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sexta-feira, 3 de abril de 2015
Zenon, o último ascensorista
"Eu sou o último ascensorista, e hoje é meu último dia. Amanhã me aposento. O senhor sabe, quando se é ascensorista, não sobra muito tempo para conhecer as pessoas. É o resultado do futebol, a previsão ou constatação do tempo lá fora do Ministério, é algum espanto ou piscadela, coisa rápida. Mas já que hoje é meu último dia, e já que o senhor ficou aqui preso comigo, acho que dá para gente conversar um bocadito mais"
A partir desse mês, colaborarei com o Projeto Quotidianos, de Rober Pinheiro.
A ideia é apresentar as pequenas aventuras de Zenon, o Último Ascensorista.
A primeira história está aqui, chama-se "O Último Lance" e foi ilustrada pela Carolina Mancini. Espero que curtam.
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o último lance
No percurso para o trabalho no Edifício Carlos Mendes, Zenon – o último ascensorista – passava na banca do terminal de ônibus. Ali, adquiria um exemplar do Lance. Não se enganem, seu interesse pelo futebol era restrito ao básico. O magrelo nunca teve talento para jogar bola: o físico não ajudou, um corpo incapaz de aguentar qualquer tranco. Zenon até sentia um carinho especial pelo time da Sociedade Esportiva, herança do pai, um daqueles sujeitos com um radinho constantemente colado na orelha.
Todavia, os conhecimentos acerca dos resultados da última rodada eram essenciais para seu emprego. Pois, conforme estabelecido no Estatuto Condominial dos Ascensoristas do Edifício Carlos Mendes, uma de suas tarefas era impedir que o Dr. Palhares do 17º andar encontrasse o Dr. Aldebaran do 12º. Especialmente se o resultado dos jogos entre o Sport Atlético e o Futebol Clube fosse diferente de um empate. Afinal, Palhares era fanático pelo Sport Atlético e Aldebaran era sócio torcedor do Futebol Clube.
No dia da tragédia, entretanto, Zenon estava abalado pelo rebaixamento da Sociedade Esportiva. Pensava no pai morto, talvez revirando-se no túmulo, desgostoso. Isso o distraiu e, por acidente, calhou do Dr. Palhares e do Dr. Aldebaran se encontrarem na mesma cabine durante a travessia rumo ao térreo. Palhares começou a provocar Aldebaran, que estava sem humor para piadinhas. Antes que se passassem cinco andares, Aldebaran enforcava Palhares com a corda do crachá e Palhares respondia puxando a gravata do adversário. Quando o elevador parou no oitavo andar, adentraram dois da uniformizada do Sport Atlético, atacando com mastros de bandeira. Aldebaran se defendeu, pedindo para Zenon parar no sétimo, onde três mascarados do Futebol Clube invadiram disparando rojões. Alguém deve ter chamado a polícia, pois no quarto a porta abriu e a Tropa de Choque invadiu disparando balas de borracha e gás lacrimogêneo. Felizmente, Zenon tinha um vidro de vinagre sob o banco. No segundo, ninguém entrou – já estava lotado -, mas puderam ver a confusão no corredor: a cavalaria avançando contra os saqueadores por entre nuvens de fumaça e atiradores de pedras. No térreo, todos os ocupantes do elevador saíram uns tropeçando nos outros, exceto Aldebaran, a cabeça arrebentada por um pau ou por um cassetete, não se sabe. Zenon separou as páginas e os cadernos do jornal e improvisou uma mortalha para o doutor estendido no chão.
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Achados

a)Há algum tempo, escrevi sobre irmãs xipófagas unidas de uma forma não usual. Recentemente descobri que elas não foram as únicas. Neste livro "Contos de Fadas para Adultos" (escrito por "Jean Qui Rit"(João Risonho?) e ilustrado belamente por Artur Scheiner, há uma bela imagem de irmãs que passaram por drama similar.
Procurei rapidamente por informações do livro ou do autor pelo Google, mas não achei nada. Se aparecer alguma boa alma gentil com informações, avise nos comentários. As únicas coisas que temos são algumas imagens escaneadas no FLICKR.



b)Um bom tumbrl de imagens em preto e branco: o Wie Tentakeln. Prepare-se para algumas imagens perturbadoras.
c) Bilal e o Boxe-Xadrez
Trecho de artigo de Claudio Martini no Terra Magazine sobre Enki Bilal:
"
Enki Bilal nasceu em 1951, em Belgrado, Sérvia - a antiga Iugoslávia. Mudou-se com a família para Paris, ainda criança. Após uma passagem rápida pela Escola de Belas Artes, com 14 anos, foi incentivado pelo genial Renné Goscinny (então diretor da Pilote, importante revista francesa de HQ da época) a enveredar pelo caminho das histórias em quadrinhos. Começando com a publicação de ilustrações e histórias curtas na mesma revista alguns anos depois, o desenho de Bilal surpreende já em seu início de carreira. Desenhos em preto e branco, minuciosamente trabalhados, com hachuras criando volumes e sombras, ainda com influência de mestres como Enric Sió e Sergio Toppi, mas buscando seu caminho com muito talento.
Do encontro com o roteirista Pierre Christin, começou a surgir uma série de histórias que mesclavam a política, o realismo fantástico e a ficção científica: La Croisière des Oubliés (O Cruzeiro dos Esquecidos), Le Vaisseau de Pierre (A Nave de Pedra), La Ville Qui n'Existait Pas (A Cidade que Não Existia), Les Phalanges de l'Ordre Noir (As Falanges da Ordem Negra), Partie de Chasse (Partida de Caça). Histórias sombrias, acentuadas pelos desenhos que agora ganham cor, mas continuavam a ser realizados com a mesma técnica de bico-de-pena e nanquim. Os dois últimos são aclamados na França e recebem diversos prêmios.
