feito. Algumas pessoas ainda serão impelidas a representar a experiência e a buscar criativamente sentido narrativo, e outras pessoas vão preferir dedicar-se a consertar aviões ou o que seja, sem ajuda da distração existencial da arte.

E o mundo do livro? E quanto a isso? Todos editores e agentes e divulgadores e resenhistas? O que acontecerá com esse povo merecedor de emprego? Ah, essa espécie é resistente. Vão encontrar outros lugares para fazer o que fazem, apenas de maneira um pouco diferente. Eu não me preocuparia com eles.

E o ensino de escrita criativa? Qual é o sentido disso tudo? Todas essas pós-graduações em criação artística? Não, não, isso ainda é uma boa ideia. Afinal, as universidades estão cheias de cursos que já não dizem respeito a nada. Isso é triste? É uma droga, essa perda do livro-objeto, esse destronamento do ofício? Bem, para mim é uma droga, é claro. Passei muito tempo aprendendo esse ofício específico, em detrimento de todos outros Se você for lamentar o declínio do livro, lamente por pessoas como eu (e você: se você está lendo isso, provavelmente é uma dessas pessoas também). Lamente pela geração anterior à minha, e talvez por alguns dos nossos estudantes que foram bobos o bastante para acreditar quando dissemos que isso era algo de importante, nada a ver com estudar arte bizantina ou literatura francesa. Lamente por aqueles envolvidos na transição, as várias gerações que se prolongam, e por aqueles de nós que, como jovens crédulos, apostaram todas suas fichas no livro e então se tornaram tão especializados que logo qualquer outra vida estava fora do nosso alcance. Essa parte é uma droga.

Mas na maior parte não é uma droga. Outras coisas são uma droga. Pense nos bilhões de animais terrestres nascidos para serem torturados e assassinados para nosso divertimento culinário a cada ano. Redes de pesca industrial arrastam cinquenta toneladas de animais marítimos a cada puxão. Pense no desmatamento. Estamos esmagando tudo que pudermos. O livro agonizante parece algo suave em comparação, insignificante e natural e nada de inédito. Estou me tornando antiquada, e daí. Meus amigos também, e daí. Formas de arte evoluem, e suas mídias se transformam ou são substituídas. Para mim esse planeta parece um holocausto: os corpos se empilhando, a terra se enchendo de plástico e sangue, enquanto a única vida restante (nós) se arrasta pelo grande cemitério, pulsando e destruindo. Se eu for prever o futuro da narrativa (Para quê? Para que possamos olhar para nós mesmos e rir?) meu palpite é que as próximas grandes obras — seja como forem transmitidas — serão um enorme jorro de desespero e arrependimento pelo que fizemos, por nossa estupidez e egoísmo. Estaremos sentados em nosso tanque esterilizado, esfregando as janelas na esperança de ver a terra de sonho que destruímos. Estaremos escrevendo com nossas barras em nossas telas-espaciais sobre a punição que merecemos, a punição que não virá.
"


Via AQUI e ALI, no Prosa Online do Globo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Onirogrito

Ritual de lo habitual





( Não sou artista. Odeio quem se diz artista. Ou melhor, odeio quem se diz Artista. Eu não tenho, não desenvolvi, não sei se vou ter um ritual para escrever. Trabalho, tenho filhos, etc. Escrever não é meu "viver". Escrever não é viver. Assim, procuro me adaptar às circunstâncias.

Escrever no metrô funciona, desde que haja lugar para sentar (e não há mais). Computador, às vezes funciona, desde que a ideia me absorva, desde que esteja calmo. Caderno e esferográfica funcionam muito bem, quando precisa ser "jorrado". O papel propõe um ritmo.

Quando a coisa complica nos becos sem saída ou na falta de inspiração, posso ficar meses, (anos?), com a ideia na cabeça, esperando algo que a faça funcionar ou lendo coisas para alimentar, sustentar aquilo que julgo fraco.

