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sábado, 11 de setembro de 2010

Achados


(Anúncio de companhia aérea de 1979 - via "If Charlie Parker...")


1)

No ano passado, o blog português "Leituras de Pedro" publicou uma série de resenhas de quadrinhos sobre o onze de setembro. Senti só a ausência de "À Sombra das Torres Ausentes", de Art Spiegelman que saiu aqui no Brasl pela Cia das Letras, que relacionava os quadrinhos do começo do século passado com os eventos do começo do nosso. Algumas páginas dos quadrinhos originais foram reproduzidas no álbum; penso eu que, aqui no Brasil, Little Nemo e outras "velharias"nunca foram tão bem impressas aqui.


2)Os Cronolitos

(via Mundo Fantasmo)

Trecho:
"The Chronoliths foi publicado em 2001, meses antes do ataque ao World Trade Center, criando um sutil paradoxo entre ficção e vida: o aparecimento de monumentos fantásticos e a destruição de monumentos reais. A aparente megalomania da imaginação de Wilson é bruscamente reduzida pela megalomania real dos atentados. O invisível e onipresente Kuin do romance acaba sendo refletido no onipresente e invisível Osama Bin Laden do mundo pós-2001; a ameaça chinesa se transforma em ameaça islâmica. Poucas vezes um romance de FC estabeleceu essa relação de simetria e sincronicidade com fatos do mundo real na época do seu lançamento. "

3)O Desconforto da Crítica, por Daniel Piza

Trecho:
"Blogs e comunidades virtuais em geral são outro sintoma desse mal-estar da crítica. Quando alguém argumenta contra determinadas decisões políticas ou esportivas, ou aponta o que julga serem defeitos num filme ou livro, as reações raramente vêm na forma de argumentos. São insultos e falácias, ou então a crença de que basta apontar um suposto lapso para demolir o raciocínio inteiro. O que está por trás não é o incômodo com aquela opinião (e toda análise contém opinião), mas com a própria existência de uma opinião que não seja a sua. É por isso que tantas das réplicas querem mesmo é que o autor perca seu emprego, de preferência dando lugar ao próprio replicante… O mau leitor é justamente o que acha que o autor serve para dizer apenas o que ele queria dizer.

Sim, os maus críticos fazem mal à crítica também. Muitos autores não conseguem fazer crítica sem cair no ataque pessoal, sem destilar preconceitos, sem desmerecer totalmente o trabalho alheio, sem apontar o dedo para erros banais. Muitas das críticas ao governo Lula caíram no vazio porque sua ênfase era nos adjetivos ao presidente, assim como muitas críticas a jogadores famosos queimaram a língua porque criticavam suas baladas em vez de suas boladas. E pense em quantos artigos com boas causas, como a crítica à arte contemporânea, por exemplo, não estragaram essas causas ao dizer que Picasso não foi um grande pintor (sic!) ou que as instalações nem sequer são “uma linguagem” (mas não são um arranjo de signos?), desprezando qualquer hipótese de seriedade na arte atual. "


4)Shivabel

Ótimo canal de vídeos do You Tube com imagens e informações de Arte, "Vídeo" Quadrinhos, etc mantido certamente por um italiano ou quase-isto.

Vale muito uma espiada. Tem desde "The Long Tomorrow" (Moebius) até Serafini. Olhem estas imagens super-bacanas das 1001 noites feitas por Olga Dugina ou estas cabeças de Thomas Woodroof.


5)Crash, de J.G.Ballard em um curta da BBC de 1971

(Via Coisas do Arco da Velha)


6)Saiu (faz algumas semanas) o Farrazine 17

Justiça 40º/ Long Play/ O nascimento da Era de Prata/ Quadrinhos Gonzo/ etc

domingo, 29 de março de 2009

Telegramas




"Só os escritores ruins têm respostas; a sabedoria, não só na literatura, encontra morada nas perguntas."

Vinicius Jatobá

sexta-feira, 6 de março de 2009

Telegramas


solve et coagula


solve


Trecho da crítica de Vinicius Jatobá no Estado de São Paulo (01/02/2009): "Aos outros tudo, menos a tolerância"



"(...)A literatura cada vez mais se afasta de um enfrentamento do torto nos termos do torto: narradores são puros, compreensivos, iluminados, generosos e sem preconceitos. Uma neutralidade do olhar narrativo, curiosamente em tempos de distopia e demolição dos projetos políticos, tem levado a literatura para um terreno que sequer ela parece ter consciência que está ocupando: a do porta-voz do bom-mocismo. O núcleo deste conflito literário á a intransigência, e em última instância o próprio preconceito, porque é do choque e tensão entre a incapacidade de se comunicar dos personagens que surgem os grandes abismos e contradições da alma humana.
Narradores que compreendem tudo, capazes de construir seus mundos dando oportunidades iguais a todos, sem jamais emitirem qualquer fala agressiva se aproximam mais de uma suposta missão evangelizadora de elevar a consciência pública do que da própria carnalidade do cotidiano das pessoas, que é a própria matéria da literatura. As vozes dos livros parecem de plástico, mas as pessoas são feitas de carne. É por isto que autores como Roth, Bernhard, Bolaño, Naipaul, Kertész, Lobo Antunes são capazes de cativar tanto o emocional do leitor para além da experiência da própria leitura - seus narradores veem os problemas do mundo, mas nunca se eximem da própria carne da matéria do problema. São, evidentemente, parte do problema. Denunciam o antissemitismo, mas são antissemitas; substituem uma violência pela outra; sentem saudade do poder que detinham; desprezam abertamente outras classe sociais; são mesquinhos e pouco generosos; não possuem paciência com o que veem como fraqueza. Isto não quer dizer que os autores padecem da mesma carne dos narradores que inventam (e não importa); esta construção narrativa apenas indica que o narrador que vê tem um corpo que sabe, mesmo em silêncio, aquilo que a cultura ao seu redor não sabe e não escapa nunca desta cultura porque ninguém escapa da história.(...)"

coagula

Trecho do documentário Mindscape de Alan Moore. Palavras do próprio (segundo tradução pirata):

"Os alquimistas tinham os componentes para sua filosofia. Eram os princípios Solve et Coagula. Solve era basicamente a análise, separar as coisas para ver como funcionavam. Coagula significava síntese, ou seja, colocar todas as peças separadas juntas novamente para que funcionem com mais eficácia. Estes dois princípios podem ser aplicados a praticamente qualquer coisa na cultura. Ultimamente, na literatura, por exemplo, surgiu uma corrente de pós-modernismo, desconstrutivismo. Isto é Solve. Talvez seja tempo nas Artes de um pouco mais de Coagula. Tendo desconstruído tudo, talvez seja hora de começar a pensar em pôr as coisas em seu lugar."