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domingo, 11 de setembro de 2011

Achados





Seria interessante você primeiro jogar o jogo. Mas faça o que quiser. Eu não mando em você e nem você tem que me obedecer.

a) Um Not-Game

Depois do jogo baixar, clique espaço.

Use fone

Baseado no que houve durante o regime de Pol Pot no Camboja.

(Via - salvo engano - SuperPunch)

b)"A Onda" e "A Terceira Onda" (1967)

Lembro de ter assistido, quando criança, a um filme chamado "A Onda" (Provavelmente na Sessão da Tarde). A ideia deste filme parece ter sido mais "forte" que a história ou a trama. Dizia-se que era baseado em fatos reais e descrevia um... "Experimento" que pretendia demonstrar aos alunos de uma escola como o fascismo transformara as pessoas. A tal "experiência" começou a dar sinais de possuir vida própria e antes que saísse de controle o professor a interrompeu. O filme está disponível pelo youtube... dublado, inclusive.

Sei que houve uma refilmagem, desta vez se passava na Alemanha nos tempos atuais. Não assisti a este. Porém, amigos mais jovens me falaram deste, não sei se foi um filme recomendado por professores ou coisa assim.

Curioso, decidi dar uma espiada e descobri que os fatos reais inspiradores da história aconteceram durante uma semana em abril de 1967 e não foi documentado com exatidão. Apenas nove anos depois, a história foi contada. Em 1981, a história foi adaptada para um romance infanto-juvenil.

A história ficou bastante similar àquele filme de 1981: Diante da dificuldade dos alunos de entender como as pessoas na Alemanha se "deixaram levar" pelas ideias totalitárias, um professor de história decidiu realizar um "experimento" que logo saiu do controle. Ele iniciou um movimento chamado de "Terceira Onda" - uma referência não ao livro de Alvin Toffler (que aliás nem existia), mas a ideia que a terceira de uma série de ondas seria a maior e mais forte - que obteve "sucesso" em um período de tempo absurdamente curto.

Além dos verbetes do Wikipedia, existe um site sobre aquela semana de abril de 1967, com artigos e relatos dos envolvidos. Dê uma espiada.

c)Experimento de Obediência de Milgram
(1961)

Um outro experimento psicológico famoso foi levado adiante por Stanley Milgram (1933-1984). Neste experimento (citado na minissérie em quadrinhos Watchmen), os voluntários deveriam fazer algumas perguntas a outros participantes. A cada resposta incorreta, deveriam ministrar choques elétricos, cada vez mais fortes. (Segundo Alan Moore) Muitos continuaram a provocar estes choques mesmo depois de acreditarem que os sujeitos estavam mortos.

O que os voluntários desconheciam é que as tais "vítimas" não sofriam nenhuma descarga elétrica: a orientação do psicólogo é que deveriam simular dor. Dois terços dos que ligava as correntes elétricas não hesitaram em provocar os choques.

Existe bastante material em português sobre o assunto. E um vídeo em inglês (fácil de decifrar, agora sabendo da história) com uma recriação moderna do experimento para um documentário britânico de TV. Doloroso. Aqui e ali, outro documentário sobre o assunto, mas do Horizon.

d)A Prisão de Stanford (1971)

Já o experimento da Prisão de Standford (The Stanford Prison Experiment) foi levado adiante na Universidade de Standford pelo psicólogo Phillip C. Zimbardo. Ele deu uma entrevista sobre o assunto na última edição da (nº224) Mente e Cérebro , na qual afirmou: "Stanley Milgram me abraçou e disse: Obrigado por ter tirado um peso das minhas costas ao apresentar um estudo ainda mais antiético que o meu!"

(cá entre nós, pelas fotografias, Zimbardo realmente tem cara de vilão de HQ ou de séries de TV)

Estudantes voluntários foram divididos aleatoriamente em papéis de "carcereiros" e "prisioneiros". A ideia era estudar as dinâmicas e como os grupos se comportariam e se confrontariam. O próprio Zimbardo passou a se comportar mais como "Diretor" de presídio do que um cientista. Os "carcereiros" passaram a exercer seu papel de forma tão brutal que, seis dias depois de iniciado, o experimento foi suspenso.

Como a coisa se deu (e entrevistas com psicólogos, "carcereiros" e "prisioneiros") em um artigo eletrônico da própria Stanford (Via Neatorama). Encontrei este documentário da BBC sobre o assunto.