Poesia areja, ajudou a me tirar de atoleiros. Assuntos completamente diferentes também já me ajudaram. Desenhar também funciona. Andar. Tomar banho. Dormir. Assistir TV.

Mas meu maior problema - atualmente - é ser interrompido. Se não conseguir ir até o ponto que preciso, depois é muito difícil retomar. Isto me faz escolher alguns horários complicados para escrever (o que nem sempre funciona).

Recentemente li sobre a técnica do Antonio Lobo Antunes, de deixar uma "frase em suspenso" pra continuar depois. Me pareceu uma boa. Dia destes, se der tempo, se eu puder, se eu houver algo relevante pra dizer, vou tentar.


Apaixonar-se costuma atrapalhar. Então evito.)





(Escrevi inicialmente aqui, no fórum Meia Palavra. Depois, mudei de ideia e trouxe pra cá. No blog de Michel Laub, pode-se encontrar uma compilação com as manias - ou a falta de manias - de 100 escritores brasileiros. Imagem ??? - via Popholic)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Achados




a)K.Beaton

Mordazes os quadrinhos desta moça. Muito bom. Abaixo, uma tradução descompromissada da história acima, "Mistery Solving Teens". Ela tem outras, talvez mais caprichadas e inteligentes, porém gostei desta.

DETETIVES ADOLESCENTES

Q1
Adulto: Rapazes, temos um mistério para vocês solucionarem.
Moleques: ok

Q2
Não seja mala véi, me deixa dá um pega.

Q3
Véi, você acha que dá para voltar?

Q4
hmm...Que horas são?... Ah fooooda-se, acho que já dá.

Q5
Adulto: O que vocês descobriram?
Moleques: hã... Foi o padeiro, um negócio assim.

Q6
O PADEIRO, EU SABIA!!!

Q7
SOU INOCENTE!!!!
-Pfff....



b)Livros infantis Poloneses



(Via Coisas do Arco da Velha)


c)Comic Book Cartography

Imagens de Mapas, Plantas e Diagramas em quadrinhos. Bem legal. Bastante completo e - felizmente - não se restringe ao universo "superheroístico". Sim, há plantas do satélite da Liga da Justiça, da Mansão dos Vingadores...




Este é o mapa do pântano de Pogofenokee, do clássico Pogo, de Walter Kelly.

Via The Ephemerist

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Telegrama



Venus in Furs





(Velvet Underground)


Shiny, shiny, shiny boots of leather
Whiplash girlchild in the dark
Comes in bells, your servant, don't forsake him
Strike, dear mistress, and cure his heart
Downy sins of streetlight fancies
Chase the costumes she shall wear
Ermine furs adorn the imperious
Severin, Severin awaits you there
I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years
A thousand dreams that would awake me
Different colors made of tears
Kiss the boot of shiny, shiny leather
Shiny leather in the dark
Tongue of thongs, the belt that does await you
Strike, dear mistress, and cure his heart
Severin, Severin, speak so slightly
Severin, down on your bended knee
Taste the whip, in love not given lightly
Taste the whip, now plead for me
I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years
A thousand dreams that would awake me
Different colors made of tears
Shiny, shiny, shiny boots of leather
Whiplash girlchild in the dark
Severin, your servant comes in bells, please don't forsake him
Strike, dear mistress, and cure his heart




(Muitas outras versões - Imagem ? - via tumbrl Kaliyuga Blues do Cabra Preta Daniel Pelizzari)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Achados










a)Zoologia Alternativa


O escritor britânico Dougal Dixon escreveu alguns livros sobre "zoologia" alternativa (ou ainda usando um outro termo que encontrei, biologia especulativa)... Afinal, a ciência não se constrói apenas em cima daquilo que é, mas também daquilo que pode ter sido.

A gente precisa de distância para enxergar melhor, e quando não há como tomar distância, precisa-se usar imaginação, criatividade... Coisas que nem sempre convém lembrar que estão na origem desta coisa tão técnica e racional que é a ciência. Ninguém esteve presente no Big Bang, ninguém viajou na velocidade da luz, ninguém consegue observar seus fótons. Algumas coisas sempre estarão no terreno do especulativo.