É com a obra solo La Foire Aux Immortels (1980) que ele consolida sua fama. Este álbum foi o único editado no Brasil, em 1988, pela Martins Fontes, com o título de Os Imortais. Deuses egípcios extraterrestres, naves espaciais pirâmides, governantes fascistas. Talvez uma inspiração para o filme Stargate, de 1994. A política e ficção científica se encontram novamente nessa série de três livros, A Trilogia Nikopol, que seguiria com La Femme Piège (A Mulher Armadilha) e Froid Équateur (Frio Equador). Este último foi escolhido pela prestigiada revista Lire, como o melhor livro do ano em 1993 (entre todos os gêneros). "
A Feira dos Imortais é o mais interessante da Trilogia Nikopol. Quem puder, corra atrás do quadrinho. Esqueça o filme. As histórias com roteiro de Pierre Christin são também muito boas: são histórias políticas e adultas de uma forma rara de se ver em quadrinhos, tanto as mais realistas quanto as mais fantásticas...
Um resultado inesperado das histórias de Bilal foi a criação de um esporte bizarro: o Boxe-Xadrez, conforme vemos neste artigo de Pedro Cirne para o UOL Tablóide.
d)Ainda sobre esporte e quadrinhos, temos um texto do Marcus Ramone (Universo HQ) sobre Futebol e Quadrinhos que encontrei neste blogue.
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quarta-feira, 23 de junho de 2010
Achados
a)A História Única da África
Importante ouvir a escritora nigeriana Chimamanda Adichie (Segundo a New Yorker, uma das melhores escritoras com menos de quarenta anos): sobre não nos deixar levar sobre o que dizem, sobre aquilo que aprendemos e apreendemos sem perceber.
(Via fórum Meia-Palavra e Libru Lumen)
b)Aproveitando que falamos de outros lugares, alguns links interessantes com aspectos inusitados de outros países:
Pink Tentacle, sobre o Japão. EnglishRussia, sobre a Rússia (Warren Ellis gosta deste). Vida na Islândia, de um brasileiro "perdido" na Islândia.
O site da Folha tem vários blogues com este "tema": Pé na África, do jornalista Fabio Zanini com mestrado em relações internacionais pela School of Oriental and African Studies (Soas), da Universidade de Londres; Buenos Aires, de Gustavo Hennemann; Raul na China, de Raul Juste Lores.
c)Acho que o Brasil até merecia um blog parecido contando nossas esquisitices (temos muitas), mas pra ficar bom mesmo precisaria de um olhar estrangeiro. Não sei se existe um neste sentido.
Há um livro muito bom, escrito por Alex Bellos, um correspondente inglês que viajou o país (e mais alguns outros) atrás de histórias de nosso futebol. Aqui foi publicado pela Jorge Zahar: Futebol - O Brasil em Campo (O título original é Futebol: The brazilian way of life). Vale muito uma olhada, mesmo para quem não liga para futebol. Como eu.
d)Falando em futebol, leiam o artigo "A pátria em Copas", de Maria Rita Kehl, sobre como nosso amor foi embalado e sufocado pelo mondo marketing.:
"Hoje é impossível fugir do protocolo a ser seguido por todo brasileiro em casa, nos bares, nos estádios. Aprendemos pela tevê, com meses de antecedência, como devemos nos vestir, o que beber durante os jogos, quais os gestos e os gritos de guerra apropriados para os momentos mais emocionantes, como pular e dançar depois de um gol do Brasil. Tudo dominado, tudo decodificado. "
Importante ouvir a escritora nigeriana Chimamanda Adichie (Segundo a New Yorker, uma das melhores escritoras com menos de quarenta anos): sobre não nos deixar levar sobre o que dizem, sobre aquilo que aprendemos e apreendemos sem perceber.
(Via fórum Meia-Palavra e Libru Lumen)
b)Aproveitando que falamos de outros lugares, alguns links interessantes com aspectos inusitados de outros países:
Pink Tentacle, sobre o Japão. EnglishRussia, sobre a Rússia (Warren Ellis gosta deste). Vida na Islândia, de um brasileiro "perdido" na Islândia.
O site da Folha tem vários blogues com este "tema": Pé na África, do jornalista Fabio Zanini com mestrado em relações internacionais pela School of Oriental and African Studies (Soas), da Universidade de Londres; Buenos Aires, de Gustavo Hennemann; Raul na China, de Raul Juste Lores.
c)Acho que o Brasil até merecia um blog parecido contando nossas esquisitices (temos muitas), mas pra ficar bom mesmo precisaria de um olhar estrangeiro. Não sei se existe um neste sentido.
Há um livro muito bom, escrito por Alex Bellos, um correspondente inglês que viajou o país (e mais alguns outros) atrás de histórias de nosso futebol. Aqui foi publicado pela Jorge Zahar: Futebol - O Brasil em Campo (O título original é Futebol: The brazilian way of life). Vale muito uma olhada, mesmo para quem não liga para futebol. Como eu.
d)Falando em futebol, leiam o artigo "A pátria em Copas", de Maria Rita Kehl, sobre como nosso amor foi embalado e sufocado pelo mondo marketing.:
"Hoje é impossível fugir do protocolo a ser seguido por todo brasileiro em casa, nos bares, nos estádios. Aprendemos pela tevê, com meses de antecedência, como devemos nos vestir, o que beber durante os jogos, quais os gestos e os gritos de guerra apropriados para os momentos mais emocionantes, como pular e dançar depois de um gol do Brasil. Tudo dominado, tudo decodificado. "
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