Também fizeram um filme sobre o assunto.

e)Piada de Aleister Crowley

"Aleister Crowley conta uma piada que, dizem, se entendida, tornará a magia clara como o dia"



Dois homens dividem uma cabine durante uma viagem de trem. Eles não se conhecem. Um deles tem uma caixa com pequenos furos na tampa e de vez em quando olha pelos buracos e parece conversar com o que há dentro. Curioso, o segundo homem pergunta que animal o outro leva na caixa.

-É uma fuinha.

-Uma fuinha...? Esperaria um cachorro, até mesmo um gato ou um coelho. Mas uma fuinha é um animal bastante incomum para possuir. Perdoe a intromissão, mas de onde vem sua relação com o animal?

O primeiro homem encolhe os ombros e então responde,
-Veja, na verdade, é um drama familiar... Mas creio que posso confiar na sua discrição: esta história triste é sobre meu irmão mais velho. Ele sempre foi um problema para nós, envolvido desde cedo com bebidas... O vício o derrubou de tal forma que agora ele vive em delirius tremens, vendo cobras e serpentes por todos os lados.

-Mas... não entendo. Estas serpentes são frutos de uma ilusão; de que adianta uma fuinha contra cobras imaginárias... ?

-Ora meu amigo... A fuinha também é imaginária.




(Não está lá muito engraçada para uma piada, mas o "estilo" foi apropriada da história de Promethea de onde eu a extraí.)

Voltando ao game do item "a".









O que você fez?



(Imagem VIA)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Telegramas


solve et coagula


solve


Trecho da crítica de Vinicius Jatobá no Estado de São Paulo (01/02/2009): "Aos outros tudo, menos a tolerância"



"(...)A literatura cada vez mais se afasta de um enfrentamento do torto nos termos do torto: narradores são puros, compreensivos, iluminados, generosos e sem preconceitos. Uma neutralidade do olhar narrativo, curiosamente em tempos de distopia e demolição dos projetos políticos, tem levado a literatura para um terreno que sequer ela parece ter consciência que está ocupando: a do porta-voz do bom-mocismo. O núcleo deste conflito literário á a intransigência, e em última instância o próprio preconceito, porque é do choque e tensão entre a incapacidade de se comunicar dos personagens que surgem os grandes abismos e contradições da alma humana.
Narradores que compreendem tudo, capazes de construir seus mundos dando oportunidades iguais a todos, sem jamais emitirem qualquer fala agressiva se aproximam mais de uma suposta missão evangelizadora de elevar a consciência pública do que da própria carnalidade do cotidiano das pessoas, que é a própria matéria da literatura. As vozes dos livros parecem de plástico, mas as pessoas são feitas de carne. É por isto que autores como Roth, Bernhard, Bolaño, Naipaul, Kertész, Lobo Antunes são capazes de cativar tanto o emocional do leitor para além da experiência da própria leitura - seus narradores veem os problemas do mundo, mas nunca se eximem da própria carne da matéria do problema. São, evidentemente, parte do problema. Denunciam o antissemitismo, mas são antissemitas; substituem uma violência pela outra; sentem saudade do poder que detinham; desprezam abertamente outras classe sociais; são mesquinhos e pouco generosos; não possuem paciência com o que veem como fraqueza. Isto não quer dizer que os autores padecem da mesma carne dos narradores que inventam (e não importa); esta construção narrativa apenas indica que o narrador que vê tem um corpo que sabe, mesmo em silêncio, aquilo que a cultura ao seu redor não sabe e não escapa nunca desta cultura porque ninguém escapa da história.(...)"

coagula

Trecho do documentário Mindscape de Alan Moore. Palavras do próprio (segundo tradução pirata):

"Os alquimistas tinham os componentes para sua filosofia. Eram os princípios Solve et Coagula. Solve era basicamente a análise, separar as coisas para ver como funcionavam. Coagula significava síntese, ou seja, colocar todas as peças separadas juntas novamente para que funcionem com mais eficácia. Estes dois princípios podem ser aplicados a praticamente qualquer coisa na cultura. Ultimamente, na literatura, por exemplo, surgiu uma corrente de pós-modernismo, desconstrutivismo. Isto é Solve. Talvez seja tempo nas Artes de um pouco mais de Coagula. Tendo desconstruído tudo, talvez seja hora de começar a pensar em pôr as coisas em seu lugar."