Além de especular e imaginar novas espécies de dinossauros (The New Dinosaurs - an alternative evolution), Dixon também já chegou a conceber um livro com os animais do futuro (After Man - a Zoology of the Future). Ele colaborou com a série Futuro Selvagem (Future is wild) do Discovery Channel.

O homem ainda escreveu um outro livro (Man After Man: An Anthropology of the Future) especulando sobre a evolução da espécie humana.

(via Monster Brains; segundo o Monster Brains, seus livros estão fora de catálogo e não são baratos em sebos virtuais)

Graças a estas pesquisas todas, ainda encontrei um "wiki" apenas sobre biologia especulativa.


b)Leonora Carrington (1917 - 2011)



(Via Monster Brains)



c) Ilustrações científicas



(Via Neatorama)

d)A Arte de andar pelas ruas

Um site no qual você realiza o flâneur em diversas cidades do mundo através das fotografias do Google Street View. Senti falta de outras cidades... Ou de algum comando para tornar a coisa verdadeiramente aleatória, com saltos entre cidades, continentes... Mas ainda assim é legal.

(Via Warren Ellis)

terça-feira, 14 de junho de 2011

menina maçã + transformers







Era uma vez uma Rainha e um Rei despejados de seu palácio, logo após a última crise financeira. Agora viviam em um apartamento e tentavam tocar a vida do jeito que dava. O Rei trabalhava em um escritório de contabilidade e a Rainha era atendente de telemarketing e ganhava um extra com leituras de tarô. Poderiam até ser felizes mas a Rainha queria muito ter uma criança. O destino lhes era desfavorável: ela virava O Enforcado, A Torre e A Lua. Certa vez, inconformada, enquanto fazia a feira reclamou em voz alta:


“Os coqueiros dão cocos, as macieiras têm maçãs. Por que eu não posso ter filhos?”


Meses depois, a Rainha paria uma maçã. Era uma maçã grande, verde, brilhante. “E agora?”, quis saber o Rei. “Esperamos amadurecer”, respondeu sua esposa. Esta se afeiçoou ao fruto e lhe deu água, amor e carinho. Todas os dias, a Rainha saía para trabalhar e deixava-a sobre uma mesinha na varanda onde tomava o sol da manhã. Lentamente a casca se avermelhou.


No apartamento em frente a este, vivia uma outra família real: uma Madrasta e seus dois enteados. O pai perdera a cabeça durante um golpe militar e eles sobreviviam às custas de uma pensão dada pelo Estado, pensão que se manteria enquanto nenhum dos irmãos casasse. Assim, ela vestia ambos com vestidos e roupas de meninas na pretensão de mantê-los solteiros.


O mais velho adorava Transformers e brincava em seu quarto com seus carrinhos-aviões-animais-robôs na sacada do apartamento. Entremeava os brinquedos na rede de proteção e fazia de conta que uma aranha gigante devoraria os bonecos. Ele via a maçã no apartamento adiante e não se interessava por ela. Numa manhã, entretanto, o fruto se desdobrou, abriu e virou uma linda menina de cabelos vermelhos e unhas verdes nos pés.


O menino espiava a menina em suas danças, suas sardas e seus pêlos vermelhos. Tentou saber onde se vendia aquele brinquedo e teve a sorte de descobrir que aquele seria único. Passou a bater na porta daquela casa, pedindo por aquela maçã. A mãe achava esquisito aquele garoto de vestido e robôs na mão e sempre recusou suas aproximações. Mas um dia acabou conseguindo.


O pai da Menina-Maçã se divorciara e mudou para outro país. A mãe encontrara outro Rei, mas este não queria saber de sua filha. Sendo assim, com alguma (não muita) tristeza, ela entregou a Maçã ao jovem.


“Do que ela precisa para viver?”

“Quase nada. Dê-lhe um pouco de água, amor e carinho. Mas a deixe respirar.”


O menino se trancava no quarto com a Maçã e seu exército de coisas que se transformavam em outras. A porta sempre fechada inquietava a Madrasta. Ela espiava pela fechadura, mas do outro lado puseram uma toalha; encostava o ouvido na porta, mas o volume alto do rádio ou do videogame abafava qualquer som de dentro. Recorria então ao irmão mais novo, mas este, como todo bom irmão mais moço, desconversava enquanto assistia desenhos animados:


“Deixa ele, Madrasta. Só tá brincando.”


Porém aconteceu uma guerra e o mais velho fora convocado para combater o Inimigo. Ordenou ao mais moço que este tomasse conta da Maçã no quarto e não deixasse nem a Maçã sair, nem a Madrasta entrar. Este até que se esforçou no início, mas ele era muito distraído e logo esqueceu as recomendações. A Menina Maçã se desdobrou, como sempre fazia toda manhã, e encontrou a porta aberta. Foi para a cozinha e preparou um lanche. Depois, no quarto da Madrasta experimentou brincos e sapatos e a maquiagem.


A Madrasta chegou de repente e a Menina voltou para o quarto e se encolheu em forma de fruta. A Madrasta estranhou aquela bagunça e o silêncio pela casa. Foi para a janela e viu o mais moço jogando basquete na quadra do prédio. Pegou uma faca na cozinha e investigou o interior do apartamento, suspeitando de um ladrão. Entrou no quarto e achou a grande Maçã vermelha sob o lençol. A Madrasta acreditou que aquilo era uma feitiçaria e decidiu espetar várias vezes a fruta com sua faca. Pelos furos saiu sangue, tanto que tingiu os panos e o colchão de vermelho. Apavorada, a Madrasta fugiu e nunca mais voltou.


Quando terminou a partida, o irmão mais novo descobriu as portas entreabertas e destrancadas. A maçã estava sobre a cama, murcha e da cor da terra. O menino se apavorou, pegou a fruta e a levou para uma vizinha, uma mulher que lia borras de café e folhas de chá. Ela ajudou o garoto, tapando os buracos com mel e band-aid e instruiu ao garoto que lhe desse água, amor e carinho.


Assim fez o irmão mais moço. Como a mão fechada que abre os dedos um a um, a maçã foi se desdobrando cada vez mais uma menina. Ele ficou cuidando da moça o melhor que pode, e se obrigou a ser menos distraído enquanto ela se recuperava. E se descobriram apaixonados. “A gente cresce porque é preciso, a gente ama quando se sabe necessário”, respondeu-lhe a Menina Maçã, cheia de sardas, feridas e beijos. E por isto, temiam o dia do retorno do irmão mais velho e o que este iria sentir ao se deparar com os dois juntos.


A guerra terminou e com a paz, regressaram os soldados. O mais velho agora era veterano de guerra. Porém o casal não se separou e nem houve mais tristeza. O mais velho perdera um braço em combate, era verdade, mas recebera em troca a paixão de um outro soldado. Assim viveram os dois irmãos - cada um com seu amor - felizes para sempre. Ao menos, até a próxima crise financeira.








(Adaptação minha de outro dos contos de fadas italianos transcritos por Italo Calvino: A Menina-Maçã. Foto de Malerie Marden, segundo o Found in the Attic . Eu não ia fazer, mas me deu vontade depois de ler Sabedoria Secreta, ensaio de Luiz Bras no Rascunho e publicado, dentre outros ensaios, no pequeno grande livro Muitas Peles, da Editora Terracota)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Telegrama





Paper bag

(Fiona Apple)


I was staring at the sky, just looking for a star
To pray on, or wish on, or something like that
I was having a sweet fix of a daydream of a boy
Whose reality i knew, was a hopeless to be had
But then the dove of hope began its downward slope
And i believed for a moment that my chances
Were approaching to be grabbed
But as it came down near, so did a weary tear
I thought it was a bird, but it was just a paper bag

Hunger hurts, and i want him so bad, oh it kills
Cuz I know I'm a mess he don't wanna clean up
I got to fold cuz these hands are too shaky to hold
Hunger hurts, but starving works
When it costs too much to love

And I went crazy again today,
Looking for a strand to climb
Looking for a little hope

Baby said he couldn't stay, wouldn't put his lips to mine,
And a fail to kiss is a fail to cope

I said, "honey, i don't feel so good, don't feel justified

Come on put a little love here in my void"

He said "it's all in your head", and I said "so's everything"

But he didn't get it I thought he was a man

But he was just a little dang boy


Hunger hurts, and i want him so bad, oh it kills
Cuz i know i'm a mess he don't wanna clean up
I got to fold cuz these hands are too shaky to hold
Hunger hurts, but starving works
When it costs too much to love

Hunger hurts, but i want him so bad, oh it kills
Cuz i know i'm a mess he don't wanna clean up
I got to fold cuz these hands are just too shaky to hold
Hunger hurts, but starving works
When it costs too much to love

Hunger hurts, but i want him so bad it kills
Cuz i know i'm a mess he don't wanna clean up
I got to fold cuz these hands are too shaky to hold
Hunger hurts, but starving works,
When it cost too much to love.



(Imagem Terry Rodgers)

domingo, 12 de junho de 2011

o edifício branco














Estávamos diante da fachada e era possível ver todas as janelas e todas as janelas davam para os quartos e em todos os quartos havia gente nua, ou quase. Eles nos observavam cegamente, os olhos perscrutando a paisagem de multidões. Como num desenho feito por crianças, todas as regras de escala e perspectiva eram desrespeitadas por aquela arquitetura, víamos as camas desarrumadas, os abajures, os tocos de velas, as fronhas, os lençóis, as pernas, os dedos enfiados nas frestas, os pintos, as bundas, os rabos, os tetos e o tapetes sob o mesmo ponto de vista. Nossos olhos como os dos insetos, feito mosaicos, as imagens separadas umas das outras: recortes em movimento, confetes de cacos de espelhos.



Os moradores da favela de papel eram gigantes contidos nas pequenas janelas: imaginamos os habitantes daquele condomínio em um único corpo cheio de membros, dorsos, cabeças, um peixe monstruoso que utiliza uma série de marionetes para atrair e devorar presas. De longe, a brancura do edifício faz lembrar uma geladeira cheia de imãs. Entretanto, as paredes lisas não eram limpas; ao lado de cada janela, havia o nome do dono do apartamento e suas características físicas e preferências. A despeito da distância, tudo era bem legível. Era necessário confiar no que estava escrito. O rosto dos proprietários era inescrutável, tão absortos em sua exibição. Ao mesmo tempo, sabíamos que eram totalmente indiferentes a nossa presença vigilante ali. Nós também estávamos ali sem motivo e não nos importávamos com eles. Viemos para cá, porque todos vieram. Viemos para cá, porque não havia algo melhor para fazer. Éramos todos brutos e ignorantes e fazíamos as coisas sem pensar. Assim era na nossa idade. Assim será sempre. É a única forma verdadeira de se fazer as coisas.



O Edifício Branco não tem elevadores, encanamento, zelador, garagem, IPTU. Não tem CEP, síndico ou condomínio. Apenas as webcams, as janelas, as pessoas, nós e eles. Não temos o que dizer contra o Edifício Branco, por isto estamos aqui. Sabemos que o que nos restringe, também pode levar mais longe. Sabemos daquilo que nos vicia, mas também nos ampara. Sabemos que o Edifício Branco nos une, mas também nos afasta cada vez mais, inevitavelmente, uns dos outros.





(Eu não gosto deste texto. Mas vai assim mesmo. Foto: Robert Heinecken; Lábios: Julia Randall, série Lick Line)

Telegrama

Love for sale


Talking Heads - Love For Sale por EMI_Music

I was born in a house with the television always on
Guess I grew up too fast
And I forgot my name
We're in cities at night and we got time on our hands.
So leave the driving to us.
And it's the real thing.

And you're rolling
In the blender
With me.
And I can love you
Like a color
TV.

Now love is here
C'mon and try it
I got love for sale
Got love for sale
And now love is here
C'mon and try it
Got love for sale,
Got love for sale.

You can put your lipstick all over my designer jeans.
I'll be a video for you.
If you turn my dial.
You can cash my check if you go down to the bank
You get two for one
For a limited time.

Push my button...
The toast pops up
Love and money
Gettin' all
Mixed upu
And now love is here
C'mon and try it.
I got love for sale
Got love for sale

Love is here
C'mon and try it
I got love for sale
I got Love
Love
Love
Love
Love
Love
Love
Love

sábado, 4 de junho de 2011

Achados


Round & Round by New Order

new order | Myspace Music Videos



a)Timidez?

Um DVD pra homens hiper-travados: A ideia é que se fique olhando para as meninas nos olhos como um treinamento para quando rolar uma conversa de verdade com uma garota (Supondo, obviamente, que o cara chegará a este ponto). O produto é japonês e o SUPERPUNCH postou um vídeo com uma amostra de um minuto, pra quem quiser ver...

Desde o ano de 2006, uma garota posta vídeos similares a este... Ela se tornou uma "celebridade do You Tube", Magibon. A garota é norte-americana mas aprendeu algumas palavras em japonês que são ditas durante seus vídeos curtos, nos quais simplesmente fica encarando a câmera com olhos "pidões"(mas pedindo o quê, meu Deus do céu?). Estes videozinhos estranhos conseguiram atrair milhões de visualizações.


Pessoalmente prefiro o New Order.


b)Bonecas de Marina Bychkova. Conforme eu vi no English Russia.





c)25 Trepadas literárias, achadas pelo Joca Reiners Terron. Ele escolheu pra Playboy, agora você escolhe qual prefere pra mandar/fazer/sonhar com o namorado/namorada. Clique AQUI.

Pra não ficar diferente, deixo uma de Clive Barker. O trecho é de um dos contos do esgotadíssimo Livros de Sangue, "A Idade do Desejo", no qual um homem fode, entre outras coisas e pessoas, com uma parede.

"Refugiou-se num beco quieto para se fazer apresentável. As roupas que havia conseguido agarrar antes de fugir eram uma confusão só, mas serviram para evitar que ele atraísse uma atenção indesejável. Enquanto abotoava as calças - o corpo parecia tenso como ressentido por estar oculto - tentou controlar o holocausto que trovejava entre suas orelhas. Mas as chamas não cediam. Cada fibra sua parecia viva ao fluxo do mundo ao seu redor. As árvores ao longo da estrada, a parede às suas costas, as próprias pedras do calçamento sob seus pés descalços lhe atiçavam fagulhas e queimavam agora com fogo próprio. Ele sorriu ao ver a conflagração se espalhar. O mundo, em cada detalhe ansioso, sorriu de volta.

Excitado além do controle, virou-se para a parede contra a qual se apoiara. O sol havia caído por completo sobre ela, e estava quente: os tijolos cheiravam maravilhosamente. Depositou beijos em suas faces terrosas, as mãos explorando cada reentrância. Murmurando besteiras adocicadas, baixou o zíper, encontrou um nicho confortável e o preencheu. Sua mente corria com imagens líquidas: anatomias misturadas, femininas e masculinas em um único indistinguível congresso. Acima dele, mesmo as nuvens haviam pegado fogo; enfeitiçado por suas cabeças em chamas, ele sentiu o momento elevar-se em sua excitação. A respiração era rápida agora. Mas o êxtase? Certamente continuaria para sempre."

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Telegrama





“Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia e um morto que vive!”

Padre Antonio Vieira






(imagem via Bibliodissey)